terça-feira, 11 de agosto de 2009

erramos: tabaco, nicotina, cigarro industrializado

Este blog cometeu um erro grosseiro na postagem de maio que comentava a lei anti-fumo intitulada fumaça (antiga "Fumar sim, nicotina não", tive que alterar por causa do dito) ao conceituar o tabaco e a nicotina. Deixei a entender lá na referida postagem (já consertada) que a nicotina seria uma substância química presente só no cigarro industrializado, o que não é correto. Na verdade a nicotina é um princípio ativo da folha do tabaco, presente em qualquer cigarrilha, cigarro, charuto a base do dito cujo.

A argumentação na verdade referia-se ao fato do cigarro industrializado comercializado atualmente ser confeccionado levando-se em conta uma combinação de substâncias químicas que potencializa de forma descomunal os possíveis efeitos cancerígenos das tragadas em relação às outras formas, incluindo as mais primitivas, do uso e fumo do tabaco, que era aliás utilizado de forma terapêutica pelos índios nativos americanos.

Essa errata remete-se às seguintes postagens, para esclarecimento: fumaça e sobre a patrulha fascista anti-fumo serrista.

domingo, 9 de agosto de 2009

sobre a patrulha fascista anti-fumo serrista

Deu ontem no caderno Cotidiano da Folha de S. Paulo:

O bar Livraria da Esquina, com show ao vivo na Barra Funda (zona oeste), adotou um esquema (...): fez um cercado, isolado por cordas, para os fumantes na calçada. Lá, os clientes podiam dar as suas tragadas sem deixar a cerveja.

Segundo a prefeitura, é uma situação nova, mas a boate ou bar que fizer um isolamento para os fumantes na calçada pode ser multado em R$ 500 por obstrução de passeio. Se os fumantes fizerem barulho, o Psiu pode multar o lugar pela Lei do Ruído, em R$ 27 mil.

O bar Livraria da Esquina diz que não isolou toda a calçada e que tomou a medida por questões de segurança. "Tem poucas opções para lidar com essa nova situação da lei antifumo", diz Denise Andriole, a dona.

(FSP, Cotidiano 2 - especial, p. C1 - assinante UOL/Folha)

Como podemos notar, o fumante hoje no estado de São Paulo não tem escapatória. O trator fascito-politicamente correto do senhor Governador José Serra está criando, na minha modesta opinião, uma das maiores babaquices políticas dos últimos tempos no Brasil.

Em nome da defesa da saúde pública, Serra joga pra platéia e faz um marketing político rasteiro de dar inveja a Mussolini e congêneres. Ao mesmo tempo que visga um eleitorado conservador moderado "limpinho", vai criar uma legião descontente não só de fumantes, mas de não-fumantes que vivem pelo bom senso.

E por falar em bom senso, já escrevi aqui no blog sobre essa nova legislação: Fumaça. Pegar a ponta mais fraca da corda é fácil. Agora, porque não se faz uma ofensiva pra que se torne o ato de fumar menos tóxico em vez de simplesmente banir o fumo? Porque o nosso caro Serra não se utiliza do seu poder político e do Estado pra criar um debate interessante (quiça internacional) em torno disso, visando criar padrões menos assassinos no que concerne aos cigarros industriais a base de tabaco e peitar a Phillip Morris? Será que é porque não dá voto?

Das melhores conversas que já tive numa mesa de bar com uma cervejinha na mão foram com amigos fumantes. Como fico eu então? Peço a conta e saio pra conversar na sarjeta ou dou um belo tapa no cigarro e passo um sermão na figura querida? E se eu convidar o cacique Tabajara pra tocar o "cachimbo da paz" debaixo de um toldo lá na "prainha" da Paulista? Como fica? (parágrafo de efeito meramente dramático; eu também tenho direito ao meu marketing)

Seguindo no raciocínio do nosso Comandante-em-Chefe estatal logo teremos que banir o refrigerante, pois uns 50 anos de vício em Coca-Cola também mata o gordinho que passa no mercado e leva aquela de 2,5 litros diários pra casa. E o que dizer do pra lá de assassino "McLanche Feliz"? Teve um sujeito lá nos EUA que resolveu cair no vício do hamburguer com cara simpática por 30 dias e estava quase pra bater as botas. E não me venham com esse papo de que não afeta o próximo, pois afeta sim o bolso do dito com os impostos pra bancar o nosso mesmo e único (como somos chiques) sistema de saúde.

E claro, se a coisa desembestar, não vai demorar muito pro nosso nobre Governador querer banir o café, pois deixa os dentes amarelos, causa gastrite, e óbvio, mata os mais exaltados. Só sei que quando a coisa chegar nesse ponto ele vai comprar briga comigo, e vou lá jogar os meus molotovs no Palácio dos Bandeirantes. Ou, se for o caso, no Palácio do Planalto (vai saber o que o futuro nos reserva).

A grande conclusão que eu tiro é que a razão sai perdendo nessa história, e quando a razoabilidade é deixada de lado na política a coisa degringola. Pior do que a falta de política é a política sem bom senso, terreno perigosíssimo.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Prêmio TOP BLOG

Aos 45 minutos do segundo tempo resolvi me cadastrar e participar do Prêmio TOP BLOG: http://www.topblog.com.br/

Algo no estilo do famoso prêmio Ibest e congêneres. É a primeira edição, não custa nada participar. Afinal, esse blog está flutuando na blogosfera por não outra razão além do que ser visto e lido.

Iniciativas como essa, quando sérias, só agregam e ajudam a transformar o espaço virtual blogueiro de forma a dar mais credibilidade ao que é despejado ali.

Aos colegas blogueiros que se interessaram, a inscrição parece que termina hoje (30/07), acredito que às 24h. Então dá tempo ainda.

E claro, se você gosta do que é dito e escrito por aqui, pode votar em Empty Spaces Chronicles que está concorrendo na categoria blogs pessoais - cultura, é só clicar no banner localizado no final da barra de informações laterais aqui do blog, ou no link que vai depois dos dois pontos: Prêmio TOP BLOG - Empty Spaces Chronicles.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Para onde vai a Folha de S. Paulo? (3)

Mais uma para a série sobre o tipo de jornalismo que a Folha de São Paulo anda produzindo nos últimos tempos. Você lê um baita artigo do colunista Clóvis Rossi na segunda página do jornal (A2) e cinco páginas à frente (A7) se depara com isso:

(clique na foto para uma melhor visualização - FSP - 22/07/2009, p. A7)


(clique na foto para uma melhor visualização - FSP - 22/07/2009, p. A7)


(clique na foto para uma melhor visualização - FSP - 22/07/2009, p. A7)

Bom, eu não fiz quatro anos de comunicação social, posso não ter o melhor gabarito técnico pra analisar uma reportagem jornalística, mas na minha opinião esse é um exemplo clássico de como uma notícia objetiva pode ser tendenciosa, ou melhor, como a construção de uma notícia determina a interpretação que se quer passar do fato.

Reparem na construção do título e o tempo verbal adotado. Depois reparem na informação que vem nos subtítulos e no corpo do texto.

De duas uma: ou temos o dedo da chefia na edição final da reportagem ou o próprio jornalista assumiu uma posição clara no que tange à interpretação política do fato.

E o mais interessante é ver a versão online da mesma notícia, digamos, um pouco mais neutra até certo ponto:


Petrobras contratou firma com sede em canil

Empresa recebeu R$ 4,2 mi em 2008; projeto foi autorizado por gerente demitido por suspeita de desvio.

LEONARDO SOUZA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

A Sibemol Promoções e Eventos, que declara como seu endereço o local onde funciona um canil, recebeu da Petrobras no ano passado R$ 4,2 milhões. Ao todo, a família dona da Sibemol e de duas outras empresas embolsou R$ 12,5 milhões da estatal em 2008, em contratos fechados sem licitação.
Os projetos foram escolhidos e autorizados pelo então gerente de comunicação da área de Abastecimento, Geovane de Morais. Conforme a Folha revelou no mês passado, ele foi demitido no começo deste ano por justa causa por suspeitas de desvio de recursos, entre outras irregularidades.
Há casos de serviços pagos por Morais e não prestados. Ele gastou em 2008 R$ 120 milhões a mais do que previsto no orçamento de sua área, sem autorização formal.
A Petrobras informou que ainda está analisando se há irregularidades nos contratos com a Sibemol e as outras duas empresas da família Brandão. A estatal acrescentou que enviou o caso de Morais ao Ministério Público Federal e à Controladoria Geral da União.
Raphael de Almeida Brandão, seu irmão, Luiz Felipe, e a mãe deles, Telma, são donos da Sibemol, da R.A. Brandão Produções Artísticas e da Guanumbi Promoções e Eventos. Eles não foram localizados pela Folha ontem.
Com sede no Rio de Janeiro, as três empresas foram contratadas pela Petrobras para prestar serviços variados, como apoio a projeto social em Minas Gerais, festival de cinema em Friburgo (RJ), locação de mobiliário em evento em Mossoró (RN) e serviços de produção de Carnaval em Salvador.
Conforme o jornal "O Globo" revelou ontem, no endereço declarado pela Sibemol funciona um canil onde há 60 cachorros, além de 200 gatos. As outras duas empresas não funcionam nos endereços informados à Receita Federal.
Os contratos com as empresas dos Brandão assim como os demais projetos autorizados por Morais foram objeto de duas sindicâncias na Petrobras.
A primeira apuração concluiu que o ex-gerente havia desrespeitado normas de contratação e de gastos. Outra comissão apontou indícios de desvio de recursos. A Petrobras decidiu pela demissão de Morais, mas ainda não efetivou o desligamento por ele estar de licença médica desde o final do ano passado.
Morais é ligado ao grupo político petista oriundo do movimento sindical de químicos e petroleiros da Bahia.

(Folha de São Paulo Online: Petrobras contratou firma com sede em canil) (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2207200910.htm)


No calhamaço de papel a Petrobrás "paga" em letras garrafais, já no ciberespaço a Petrobrás "contratou" e "recebeu". Além de terem sido acrescentados três páragrafos que não constam da versão impressa, pelo menos eu com a minha miopia não vi (destaquei em negrito). Porque essa mudança?

Notem que a notícia é a mesma, não se trata de outra edição da Folha Online, mas sim do jornal Folha de São Paulo exposto em versão digital na rede.

Queria o pitaco dos amigos jornalistas que frequentam o blog. Apesar dessas escrotices, no conjunto, ainda acho a Folha um dos melhores e mais gabaritados meios de comunicação do país. De qualquer maneira, é dose ter que ficar lendo isso.

É uma pena que o jornal aparentemente esteja investindo numa linha jornalística desse naipe pra manter uma "platéia fiel" de assinantes. Pode até manter um naco, mas vai eliminar uma razoável parcela com um mínimo de senso crítico.

Será que eu sou muito chato ou vocês concordam comigo que é jornalismo ruim mesmo?

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Apollo 11, Lua, 20 de julho de 1969

(July 21, 1969 - Apollo 11. The Lunar Module approaches the Command and Service Module for docking, with earthrise in background. Aboard the LM were astronauts Neil Armstrong and Edwin Aldrin, returning from a 21-hour stay on the Moon - the first Moon landing by Man. (NASA) - Boston.com )

Lá se vão quarenta anos, quase meio século que transformaram a civilização. A partir desse ponto o homem dominou de tal modo os processos tecnológicos que uma espécie de "super-cronômetro existencial" disparou.

O que fica evidente é uma questão simples mas crucial: ou nos superamos ou nos aniquilamos.

E parece que falta pouco tempo hein? Se virarmos o século intactos já será uma vitória.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

e o mundo girando lá fora

Mergulhar no mundo dos concursos é como viver sob uma eterna sensação de coito interrompido.

É inevitável. Toda sua canalização de energias, cobranças pessoais, sofrem um corte no dia da prova. Aí no dia seguinte você reflete, argumenta consigo mesmo, fica matutando, indagando até que ponto aquilo tudo acrescenta, transforma, eleva.

Em mais de 6 anos, por 17 vezes, eu passei por isso. E vou passar de novo na semana que vem. O que me constrange é saber até que ponto vai, até que ponto realmente vale a pena. Incentivos não me faltam, nem suporte.

Reflito sobre isso principalmente levando-se em conta que já experimentei o outro lado da corda. Encarar os desafios de peito relativamente aberto. Sozinho nas possibilidades, olhando pro horizonte de uma cidade desafiadora. Foram 3 anos de uma certa magia. Uma pausa no coito interrompido.

Eu não vejo magia nesse trabalho dos concursos, esse é o problema. A experiência sensível é pra lá de limitada. É você, seu cérebro, sua ansiedade, e o mundo girando lá fora. Você fica ali, meio que anestesiado, enquanto as coisas acontecem.

O grande problema, é claro, é que o tempo passa. E o grande vislumbre do mundo adulto é saber que ele é um caminho que, dentro de um certo universo convencional e social, cada vez se estreita mais. As possibilidades teoricamente se reduzem. E, se você fica anestesiado enquanto a banda larga está disponível, pode pagar um preço diferenciado lá na frente.

Eis o meu dilema. Quem está nesse mesmo barco com a bússula meio avariada sabe do que eu estou falando.


ADENDO:

Interessante como nesses anos todos de "coito interrompido espiritual" eu acabei me desenvolvendo como uma espécie de "mini blogueiro-escritor-jornalista amador ". Será que esse é realmente o caminho a se investir ou apenas uma fuga? Outro dilema.

sábado, 11 de julho de 2009

We're gonna have a good time!



It's my birthday too, yeah!

sexta-feira, 3 de julho de 2009

revisar é preciso

Nós blogueiros "amadores" não temos o costume de revisar com frequencia e de forma detalhada nossos textos, mas precisamos mudar essa atitude.

No meu último texto aqui no blog, sobre a situação política do Sarney, errei na colocação de um verbo, por puro ato falho, e o texto mudou totalmente de significado. E pior, significado errôneo.

Disse que se o Sarney renunciasse ao cargo, o vice-presidente do Senado iria assumir o cargo. Enquanto na verdade, neste caso, seriam convocadas novas eleições. O verbo correto na verdade era licenciar, onde nesse caso haveria a sucessão dita lá no texto. Só fui me dar conta do erro hoje, três dias depois de ter publicado e "passado o olho" no texto no mínimo umas cinco vezes.

Pode parecer besteira mas, por sermos meras "formiguinhas" do universo cibernético opinativo, temos a tendência a achar que as opiniões que emitimos não tem grande valor ou não geram efeitos.

Com um mínimo de reputação e organização que seu blog tenha ele irá repercutir, mesmo que pra um pequeno grupo de espectadores. E essas pessoas podem (e é muito provável) passar essas informações pra frente.

Temos que ficar ligados. Pois nosso texto mal ou não revisado pode induzir as pessoas a erro, e fazê-las entenderem a mensagem de forma completamente diversa da intenção original. Na internet, a cagada feita viaja na velocidade de uma diarréia.