terça-feira, 31 de julho de 2007

cultivar o silêncio..


..é preciso.

A duras penas eu estou conseguindo. Ironicamente, não sabia que era tão complicado exercitar isso morando sozinho. É muito bom navegar em pensamentos e idéias dentro de um "mar calmo". Sem TV, sem música, sem preocupações, sem bombardeio de informação.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

pausa para o informe publicitário (2)

(Glória Vanique)

Ela havia sumido, não achava mais vestígios em parte alguma. Por acaso, dia desses estava zapeando a TV e localizei a moça numa reportagem do SPTV.

Porque Glória Vanique é a salvação do planeta. Escutem o que estou dizendo. E quem sabe um dia eu terei a oportunidade de sentar e tomar um café com tal preciosidade (sonhar é preciso, sempre).

domingo, 29 de julho de 2007

Plano R: "pela pureza e essência dos nossos fluidos naturais"


Mais uma dica matadora da amiga Regina. Assisti ontem à noite. Debaixo de dois edredons e uma manta, abastecido com uma lata de "brigadeiro-moça ready made". Um clássico que eu ainda não tinha visto.

Postando apenas pra indicar (pra quem ainda não viu). Um filme simples, direto. Não tem nem sentido fazer qualquer comentário sobre o enredo, é só apreciar. Até porque, filme bom a gente não consegue (e nem deve) explicar nada.

Só sei que a cada dia que passa eu concluo cada vez mais que os filmes do diretor Stanley Kubrick valem por 90% das películas que já se produziram dentro da sétima arte em qualquer tempo e qualquer lugar.

mestre X discípulo

(enquanto isso, nas montanhas do Himalaia..)


O mestre indaga:

Mas o que te aflige tanto?

e o discípulo responde:

O que aflige tanto é essa desilusão com o "mundo adulto", mestre. Afinal, o que realmente vale a pena nisso tudo?


Resposta que o "gafanhoto" queria ter pronunciado, mas não pronunciou.

img: http://www.vivalavida.blogger.com.br/

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Light it up now, cus here we go..


Não sei porque, tenho uma tendência a sempre ficar mau humorado nas vésperas das minhas folgas. Nesse ponto, vê-se as vantagens de se morar sozinho, você não desconta isso em ninguém, pelo menos não pessoalmente. Em compensação, joga a chatice contra si mesmo, e dá uma potencializada no negócio, engolindo o próprio veneno. Mas passa rápido também.

Enquanto meu mau humor "cozinha", aproveito o momento, como muitos estão fazendo, pra acender uma chama em memória das pessoas que se foram em tragédias recentes. Porém, fazendo algumas ressalvas.

Vou correr o risco de ser achincalhado aqui, mas é deprimente constatar alguns fatos sociais.

Primeiro, o de se verificar o quanto a estrutura estatal do nosso país está podre e inoperante. Esse problema no setor aéreo é só uma pequena amostra em forma de ferida que expõe de leve uma putrefação gigantesca da nossa capacidade de se organizar como sociedade.

O segundo, de notar cada vez mais que temos uma elite social totalmente alienada e egoísta, que só esperneia quando a água suja bate na bunda dela. Seres de classe média que só percebem que são cidadãos quando algum parente morre carbonizado em um acidente aéreo.

Espero que não me levem a mal, mas é patético ver a mídia fazendo escarcéu e adotando uma postura social "crítica" em situações como essa. E pior, daqui alguns meses, com algumas medidas paliativas pra "azeitar" o funcionamento das "engrenagens", tudo estará normalizado, com aqueles "cidadãos" que agoram esperneiam na frente da câmera de TV de volta àquela velha poltrona confortável atrás do aparelho de televisão. E a vida continua. Todo mundo fingindo não se dar conta de que o buraco é mais embaixo, e de que enxergar certas coisas pode ser doloroso e desconfortável, mas necessário.

Assim sendo, queria acender uma chama em homenagem não só àquelas pessoas que se foram de forma tão estúpida na terça-feira passada, mas também à molecada vizinha minha que está exatamente nesse momento tragando uma pedra de crack na calçada em frente ao meu apartamento, e também aos meus colegas de trabalho que estão ou entrarão em licença médica para tratar de tendinite. Sem falar no mendigão que volta e meia cruza comigo de manhã sempre à caça das melhores sobras de comida estragada nas cestas de lixo da Praça Princesa Isabel.

Essa chama é pra vocês... porque aqui vamos nós, com as nossas carinhas felizes, escutando o Graham Coxon pegar isso tudo e transformar em poesia e beleza, com esse pequeno e animador petardo musical (coloca na vitrola aí):

Well I know you say now "very well done, me old son"
But it's hard to know, every day is a dark dark one
Cus my old friend's here, tug tug tugging at my sleeve
You know he tugs so hard that he could almost make me leave
Light up your candles, into the dark we go..
To be a good man is all I want you know
Light up your candles, cus here we go..

It's a schlep this old life, just one slip and you are gone
Back into the void where you came from
You can't light your own way through this dark unholy place
With just one candle and a happy face
So light it up now, fill the darkness with your grace
With just one candle and a happy face
Light it up now, your happy face..
Yea...yea, yea, yea, yea, yea
Light it up now, your happy face..

It's too easy somehow, just grit your teeth and let it go
Last seduction, total destruction
So what you gonna do now with the good life you have found?
Grin and bear it till you're six feet in the ground..

Light up your candles, into the dark we go..
To be a good man is all I want you know
Light up your candles, cus here we go..

Light it up now, cus here we go..

("Light Up Your Candles" - G. Coxon)


E o melhor de tudo, meu mau humor já está passando.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

empty spaces dicas: "Chaos and Creation in the Backyard" (2005)

("Chaos and Creation in the Backyard" - 2005 - Paul McCartney)

Seguindo na toada das dicas musicais do gosto pessoal do blogueiro local, lá vai mais uma.

Lembro que na época do lançamento desse disco eu escutei o dito cujo numa dessas lojas "mega store" que disponibilizam um tocador pra dar uma provada e não tinha gostado. Achei chato, pelo menos analisando aqueles 30 segundos fabulosos que eles liberam de cada faixa.

Recentemente, por vias tortuosas, adquiri todo o álbum. Comecei a ouvir novamente, com mais cuidado, e agora não paro de dar "play" no bicho na vitrola aqui. Com ajuda do site de relacionamento e estatísticas musicais Last.Fm, descobri que ele é disparado o disco que eu tenho mais ouvido recentemente. Mas não é pra menos, é muito bom.

Não é inovador, não é maravilhosamente criativo, mas é delicioso de se ouvir. Um típico álbum solo do "Macca", cheio de canções singelas, simples, belas, "bobildas", e melodicamente impecáveis. Lembra muito os primeiros trabalhos pós-beatles dele (os melhores), só que mais "lapidado". Talvez por isso tenha gostado tanto.

Diametralmente oposto à dica anterior, esse disco é visceralmente pop, no sentido mais clássico que essa palavra possa ter: música popular para massas de extrema qualidade.

Destaque para as faixas "Fine Line", "Jenny Wren", "Friends to Go", "English Tea", e "This Never Happened Before". Biscoitos finos.

Aliás, aconselho uma audição numa aprazível manhã de domingo (ou feriado), regado a muito café, pãezinhos, biscoitos, e "guloseimas" caseiras em geral. Esse disco do amigo "Paulie" parece feito sob medida para esses momentos. Inclusive, ele meio que confessa isso em uma das músicas.

There is a fine line, baby.. oh yeah.

Setlist:

01- Fine Line
02- How Kind of You
03- Jenny Wren
04- At the Mercy
05- Friends to Go
06- English Tea
07- Too Much Rain
08- Certain Softness
09- Riding to Vanity Fair
10- Follow Me
11- Promise to You Girl
12- This Never Happened Before
13- Anyway

domingo, 22 de julho de 2007

empty spaces dicas: "Amused to Death" (1992)

("Amused to Death" - 1992 - Roger Waters)

As vezes eu fico pensando se eu sou o único maluco na face do planeta terra que escuta de cabo a rabo um álbum solo do Roger Waters (ex-Pink Floyd). Pra muitos é uma tarefa ingrata, pra outros, simplesmente torturante. Pra mim, é tranquilo, e prazeroso.

Bom, todos os discos da carreira solo do Waters são digamos, questionáveis, do ponto de vista do que se considera normalmente como paradigma de um bom disco de música pop. Até porque, aparentemente, a idéia do sujeito é justamente fazer discos "anti-pop". As músicas mal tem refrão, são pouco melódicas, e ele passa quase o álbum todo (seja qual for deles) narrando estórias sobre personagens desiludidos, política, guerra, sonhos, paranóias, drogas, etc, etc.

Não é diferente com esse disco, que relata uma paródia sobre a auto-destruição da espécie humana por meio da alienação frente a televisão (como vocês podem observar, o sujeito é modesto). Mas é justamente esse viés "adulto" que o Waters dá aos discos dele que eu acho atraente. Principalmente porque ele é um dos poucos artistas que fazem isso, e o faz de forma competente (dentro do que ele se propõe). Sua contribuição na banda Pink Floyd foi fundamental nesse sentido, antes das coisas desandarem.

Eu sempre o escuto no final de noite. Deito na cama, pego algo pra ler, ou simplesmente apago as luzes e fico lá, pensando na vida enquanto o bicho desenrola na vitrola.

Eu diria que é um disco recomendável apenas a pessoas introspectivas e pacientes, que não se incomodam em ficar treinando o inglês pra acompanhar toda a "narrativa teatral" das canções, nem se sentem mal em passar mais de 60 minutos tendo que ouvir canções essencialmente tristes (ou belas) e pessimistas (ou realistas). Isto é, é coisa pra 0,000001% da população mundial de ouvintes.

De qualquer maneira, se você for um desses seres corajosos, vale a pena investir. Até porque, assim como os discos do The Clash (que eu nunca vejo custarem mais de R$20,00), os petardos do Waters sempre estão sobrando nas pratelheiras e a preços módicos (o meu eu paguei R$12,00, se não me engano).

Enfim, é um clássico da megalomania-ego-auto-indulgente-paranóica-maluquete-elegante no mundo do rock and roll.

Setlist:

01. "The Ballad of Bill Hubbard"
02. "What God Wants, Part I"
03. "Perfect Sense, Part I"
04. "Perfect Sense, Part II"
05. "The Bravery of Being Out of Range"
06. "Late Home Tonight, Part I"
07. "Late Home Tonight, Part II"
08. "Too Much Rope"
09. "What God Wants, Part II"
10. "What God Wants, Part III"
11. "Watching TV"
12. "Three Wishes"
13. "It's a Miracle"
14. "Amused to Death"

sábado, 21 de julho de 2007

o "dial" do amor

(Gradiente S-95 AM/FM Stereo Receiver; um guerreiro.. meu companheiro de todas as horas.)

Volta e meia eu me pego pensando sobre isso. Afetividade. Ora matutando sobre as minhas próprias relações afetivas com meus amigos, "rolos", ou whatever. Ora observando as relações dos outros, e tentando arrancar algumas explicações plausíveis sobre o porquê delas serem tão complexas, conflituosas, irracionais, muitas vezes violentas, e ao mesmo tempo vitais.

Num desses dias em que fui passear em Campinas, enquanto estava lá trancado no banheiro, tomando banho, comecei a pensar sobre essa questão com intensidade. No banheiro da minha residência campineira existe um rádio velho, enferrujado, que o pessoal liga enquanto manda ver na higiene diária. Apesar de ser um "tape" duplo, atualmente ele só funciona com o "dial" do rádio AM/FM.

Ficava eu lá, enrolado na toalha, tentando sintonizar o sinal da rádio que eu gosto de escutar (uma tarefa que requer paciência e muita concentração). Momentos antes de resolver tomar banho, estava navegando na internet, mais precisamente no orkut, e passeava por perfis de pessoas com quem eu tive (ou tenho) relações sentimentais próximas e muito fortes. Algumas com quem mantive (ou mantenho) fortes laços e me dou muito bem, outras com quem a coisa simplesmente explodiu, ou de alguma maneira se perdeu pelo caminho.

Entrei no banheiro pensando nisso, naquelas pessoas, e nos sentimentos contraditórios que vivenciei com algumas delas. E tentando entender porque é tão difícil transformar paixão em amor, violência química em suavidade empática. O motivo de alguns sentimentos surgirem e se evaporarem no ar, e de outros se solidificarem e entrarem num seleto grupo de algo que poderiamos chamar de "rochas espirituais" (!).

Aí a metáfora óbvia balançou na minha cabeça. Talvez a melhor representação que se possa fazer dos sentimentos "afeto-amorosos" seja a comparação com uma frequência de sinal de rádio. Nesse caso, milhares de frequências de rádio perdidas no espaço-tempo, caóticas, e totalmente intermitentes no que tange a intensidade e amplitude. E em busca delas, outras centenas de receptáculos, "receivers" sedentos por carinho, afeto, e compreensão. E no meio disso tudo, a sintonia, os grandes e pequenos encontros de paixão e empatia. Encontros esses tão aleatórios quanto indecifráveis, cognitivamente falando (??).

Eu pessoamente tenho uma tendência meio "burralda", digamos assim, de tentar procurar uma explicação relativamente lógica (?) para tudo que vivencio. Quem convive comigo percebe isso com facilidade. E durante um bom tempo, meses eu diria, tentei entender o porquê de uma das paixões mais fortes que eu já tive por uma pessoa ter se evaporado de uma forma até meio estúpida. E pior, não ter sobrado nenhum "lastro" desse "rompante de sintonia". O receptáculo simplesmente não captava mais as minhas frequências afetivas e não compartilhava de mais nada. Não havia mais conexão. E porque?

Esses dias, uma amiga minha se viu jogada dentro dessa "sopa caótica" de frequências moduladas que parecem nunca entrar em sintonia. Como eu tempos atrás, tentando entender porque ráios o rapaz não correspondia aos sinais de empatia que ela emitia.

Numa troca de e-mails, ela buscava angustiada por respostas. Na hora, lendo, lembrei desse meu dia trancado no banheiro, e dessa imagem, dessa metáfora pulsando na minha cabeça. E de como, depois desse dia, eu passei a enxergar as relações humanas em geral (e as minhas em especial) de uma forma um pouco mais tranqüila e um pouco menos paranóica (embora ainda não o suficiente).

Aliás, muito provalvemente, essa metáfora nada mais seja do que o resultado representativo de um processo de amadurecimento. Lento, doloroso, e pelos quais todos nós passamos, mesmo não entendo p**** nenhuma.

Enfim, a minha resposta foi simples: não se pode entender um processo que é naturalmente "desentendível" (gostei desse neologismo), que nasce e sobrevive da própria desconstrução de qualquer resposta lógica (não falei exatamente nesses termos, senão ela teria me trucidado vivo).

Eu bem que gostaria de ter, mas acho difícil um dia possuir um "receiver" capaz de captar a sintonia fina da eterna essência empática do ser humano.

* postagem dedicada à citada amiga.