sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

2010/2011

 
Pois é, acabou 2010, praticamente o fim da primeira década do século XXI (parece brincadeira). E eu tirei meu blog da sua longa hibernação de quase 6 meses apenas para esta postagem. Uma postagem lacônica, mas significativa.

Este ano que passou talvez tenha sido ao mesmo tempo o pior e o melhor ano da década para este escriba. Puro paradoxo. Depois da faculdade (1999-2003), do "triênio iluminado" (2005-2008), um mergulho sereno na escuridão por dois anos, as coisas parecem que voltam à luminosidade. Aquele estufar de peito com o mais puro e deleitoso ar de otimismo e auto-estima dá sinais de volta. Agora com outras perspectivas, um olhar mais sereno para si mesmo e para os erros e acertos cometidos. Banhado num caldo saboroso de leve maturidade.

Dizem os sábios que nós vivemos de ciclos, de "ondas existênciais". 2011 chega daqui a pouco menos de 5 horas, a maré recuou e está subindo novamente. É hora de preparar as armas, sentir o vento e a maresia, abraçar os amigos e os bons fluidos, e seguir.

Um brinde a todos vocês.

p.s.: essa provavelmente será a última postagem deste blog que aparecerá do jeito como vocês sempre o conheceram, vem aí o Empty Spaces Chronicles 2.0, em uma nova casa, mais interativo, mais animado, e o mais importante, mais atualizado. Tenham fé e paciência, ao contrário do que parece, a alma blogueira deste sujeito não morreu.

terça-feira, 20 de julho de 2010

sobre rédeas e planos

Tempos atrás eu escrevi aqui sobre um baita fork in the road que estava se aproximando. O momento exato em que ele chega é difícil de visualizar, mas é "sentível". Todos nos passamos por forks no decorrer da nossa existência, uns conseguem identificar e refletem sobre o dito cujo, outros não, simplesmente engolem e digerem sem qualquer brainstorm.

O meu, que estava lá na esquina, agora está ali no meio do quarteirão. E se eu não estiver enxergando mal, deixou de caminhar e passou a correr na minha direção.

Pra ennfrentar os forks da vida, os seres humanos se armam como podem. Na cabeça desse ser que vos escreve, e que pensa muito além da conta, existem dois planos existenciais hipotéticos em curso, paralelos: um plano A e um plano B. O plano A vem regado a insegurança e liberdade plena, onde o "ser convexo" domina. Já o plano B traz consigo segurança e liberdade castrada, onde o "ser côncavo" dá as cartas.

O plano A é o que rege no cerne o espírito desse escriba, ganhou cara própria e delineou suas curvas há uns cinco anos atrás e vem se aprimorando, porém, como não poderia deixar de ser, foi, e é, um total fracasso, financeiramente falando.

O plano B é a "saída de emergência", um alçapão obscuro mas extremamente realista. Discreto, é trabalhado com má vontade desde o início da faculdade. Mais como "prestação de contas" para família do que qualquer outra coisa. Uma espécie de consolo pragmático pra uma consciência cheia de si.

A grande questão é: ambos os planos ainda não se perfizeram, e ambos são as únicas alternativas de uma total tomada de rédeas da existência. No caso do plano B, de imediato, no plano A, de forma diferida. A independência, o adulto hipoteticamente completo.

Até recentemente, o plano A, o plano do cerne do espírito, estava na dianteira. Mas nessa troca de semestre tudo mudou. O plano B, tudo leva a crer, tomou a dianteira, e fez com que o meu fork parasse de caminhar e começasse a empreender uma bela corrida.

Desde o dia onze deste mês, 29 anos nas costas. Plano A ou plano B, uma decisão crucial terá de ser tomada a curto prazo. E as perguntas pipocam. Se o plano B chegar antes, o que será do espírito? Uma vez no plano B, conseguirei voltar para o A, é possível? Em quanto tempo o plano A me dará as rédeas?

Enfim, temos aí  de 5 a no máximo 12 meses para botar o espírito na ponta. Desejem-me sorte.

domingo, 4 de julho de 2010

a donzela é a mesma

O lance agora é arranjar motivos pra máquina de guerra norte-americana continuar o seu giro econômico. O alvo da vez: o Irã. O principal argumento: aqueles maluquetes muçulmanos radicais ameaçam o "mundo livre" com o iminente desenvolvimento e mais do que provável lançamento de uma bomba atômica na cabeça dos vizinhos israelenses (que por sinal, nunca negaram ter a sua própria bombinha pra jogar na cabeça de anti-sionistas mais exaltados, ou quem sabe em cima de barcos de ajuda humanitária mais atrevidos).

De tempos em tempos, eu gosto de me lembrar que essa mesma máquina, quando ela ainda era uma mocinha novilha, foi responsável pelo único lançamento de bombas nucleares na cabeça de seres humanos. Mais precisamente, numa ilha chamada Japão. O ano era 1945. O número de cabeças pulverizadas girou algo em torno de 220 mil (140 mil em Hiroshima e 80 mil em Nagazaki), cálculo por baixo, sem contar as consequentes mortes por sequelas.

Na época a moçoila argumentou que era um "mal necessário" para acabar com a Segunda Guerra Mundial. Mas como diria aquele saudoso advogado de um antigo programa da televisão tupiniquim, há controvérsia.

Agora vem a público que essa mesma donzela, numa época em que ela vivia às turras com certos senhores russos, lançou sobre as nossas cabeças algumas bombinhas de teste pra provocar e amedrontar estes mesmos senhores. Assim, coisa boba, na surdina. Dê uma olhadela (para acessar a reportagem completa e assistir ao vídeo clique em "more on npr.org"):

(Source: NPR Credit: Reporter: Robert Krulwich, Producers: Jessica Goldstein, Maggie Starbard Supervising producers: Vikki Valentine, Alison Richards Production Assistant: Ellen Webber Researcher: Meagen Voss)

É aquela história, os dados são jogados novamente, os tempos são outros, as condicionantes são outras, mas é importante fazer notar que a donzela é a mesma, exatamente a mesma.

domingo, 30 de maio de 2010

do deslumbramento sincero e vital

(*)

Porque é preciso sonhar.
Porque eles nos pegam, e se concretizam.
Porque é assim que nos equilibramos sobre a onda mais alta.
Porque nós mudamos.
Porque volta-e-meia ajustamos os controles em direção ao sol.
Porque a razão para o que somos é mais simples do que imaginamos.
Porque nós somos um jardim, um parque.
Porque quebramos muros.
Porque escutamos os ecos dos nossos próprios medos.
Porque os espaços vazios são preenchidos.
Porque nos reconhecemos nos olhos de todos os desconhecidos.
Porque temos um bravo coração.
Porque o tempo é uma ficção da luz.
Porque a música rege o universo.
Porque nossa mente é um mistério.
Porque a empatia é mágica.
Porque um dia viramos pó.
Porque sempre viajamos através das galáxias.
Porque é preciso sonhar, mesmo que escondido de nós mesmos.

Texto meu publicado no longíquo 20 de julho de 2005 no fotolog de uma amiga, em face de um pedido da moça na busca de algo pra dizer no "Dia do Amigo". Eu nem me lembrava mais do dito cujo, mas ontem a doutora Kelly Esther trouxe, junto com a postagem, a memória de um tempo em que as possibilidades eram infinitas, o deslumbramento era sincero e vital, e o peito se enchia de ar com uma facilidade estrondosa.

(*) "...a linda foto da janela do apartamento dele numa tarde de chuva fina junto com pôr-do-sol, em Campinas-SP." (Kelly Esther)

terça-feira, 4 de maio de 2010

Top Blog disse: vai lá e posta

Minha intenção era só tirar este blog da "hibernação" quando estivesse residindo em casa nova. Porém, esses dias recebi um e-mail da premiação TOP BLOG dizendo que meu espaço foi indicado na já conhecida concorrência, versão 2010. Eu entendi a mensagem como um "larga a mão de frescura e preguiça e volta a escrever lá no seu blog".

Ano passado já havia participado da premiação com o blog local e também através do 1001 Covers Para Se Ouvir Antes de Morrer, na colaboração. Sendo que este último conseguiu um destaque ficando entre os TOP 100 dos internautas votantes.

Pois então vamos lá, levantar a poeira virtual e trazer um pouco de caracteres pensativos pra esse vazio cibernético. E claro, se você conhece, acompanha, simpatiza, dá uma força, quer ver crescerem fortes e bonitos, acha legaizinhos esse dois blogs. Vota em nóis!

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Lua, Sol, luminosidade..


Veja: - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso definiu a senhora como uma lua política sem luz própria girando em torno e dependente do carisma ensolarado do presidente Lula. Como a senhora pretende firmar sua própria identidade?

Dilma Rousseff: - Não considero apropriado discutir luminosidade com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Essa eleição promete bons debates políticos, só quero ver como vai ser a coisa na TV. Vou até marcar os horários certinho, pegar o refri e estourar uma pipoca.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

I know, dear friend


Dear friend, what's the time?
Is this really the borderline?
Does it really mean so much to you?
Are you afraid, or is it true?

Dear friend, throw the wine,
I'm in love with a friend of mine.
Really truly, young and newly wed.
Are you a fool, or is it true?

Are you afraid, or is it true?

(de Paul McCartney para John Lennon - 1971)



The years have passed so quickly
One thing I've understood
I am only learning
To tell the trees from the wood

I know what's coming down
And I know where it's coming from
And I know and I'm sorry (yes I am)
But I never could speak my mind

And I know just how you feel
And I know now what I have done
And I know and I'm guilty (yes I am)
But I never could read your mind

I know what I was missing
But now my eyes can see
I put myself in your place
As you did for me

Today I love you more than yesterday
Right now I love you more right now

And I know what's coming down
I can feel where it's coming from
And I know it's getting better (all the time)
As we share in each other's minds

Today I love you more than yesterday
Right now I love you more right now
Ooh hoo no more crying
Ooh hoo no more crying
Ooh hoo no more crying
Ooh hoo no more crying

(de John Lennon para Paul McCartney - 1973)

 
 ***


Amizade

Acepções

■ substantivo feminino
1    sentimento de grande afeição, de simpatia (por alguém não necessariamente unido por parentesco ou relacionamento sexual)
1.1    grande apreço, solidariedade ou perfeito entendimento entre entidades, grupos, instituições etc.
2    reciprocidade de afeto
3    Derivação: por metonímia.
     aquele que é amigo, companheiro, camarada
4    relacionamento social (mais us. no pl.)
5    concordância de sentimentos ou posição a respeito de algum fato; acordo, pacto, aliança
6    apego (de alguns animais) pelo homem
7    Uso: informal.
     atitude ou gesto de benevolência, de complacência

8    Diacronismo: antigo.
     estado de concubinato; mancebia
9    Regionalismo: Brasil. Uso: informal.
     us. como interlocutório pessoal
Ex.: ei, não vá com tanta pressa, a.!


Locuções

a. colorida
Regionalismo: Brasil. Uso: informal.
relacionamento amoroso e sexual, ger. passageiro, sem compromisso de estabilidade ou fidelidade
Obs.: cf. amizade-colorida
a. de barca, de caminho ou de passagem
Regionalismo: Portugal.
de breve duração; passageira
nossa a.
Regionalismo: Brasil. Uso: informal.
meu amigo, meu camarada, meu chapa (us. como interlocutório pessoal)
 

Etimologia

lat. vulg. *amicìtas,átis, por amicitìa,ae 'amizade, afeição, simpatia, aliança, pacto', de amícus,i 'amigo'; ver am(a)-; f.hist. 1188-1230 amiçade, sXIII amizade, sXIV amyzada, sXV amizidade, sXV amiizade


(fonte: Houaiss)


***

Pois é, este blog não morreu, e vai começar o ano com o que realmente importa.

p.s.: it's good to be back.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

o Natal como engodo e os "fuckin' lazy nerds"

A maioria das manifestações sobre as festanças de fim de ano na internet e mais especificamente na blogosfera trazem consigo uma certa rabugice. Isso é consequência direta do fato do povo que "forma opinião" no meio ser dominado por nerds e seres não muito chegados a uma sociabilidade mais abrangente.

Minha avó, sua tia, aquele primo "amigão", todos estão lá curtindo a data. Nem que seja majoritariamente pra encher a cara, ficar falando mal dos outros e provocando a quietude alheia, eles estão minimamente (cientes ou não) sintonizados com o "espírito natalino".

Eu me considero um agnóstico. Não acho que Jesus seja uma sombra divina que irá resolver todos os nossos problemas e remediar todos os nossos sentimentos de culpa história adentro (aliás, suspeito que "Ele" pregava justamente o contrário), não sei nem se ele realmente foi um sujeito histórico,  mas sei que ele é cultura, é uma representação simbólica da nossa civilização, e está aí acompanhando o nosso fim de ano com firmeza há séculos.

Por essas e outras não consigo colocar o Natal como um engodo escroto do nosso calendário. Virou uma data de ode ao consumismo, é fato, mas resumi-la a isso ou a uma data reservada ao único e exclusivo despejo dos nossos sentimentos mais hipócritas é forçar a barra.

O homem é por natureza um animal social, isso já virou clichê e estamos carecas de saber. Viver, para nós, implica em encararmos o monstro da sociabilidade. Em nos relacionarmos com os outros de uma forma mais abrangente em algumas datas específicas.

Pode ser dolorido, pode ser mais difícil para alguns, mas é assim que a roda gira.

Existem sim os problemas familiares, existem sim as fraturas e fendas psicológicas profundas. Mas aqui eu nem me refiro a esses casos, e nem faço apologia do tapinha-filha-da-mãe-hipócrita-nas-costas, refiro-me àquelas famílias mais ou menos equilibradas, onde virou moda falar mal do Natal por uma pura, simples, e escrota "preguiça existencial" para com o outro.

É pra esses que eu deixo a mensagem: let´s do the social, you fuckin' lazy nerds!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

notas aleatórias de fim de ano

2010

Pois é, o ano, na prática, acaba essa semana. Depois, só 2010. 2010 meu amigo! Parece que foi ontem que eu estava no longínquo 2001, frequentando o Pátio dos Leões da PUC campineira, 3º ano da facul, descobrindo Strokes, White Stripes, Coldplay, petições, livros, recursos, códigos.. dando os primeiros passos num incipiente mundo adulto.

Está tudo bem claro na minha mente ainda. Quase uma década se foi e as memórias seguem frescas. Não sei até que ponto isso é bom ou ruim, o fato é que meu relógio biológico marca aproximados 3.285 dias desde então. Já posso dizer com propriedade que sou um sujeito rodado. Minha juventude "latu sensu" ainda tem gás pra dar, mas uma sensação de um certo peso na alma já se faz presente.

Blog

Como os nobres leitores desse espaço já devem ter notado, a coisa anda devagar. Digamos que seja um pouco do reflexo do estado de espírito do editor, mas não é só isso. Ultimamente tenho voltado minha cabeça pra elaborar uma nova arquitetura pro nosso amigo, não só no aspecto estético como de conteúdo, e uma eventual mudança de casa também está nos planos.

O melhor de 2009

Ontem me animei e pensei em postar uma listinha aqui com o que mais me interessou neste ano. Uma miscelânia mesmo, com assuntos de várias áreas. Não garanto nada, mas pode ser que role até o dia 31.

Direito versus Comunicação

Se tem algo que marcou o meu 2009 foi uma certa esquizofrenia profissional. Comecei o ano a todo vapor nos concursos jurídicos e termino finalizando um curso de webdesigner. É isso aí mesmo, advogado webdesigner. Talvez eu seja o primeiro do país, não duvido nada. E aguardem porque a meta para o ano que vem é completar a transição para o mundo da comunicação social, isso se os ventos (e a necessidade) não resolverem mudar de rumo mais uma vez. Podem me chamar de louco, mas um louco em busca de um certo tesão profissional desconhecido. O problema é que começo a desconfiar, ou melhor, a aceitar que o dito "T" não existe.

A receita

Ansiedade, tédio, comodismo, com pitadas de amor e cumplicidade. Assim podemos definir o 2009 do escriba.

Presente de Natal



(informações: aqui)

Ainda dá tempo pessoal. Estamos em época de fraternidade e boas ações para com o próximo.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

me, bladerunner



Foi na minha adolescência que eu descobri uma das minhas películas cinematográficas favoritas. Lembro bem das vezes em que eu fantasiava e me colocava no papel do Harrison Ford, sentado solitário num restaurante chinês em uma Los Angeles desolada pela tecnologia e pelo nosso estilo de vida pós-moderno, no hoje não tão longíquo 2019, imaginando-me como um verdadeiro caçador de replicantes (ou seria da essência humana, e de si mesmo?).

Pois bem, hoje navego pela internet e me deparo com essa notícia:

IBM anuncia que está mais perto de produzir chip que opera como o cérebro


Segundo a companhia, o novo algoritmo, batizado de "BlueMatter", desenvolvido junto com a Universidade de Stanford, "mede e rastreia as conexões entre todos os pontos corticais e subcorticais do cérebro humano" utilizando técnicas de ressonância magnética.


Ao mesmo tempo, os pesquisadores da IBM conseguiram realizar a primeira simulação do córtex cerebral quase em tempo real, que contém um bilhão de neurônios e 10 trilhões de sinapses individuais, mais do que o córtex do cérebro de um gato.


A simulação foi efetuada com o supercomputador Dawn Blue Gene/P instalado no laboratório Lawrence Livermore e formado por 147.456 processadores centrais e 144 terabytes de memória.


A IBM disse que estes dois avanços a aproximam do objetivo de produzir um chip "sinaptrônico" compacto e de baixo consumo de energia utilizando nanotecnologia, que será necessário para criar "novas classes de sistemas de computação" em um mundo que gera crescentes quantidades de informação digital.


"As empresas precisarão controlar, estabelecer prioridades, adaptar e tomar decisões rápidas sobre a base de fluxos crescentes de dados e informação crítica. Um computador cognitivo poderia juntar de forma rápida e exata as peças díspares deste complexo quebra-cabeça", aponta a IBM.


A fase seguinte do projeto, financiada com US$ 16,1 milhões da Agência de Defesa para Projetos Avançados de Pesquisa (Darpa, na sigla em inglês) do Pentágono, se centrará em componentes com arquitetura similar à do cérebro e em simulações para produzir um chip de protótipo. EFE jcr/bba



Eu não me considero um pessimista clássico, mas também o otimismo clássico passa longe da minha cabeça. Acredito que estou ali em algum lugar que poderíamos chamar de realista melancólico. E essa notícia tem um "q" de realismo melancólico.

Sempre tive uma sensação, quando assistia Bladerunner, de que o filme não se tratava de ficção científica, e pior, essa sensação só cresceu junto com o tempo e a proliferação da minha pelagem.

Nowadays, macaco pleno, vejo que uma fagulha quase-revolucionária surgiu fora das telas, e eu sou mais Rick Deckard do que nunca.





quarta-feira, 11 de novembro de 2009

no escuro


Esse blog é escuro, e tem uma razão de ser. Para tentar enfrentar os limites dos nossos questionamentos existenciais é preciso encarar a escuridão.

Esse recente apagão elétrico que atingiu grande parte do país me fez refletir sobre isso, essa inquietude deveras desesperadora que atinge o ser humano quando ele se encontra no completo breu.

O noticiário televisivo beira uma certa histeria no transcorrer do dia de hoje tentando entender as causas de uma falha que é sabidamente possível em qualquer rede ou sistema complexo. E não acho que eventuais interesses políticos expliquem por si só tamanha "neura" camuflada no jornalismo. O buraco provavelmente é mais embaixo.

É só olhar pras pessoas que estão ao seu lado, ou seus vizinhos, todos guardam uma inquietude primal quando todas as luzes se apagam e a velha e boa chama de fogo volta a ser o único porto seguro.

Por experiência própria, eu sinto que quanto mais você procura entender e vivenciar a escuridão melhor você consegue enxergar, trabalhar, e amadurecer o próprio espírito. E penso que falta um pouco disso em nós como civilização: tentar vivenciar de uma forma mais plena a escuridão, e, por consequência, entendermos melhor o que nós somos e representamos diante do vazio.

Como fazer isso? Uma noite deitado na grama de um sítio interiorano (com todas as luzes apagadas), uma parada no acostamento da estrada vicinal (desligando os faróis), com uma não necessariamente longa pausa para observar o firmamento noturno. Essa é uma opção, mas existem várias. Pra muita gente, dormir num quarto totalmente escuro já seria um grande avanço.

Embora a humanidade tenha alcançado um gigantesco grau de conhecimento tecnológico e de engenharia de tal forma complexos e refinados, ainda não conseguimos lidar de forma serena com medos que estão incrustrados na simplicidade espiritual da natureza.

Um dos livros mais antigos e influentes da humanidade já dizia que no começo era o nada e a escuridão. E ninguém nunca deu muita bola pra isso. O "cool" só teria aparecido com o verbo e a ação, em forma de luz. Mas eu sou daqueles que acreditam que a maturidade repousa na não-ação e no silêncio. O dia em que olharmos pra esse lado da moeda com mais carinho e menos "cagaço", vislumbraremos melhoras sensíveis em nós mesmos na trajetória de uma certa caminhada aparentemente sem destino.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

um país sério

"O que estarrece, e aí ficamos muito preocupados com a quadra vivida, é que uma decisão mandamental do Supremo tenha o cumprimento postergado. Causa espécie que o Senado da República se recuse a cumprir uma decisão do Supremo. Não sei. Talvez a quadra seja sinalizadora de fecharmos o Brasil para balanço."

Marco Aurélio Mello, Ministro do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral, na Folha Online.

Contextualizando:

Senado ignora Supremo e mantém senador cassado

(...)

ANDREZA MATAIS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O Senado não afastou do cargo o senador Expedito Júnior (PSDB-RO), como manda a decisão do Supremo Tribunal Federal, e resolveu encaminhar o caso para ser analisado pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). A posse do substituto teve de ser desmarcada.

O senador Expedito Júnior foi cassado pela Justiça Eleitoral por abuso de poder econômico e compra de votos na eleição de 2006.

Na semana passada, o STF julgou ação proposta pelo segundo colocado nas eleições, Acir Marcos Gurgacz (PDT-RO). Ele pediu para tomar posse no lugar de Expedito, já que tanto o TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de Rondônia -que o cassou em 2008- como o Tribunal Superior Eleitoral -que confirmou a decisão em junho deste ano- determinaram sua saída imediata.

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), mandou publicar a decisão e convocou o pedetista a assumir a cadeira ontem, ao mesmo tempo em que reuniu a Mesa Diretora para deliberar sobre o assunto.

Como a decisão deve ser colegiada, a Mesa decidiu mais uma vez ignorar o Supremo e aceitar o recurso de Expedito ontem para que ele pudesse se defender na CCJ. Com isso, a posse de Gurgacz foi adiada e o tucano segue no cargo.

Folha de S. Paulo, versão impressa; p. A4 - 04/11/2009

Qual o critério pra determinar se um país é "sério"?

Olhando a nossa volta verificamos que nossa nação está pungente, na crista da onda em termos econômicos e nas relações internacionais, teremos em breve o privilégio e o "peso" político de sediar dois eventos de alcance geopolítico global em um curto espaço de tempo - mas o ponto é: será que toda essa bonança nos torna um país "sério"?

Não é difícil determinar nesse caso a "seriedade" como um critério de amadurecimento político. Foi isso que supostamente De Gaulle (ou o inconsciente coletivo nacional) quis dizer e está implícito em toda crítica pertinente que é feita ao Brasil enquanto nação ou civilização.

Acredito que ao longo deste século, e em particular nos últimos 15 anos, o país amadureceu muito em termos políticos, mas ainda não podemos classificá-lo como um adulto pleno nesse cenário. Saímos de uma adolescência infantilóide mas ainda somos um jovem que teima em cometer erros grotescos. Criamos traços básicos de personalidade, porém perdidos em nossos objetivos existenciais. E claro que assim como muitos seres humanos, várias nações demoram séculos pra achar o seu rumo, e muitas vezes morrem sem tê-lo achado.

Eu lendo essa notícia entendo o estarrecimento do Ministro Marco Aurélio. O que está no cerne da seriedade e maturidade de um país em tempos de democracia liberal é o modo como os poderes e suas instituições básicas se respeitam e cumprem a lei. Não digo aqui da falta de respeito à lei pelo agir político dos cidadãos, o que é normal e até saudável, mas sim do não cumprimento de uma ordem judicial dentro do âmbito das relações institucionais mais altas da república.

A sorte nossa, ou vantagem, é que deixamos a dita adolescência pra trás e tudo acaba se resolvendo nas miudezas políticas que a nossa juvenil (porém maior de idade) democracia aprendeu a vivenciar. Antes isso do que a instabilidade total dos "países criança".

Mas convenhamos, já temos todas as condicionantes para dar um passo decisivo rumo à entrada no mundo das nações plenamente adultas e maduras. Porque tanta demora (injustificada)?

domingo, 20 de setembro de 2009

sobre ser côncavo ou convexo

Domingão crepuscular. Uma boa hora para a reflexão.

Percebi que estou chegando numa fase da vida em que certas decisões precisam ser tomadas. Elas são necessárias e inevitáveis. Algumas pessoas as tomam inconscientemente, outras as enxergam claramente, algumas fogem delas desesperadamente, outras simplesmente as protelam, e ainda existem aquelas que já cresceram com elas tomadas lá atrás, compulsória ou voluntariamente.

É algo que fica lá no âmago, um pano de fundo, regendo nosso espírito como uma espécie de maestro das últimas instâncias existenciais.

Não há como escapar, em algum momento da vida partimos para o "ser côncavo" ou para o "ser convexo". Não que essa bipolaridade seja excludente, nem que um caminho seja melhor que o outro, mas temos que decidir qual dos ditos será a linha mestre, o tronco, o dito rumo da nossa vida.

Sob o "ser côncavo" vamos "assentar a poeira", criar laços afeto-sociais sólidos, buscar uma fonte financeira rentável e duradoura, vamos perder amigos, criar família, vamos ter que sentir o mundo de uma forma mais elástica e benevolente, reprimir o ego, buscar no horizonte não as novidades, mas a segurança da "blindagem" das ditas raízes que anestesiam a schopenhauriana dor primal.

Sob o "ser convexo" vamos pulverizar nosso afeto e nossa sociabilidade, vamos conviver com a fonte financeira exígua, vamos perder mas sempre criar novas possibilidades de amizade, vamos sentir o mundo com um "sensorialismo espiritual" aguçado, vamos surfar sobre a vontade e representação schopenhaurianas, fortalecer nosso ego pra encarar o sofrimento sem a blindagem radicular, vamos trilhar nosso caminho auto-centrados e com uma certa solidão presencial, vamos ter que lidar com a contingente insegurança e buscar no horizonte as novidades que acalmam o espírito, teremos que ser eternos iludidos com as próprias e alheias limitações.

Como dito, a escolha é natural. Consultar a si mesmo e ter total consciência e controle do processo e da decisão é que é difícil, nada simples, mas estou (por hora) convencido da "convexitude" do meu ser. E isso não se deve só à minha miopia.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Facebook: tudo o que um site não deve ser


Pois é, aparecendo por aqui pra reclamar. Fazia tempo que não caía numa cilada no mundinho das mídias sociais, mas o facebook me pegou.

Talvez esteja exagerando um pouco no título dessa postagem, mas é um exagero necessário. O famoso e gigantesco site de relacionamentos é um especialista no que eu chamaria de "truculência cibernética". Não que eles não façam nada que a divindade Google, ou a Microsoft, ou qualquer outro "blockbuster" da arquitetura da informação não faça em termos de (falta de) boa política de privacidade. O problema é que eles não tem a mínima noção de como deixar um usuário mais atento seguro sobre como os seus dados pessoais são tratados.

A curiosidade humana junto a um estado de espírito "maria vai com as outras" me fez arriscar na criação de um usuário. A aventura durou 15 dias. Presenciei o que eu mais temia: os meus dados e informações passeando numa gororoba de aplicativos e dispositivos meta-publicitários que te deixam totalmente sem controle sobre o que você posta, informa, e armazena na rede.

Logo de cara, na inscrição pra criação da conta, após informar meu nome e e-mail, já fui bombardeado por dezenas de "sugestões de contatos" que me fez ter a sensação de que fizeram um "pente-fino" em todas as minhas fichas de dados pessoais off e on-line e descobriram que fulano e ciclano faziam de alguma forma parte da minha vida. Acharam amigos e contatos reais meus com a simples informação do meu nome e e-mail, sem que eu desse qualquer senha pra que tivessem acesso às tais informações, como é usual em 99% dos sites de relacionamentos.

Pelo menos eles foram eficientes. O problema é que nenhuma pessoa que vela pela sua privacidade on-line recebe de bom grado esse tipo de prestatividade. É de uma deselegância ímpar. Comparando, outros sites similares como Orkut e MySpace também te ajudam a buscar sua rede de contatos, mas perguntam antes e agem depois que você libera as informações constantes, via de regra, nas contas de e-mails.

Depois dessa recepção de amigo da onça, fui correndo pra seção de configurações pra restringir ao máximo a disponibilidade dos meus dados. Mesmo depois de ter criado uma hipotética muralha na configuração do dito, ainda assim, alguns dias depois, minha foto de perfil apareceu inocentemente num desses anúncios proto-publicitários que passeiam pelo site.

Agora, aqui entre nós: que tipo de confiança e segurança um site que trata dados pessoais desse jeito pode te passar?

E o melhor veio depois, quando fui tentar deletar meu perfil. Ou melhor, "desativar" meu perfil. Pois o facebook não exclue sua conta do sistema, ele apenas desativa com a possibilidade de retorno, com a seguinte mensagem:

Olá Alexandre,

Você desativou a sua conta do Facebook. Para reativar a sua conta a qualquer momento, efetue login no Facebook usando seu e-mail e senha de login antigos. Você conseguirá usar o site como costumava acessar.

Obrigado,

A equipe do Facebook

É mole? Então quer dizer que se eu não limpo meus dados de perfil antes de "desativar" a conta eles ficam lá, flutuando no mar de gororoba publicitária da rede do site ad eternum?

Tenho certeza que mesmo os publicitários mais aguerridos com bom senso profissional hão de concordar comigo que esse modo de operar é no mínimo deselegante. E burro, acima de tudo. Afinal, o mundo virtual não é feito apenas de lemmings idiotizados que não estão nem aí pra esse tipo de "estupro da personalidade" virtual.

E pra não acharem que sou um paranóico solitário, acessem e leiam o relato desse colega de blogosfera, com maiores detalhes: Invasão de Privacidade no Facebook.

Aqui tem um pouco mais do histórico de boníssimas maneiras do site: Facebook enfrenta processo por invasão de privacidade do Beacon.

Baby Facebook, no donut for you.

domingo, 23 de agosto de 2009

musas (13)


ANNE SEXTON

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

a opção Marina

O grande agito atual na blogosfera política é a possível candidatura da Marina Silva à presidência da república em 2010. Pra alguns, um "balão de ensaio" enchido pela oposição pra fraturar o "lulismo", com prazo certo de validade; para outros uma real e bem-vinda alternativa pra enriquecer o quadro político do alto escalão eleitoral brasileiro.

Em que pese algumas ressalvas, fico com a segunda turma. Acredito que a forte possibilidade de termos ela no quadro de candidatos à presidente ano que vem é algo positivo. Assim como Lula foi um divisor de águas político lá em 1989, ela pode ser (frise-se, aqui vale a aposta política, pois é uma incógnita) o novo divisor de águas da política atual. E não digo especificamente para a próxima eleição, onde as chances dela são pra lá de pequenas, mas pros próximos 5, 10 anos.

Eu tenho uma tese, que muita pouca gente concorda, de que os dois grandes grupos políticos progressistas que surgiram após a redemocratização (tucanos e petistas) cometeram um erro histórico gigantesco, lá no começo dos anos 90, ao se afastarem e reforçarem as diferenças políticas entre ambos ao invés de se aproximarem e cristalizarem os pontos comuns. Ambos, cada um a seu tempo, conquistaram o poder, mas ao custo de ter que se aliar ao que sobrou de mais arcaico do conservadorismo político pré-1988.

O resultado dessa brincadeira foi que o país perdeu, vai lá, uns 20, 30 anos de "gancho" para um mais célere desenvolvimento político-econômico-social. Já poderíamos estar desfrutando de um nível cultural, educacional, tecnológico e político muito mais pugente agora na virada da década.

Bom, mas eu cito essa "tese" porque, caso seja adotada a estratégia política certa e haja um trabalho árduo nesse sentido, a senadora Marina Silva poderia perfeitamente aglutinar o que resta dessas forças progressistas em torno de uma candidatura que poderia criar o germe da tão angustiada e necessária nova (e segunda) "onda política" do pós-1988, focada na gritante questão socioambiental. História, respeito, e conteúdo político pra isso ela tem.

É muita fantasia a curto prazo? Pode ser. Mas a longo prazo não. Política de qualidade se faz, antes de mais nada, com um percentual mínimo de idealismo, foi assim com a constituinte, foi assim com o "fator Lula", e terá que ser assim com o desenho que se projeta pro pós-Lula.

Como disse, isso irá depender da competência e visão dos articuladores que a eventual candidatura dela possa contar e da qualidade do que surgir do possível grupo político que viria da "refundação" do Partido Verde. De saída, levando-se em conta os quadros atuais do PV e adjacências, e mais as condicionantes políticas nas quais se encontram os citados grupos progressistas da pós-redemocratização, é sonhar demais para a próxima eleição presidencial.

De qualquer maneira, como no futebol (metáfora que o nosso atual presidente adora), na política tudo é possível, e ela flui sempre ao sabor das conveniências e oportunidades.

No curto prazo da realpolitik, alguns pontos interessantes:

1) Marina Silva não tem outra alternativa pra seu futuro político; 24 anos de militância no PT, 15 anos de Senado, 5 anos como Ministra de Estado, a falta de espaço e o escanteamento político; a mudança e a candidatura são um passo natural.

2) Lula tem pago o preço por "conveniências e oportunidades" passadas. A crise no Senado Federal, esse agito no tabuleiro da sucessão, são consequências de opções políticas feitas por ele.

3) A mudança traz de volta Ciro Gomes pra disputa. Se Marina for, ele com certeza irá. E aí reside o grande assombro: se Dilma não decolar, Marina não fizer milagre, pode rolar um 2º turno Serra X Ciro. Melhor eu bater três vezes na madeira aqui.

4) As qualidades (e defeitos) pessoais da moça. Até que ponto ela tem o tino político necessário ao cargo? Como ela lideraria com o vendaval de interesses, conchavos, sutilezas do centro do furacão político? E o seu conservadorismo na seara religiosa? E uma certa intransigência no "modus operandi" da questão ambiental?

É aguardar pra ver como a coisa se desenrola.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

pausa para o informe publicitário (9)



Lá atrás você desenha uma miríade de possibilidades. Ali na frente você se dá conta de que elas convergiram para o vácuo, ou se transmutaram na sua variante oposta.

É, não é mole. Bom, mas também nunca me disseram que seria.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

erramos: tabaco, nicotina, cigarro industrializado

Este blog cometeu um erro grosseiro na postagem de maio que comentava a lei anti-fumo intitulada fumaça (antiga "Fumar sim, nicotina não", tive que alterar por causa do dito) ao conceituar o tabaco e a nicotina. Deixei a entender lá na referida postagem (já consertada) que a nicotina seria uma substância química presente só no cigarro industrializado, o que não é correto. Na verdade a nicotina é um princípio ativo da folha do tabaco, presente em qualquer cigarrilha, cigarro, charuto a base do dito cujo.

A argumentação na verdade referia-se ao fato do cigarro industrializado comercializado atualmente ser confeccionado levando-se em conta uma combinação de substâncias químicas que potencializa de forma descomunal os possíveis efeitos cancerígenos das tragadas em relação às outras formas, incluindo as mais primitivas, do uso e fumo do tabaco, que era aliás utilizado de forma terapêutica pelos índios nativos americanos.

Essa errata remete-se às seguintes postagens, para esclarecimento: fumaça e sobre a patrulha fascista anti-fumo serrista.

domingo, 9 de agosto de 2009

sobre a patrulha fascista anti-fumo serrista

Deu ontem no caderno Cotidiano da Folha de S. Paulo:

O bar Livraria da Esquina, com show ao vivo na Barra Funda (zona oeste), adotou um esquema (...): fez um cercado, isolado por cordas, para os fumantes na calçada. Lá, os clientes podiam dar as suas tragadas sem deixar a cerveja.

Segundo a prefeitura, é uma situação nova, mas a boate ou bar que fizer um isolamento para os fumantes na calçada pode ser multado em R$ 500 por obstrução de passeio. Se os fumantes fizerem barulho, o Psiu pode multar o lugar pela Lei do Ruído, em R$ 27 mil.

O bar Livraria da Esquina diz que não isolou toda a calçada e que tomou a medida por questões de segurança. "Tem poucas opções para lidar com essa nova situação da lei antifumo", diz Denise Andriole, a dona.

(FSP, Cotidiano 2 - especial, p. C1 - assinante UOL/Folha)

Como podemos notar, o fumante hoje no estado de São Paulo não tem escapatória. O trator fascito-politicamente correto do senhor Governador José Serra está criando, na minha modesta opinião, uma das maiores babaquices políticas dos últimos tempos no Brasil.

Em nome da defesa da saúde pública, Serra joga pra platéia e faz um marketing político rasteiro de dar inveja a Mussolini e congêneres. Ao mesmo tempo que visga um eleitorado conservador moderado "limpinho", vai criar uma legião descontente não só de fumantes, mas de não-fumantes que vivem pelo bom senso.

E por falar em bom senso, já escrevi aqui no blog sobre essa nova legislação: Fumaça. Pegar a ponta mais fraca da corda é fácil. Agora, porque não se faz uma ofensiva pra que se torne o ato de fumar menos tóxico em vez de simplesmente banir o fumo? Porque o nosso caro Serra não se utiliza do seu poder político e do Estado pra criar um debate interessante (quiça internacional) em torno disso, visando criar padrões menos assassinos no que concerne aos cigarros industriais a base de tabaco e peitar a Phillip Morris? Será que é porque não dá voto?

Das melhores conversas que já tive numa mesa de bar com uma cervejinha na mão foram com amigos fumantes. Como fico eu então? Peço a conta e saio pra conversar na sarjeta ou dou um belo tapa no cigarro e passo um sermão na figura querida? E se eu convidar o cacique Tabajara pra tocar o "cachimbo da paz" debaixo de um toldo lá na "prainha" da Paulista? Como fica? (parágrafo de efeito meramente dramático; eu também tenho direito ao meu marketing)

Seguindo no raciocínio do nosso Comandante-em-Chefe estatal logo teremos que banir o refrigerante, pois uns 50 anos de vício em Coca-Cola também mata o gordinho que passa no mercado e leva aquela de 2,5 litros diários pra casa. E o que dizer do pra lá de assassino "McLanche Feliz"? Teve um sujeito lá nos EUA que resolveu cair no vício do hamburguer com cara simpática por 30 dias e estava quase pra bater as botas. E não me venham com esse papo de que não afeta o próximo, pois afeta sim o bolso do dito com os impostos pra bancar o nosso mesmo e único (como somos chiques) sistema de saúde.

E claro, se a coisa desembestar, não vai demorar muito pro nosso nobre Governador querer banir o café, pois deixa os dentes amarelos, causa gastrite, e óbvio, mata os mais exaltados. Só sei que quando a coisa chegar nesse ponto ele vai comprar briga comigo, e vou lá jogar os meus molotovs no Palácio dos Bandeirantes. Ou, se for o caso, no Palácio do Planalto (vai saber o que o futuro nos reserva).

A grande conclusão que eu tiro é que a razão sai perdendo nessa história, e quando a razoabilidade é deixada de lado na política a coisa degringola. Pior do que a falta de política é a política sem bom senso, terreno perigosíssimo.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Prêmio TOP BLOG

Aos 45 minutos do segundo tempo resolvi me cadastrar e participar do Prêmio TOP BLOG: http://www.topblog.com.br/

Algo no estilo do famoso prêmio Ibest e congêneres. É a primeira edição, não custa nada participar. Afinal, esse blog está flutuando na blogosfera por não outra razão além do que ser visto e lido.

Iniciativas como essa, quando sérias, só agregam e ajudam a transformar o espaço virtual blogueiro de forma a dar mais credibilidade ao que é despejado ali.

Aos colegas blogueiros que se interessaram, a inscrição parece que termina hoje (30/07), acredito que às 24h. Então dá tempo ainda.

E claro, se você gosta do que é dito e escrito por aqui, pode votar em Empty Spaces Chronicles que está concorrendo na categoria blogs pessoais - cultura, é só clicar no banner localizado no final da barra de informações laterais aqui do blog, ou no link que vai depois dos dois pontos: Prêmio TOP BLOG - Empty Spaces Chronicles.