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quarta-feira, 11 de março de 2009

garoto enxaqueca e seu termostato

Eu sabia que não estava louco, e que a causa de algumas das minhas piores e mais recentes dores de cabeça tinha algo a ver com o clima. O mais legal é que a coisa só tende a piorar.

Estudo liga aumento de calor a dor de cabeça

Um estudo realizado nos Estados Unidos sugeriu que dias de calor podem aumentar o risco de enxaqueca.

Os pesquisadores analisaram os casos de mais de 7 mil pessoas que procuraram alívio para fortes dores de cabeça no Centro Médico Beth Israel Deaconess, em Boston, entre maio de 2000 e dezembro de 2007.

No total, 2.250 pessoas receberam um diagnóstico de enxaqueca e 4.803, de dores de cabeça provocadas por tensão ou outras causas.

Eles constataram que o risco de incidência da dor aumentou 7,5% para cada 5°C a mais na temperatura do ar.

(...)

Impacto diário - Os pesquisadores monitoraram vários fatores ambientais, como temperatura, pressão, umidade e poluição do ar, durante os três dias que antecediam as visitas dos pacientes ao hospital e nas semanas subsequentes, para verificar qual destes fatores estaria mais ligado a fortes dores de cabeça.

De todos os fatores analisados, o que se associou mais à dor de cabeça foi a ocorrência de temperatura mais alta 24 horas antes da ida do paciente para o hospital.

(...)

O pesquisador Kenneth Mukamal, do Centro Médico Beth Israel Deaconess e da Escola de Medicina de Harvard, disse: 'Esta descoberta nos diz que o ambiente à nossa volta afeta nossa saúde e, em termos de dor de cabeça, pode ter impacto em muitas pessoas diariamente.'

(fonte e matéria completa: Folha Online, via Ambiente Brasil)

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

arritmia terráquea


"O centro da Terra abriga um líquido quente que faz com que, na rotação, ocorram espasmos arrítmicos, como se fosse um 'ovo cozido sacudido, no qual a gema se movimentasse repentinamente de um lado a outro', e isso influiria nas forças de atração gravitacionais." - Fred Spenak, astrofísico norte-americano, ao explicar que "o aquecimento global é um dos fatores que influencia a desaceleração da rotação da Terra, mesmo que muito ligeiramente, devido ao aumento do nível dos oceanos pelo degelo dos pólos, o que está afetando as marés e as forças de atração gravitacionais com a Lua."

matéria completa: Ambiente Brasil.

img: http://web.mit.edu/

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

aos babacas em férias

Volume de lixo nas rodovias paulistas aumenta 20% nas férias

Todos os meses, as concessionárias que administram 4,3 mil quilômetros da malha rodoviária paulista retiram cerca de 900 caminhões cheios de lixo das estradas. O levantamento foi realizado pela Agência Reguladora de Transporte (Artesp). Nesta época do ano, por causa das férias, o volume de lixo recolhido aumenta em 20%.

A média mensal de detritos retirados das estradas pela concessionária, que administra as rodovias Anchieta e Imigrantes, é de 147 toneladas - 30% a mais do que dois anos atrás. De acordo com a concessionária Ecovias, o perfil de quem suja as rodovias mudou nesse período. Antes, 60% da sujeira era depositada por moradores de com unidades próximas. Hoje, a maior parte do lixo é jogada por ocupantes de veículos.

O acúmulo de lixo aumenta o risco de acidentes, obstrui a drenagem das rodovias e coloca animais em risco, pois são atraídos pelo odor de restos de comida. Em 2006, eram 120 animais mortos por mês no Sistema Anchieta-Imigrantes. Hoje são 190, dos quais 80% cães. (Estadão Online)

fonte: Ambiente Brasil

Já estamos carecas de saber que um dos principais diferenciais entre as nações ditas de primeiro mundo e as subdesenvolvidas são os fatores combinados cultura e boa educação. Mesmo que essa terra brasilis se torne um verdadeiro "canteiro de obras" e transforme sua economia num trator desembestado, se continuarmos com a mesma mente cultural de jerico, nunca deixaremos de ser um povo de segunda classe.

Se você é um babaca, pense nisso antes de jogar o famigerado papelzinho de bala ou a própria mãe pela janela do seu carro. Se você conhece um babaca, dê um esporro nele. Sem dó nem piedade.

Nota 1: atenção para o grifo.
Nota 2: essa postagem não é mais um arroubo de propaganda politicamente correta no mundo virtual. É puro bom senso na defesa da reputação e boa imagem do meu país, que ao final das contas, é a minha; e uma boa oportunidade de atualizar esse blog que anda pra lá de letárgico.

domingo, 2 de novembro de 2008

é o começo do fim?

Essa semana que passou a ong WWF divulgou o seu Índice Planeta Vivo. Algo como um relatório sobre o "estado do mundo" ecológico. Vejamos:

(vou cobrar royaties por essa capa de relatório.. :P )

"Nossa pegada ecológica global excede, hoje, em cerca de 30% a capacidade de regeneração do mundo. Se nossa demanda continuar nesse mesmo ritmo, em meados de 2030 precisaremos de dois planetas para manter nosso estilo de vida. O relatório deste ano registrou, pela primeira vez, o impacto de nosso consumo sobre os recursos hídricos do planeta e nossa vulnerabilidade à escassez de água em muitas regiões."

(...)

"As emissões de carbono ocasionadas pelo uso de combustíveis fósseis e as mudanças no uso do solo constituem o maior componente da Pegada da humanidade, o que realça a principal ameaça ao nosso planeta: as mudanças climáticas. Pegada Ecológica é a área necessária para produzir os recursos que utilizamos e para absorver as emissões de carbono, expressa em hectares (média) de terra ou mar produtivo no mundo. A análise geral feita pela GFN da Pegada Ecológica mostra que a área necessária chegou a 2,7 hectares globais por pessoa. A área disponível hoje, per capita, é de 2,1 ha."

(...)

"As cinco maiores Pegadas per capita nacionais são dos Emirados Árabes, Estados Unidos, Kuwait, Dinamarca e Austrália. As cinco menores pertencem a Maláui (país no leste da África), Afeganistão, Haiti, Congo e Bangladesh."

(...)

"Oito países – Estados Unidos, Brasil, Rússia, China, Índia, Canadá, Argentina e Austrália – possuem mais do que a metade do total da biocapacidade mundial."

(...)

"O desmoronamento do crédito ecológico é um desafio mundial. O relatório Planeta Vivo 2008 nos diz que mais de 75% da população mundial vive em nações que são devedoras ecológicas, pois seu nível de consumo nacional superou a biocapacidade do país. Assim sendo, a maioria dessas nações está sustentando seu atual estilo de vida e crescimento econômico por meio da retirada cada vez maior do capital ecológico de outras partes do mundo."

(...)

"Os EUA e a China possuem as maiores pegadas nacionais, cada um totalizando cerca de 21% da biocapacidade global. Mas cada um dos cidadãos dos Estados Unidos demanda uma média de 9,4 ha (ou quase 4,5 planetas se a população mundial tivesse os mesmos padrões de consumo deles), enquanto os cidadãos da China usam uma média de 2,1 ha do mundo por pessoa (um planeta)."

(...)

"Passaram-se quase quatro décadas desde que os astronautas da Apollo 8 fotografaram o famoso “Nascer da Terra”, que constituiu a primeira imagem do Planeta Terra. Nas duas gerações que se seguiram, o mundo passou de uma situação de crédito ecológico para déficit ecológico."

(...)

"A espécie humana possui um histórico notável de engenhosidade e solução de problemas. Agora, o mesmo espírito que levou o homem à lua deve ser empregado para livrar as gerações futuras de um colapso ambiental."

Versão na íntegra do relatório em inglês: Living Planet Report 2008.

Pois bem, não vou chover no molhado mais uma vez. Só acho que o "gerações futuras" da última frase está meio defasado. No andar da carroagem, é bem provável que eu, você, nós amiguinhos consigamos ver ainda com nossos próprios olhos o circo pegar fogo.
Eu tento mas não consigo ser tão otimista como o pessoal da WWF consegue ser, confiando no "histórico notável de engenhosidade e solução de problemas" da humanidade. Esse dias mesmo estava navegando pelo blog do Marcelo Leite quando me deparei com a engenhoca Gapminder. Uma espécie de simulador animado de estatísticas gráficas as mais variadas e interessantes, com um arco gigantesco de possibilidades combinatórias. Fui lá brincar e criei a minha, uma linha do tempo do crescimento populacional mundial X emissões de CO2 em todo o planeta:

(clique aqui; depois de aberto o link, aperte o "play")

Dando uma olhadela nesse gráfico não tem como não ser pessimista. Por mais que busquemos o equilíbrio de sustentabilidade da nossa existência no planeta (o que é nossa obrigação moral, existencial e o escambau), a bomba está armada. É fisicamente impossível. Ou assistiremos a uma hecatombe social sem precedentes nos próximos 50 anos que leve a humanidade a um patamar populacional viável pra sobrevida da espécie, ou é o fim.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

My Iron Lung (parte 4)

E foram colocados os ignóbeis panos quentes.
Nosso ministro conseguiu fazer a pior barbeiragem possível. A palavra foi dada, e não foi cumprida. Pior, na surdina, com uma "cara de pau" assustadora. A falação desembestada e os atos concretos estão cada vez mais distantes um do outro, e a confiança acabando. Precisamos de um mínimo de coerência, meu caro Ministro.


Governo recua e autoriza diesel com 1.800 ppm de enxofre

Petrobrás e indústria automobilística desrespeitaram decisão para reduzir a proporção a 50 ppm até 2009

SÃO PAULO - A partir 1º de janeiro de 2009, passa a ser obrigatória a utilização do diesel S50 - com 50 partes por milhão de enxofre - somente nas frotas cativas de ônibus urbanos dos municípios de São Paulo e Rio de Janeiro, e não em todos os veículos diesel de todo o País, como previa resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) de 2002. A indústria automobilística e a Petrobrás alegam que não tiveram tempo de se adaptar à nova norma. Já o diesel usado nas demais frotas nacionais poderá ter até 1.800 ppm de enxofre, ante os 2.000 ppm atuais.

Com o novo acordo, só a partir de 2011 que a obrigação passará a valer de forma mais ampla, e ainda assim apenas para as cidades de Curitiba, Porto Alegre, Belo Horizonte, Salvador e para as regiões metropolitanas de São Paulo, da Baixada Santista, Campinas, São José dos Campos e Rio de Janeiro.

A decisão é parte de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado na madrugada desta quinta-feira, 30, na presença do Ministério Público Federal (MPF), entre o governo federal e representantes da Petrobrás, da Fecombustível, da Agência Nacional de Petróleo (ANP), do governo do Estado de São Paulo, da Anfavea e das montadoras de motores.

O ajustamento de conduta teve de ser fechado como parte das compensações pelo descumprimento da resolução original.

Pelo acordo firmado, a Petrobrás, a partir de 1º de janeiro do próximo ano, substituirá totalmente a oferta do diesel atualmente utilizado, com 2 mil partes por milhão (ppm) de enxofre, por um novo diesel que conterá 1.800 ppm. E a partir de janeiro de 2014, será totalmente substituída a oferta de diesel com 1800 ppm de enxofre por um com 500 ppm.

Os fabricantes de veículos deverão apresentar até 2012 relatório de valores das emissões de dióxido de carbono e de aldeídos totais dos veículos pesados a diesel. Também deverão atender aos novos limites máximos de emissão de poluentes a serem elaborados e deliberados pelo Conama, em uma nova resolução.

Ao governo, representado pelo Ibama, caberá apresentar proposta de resolução com pedido de urgência ao Conama para disciplinar uma nova etapa para limites de emissão de poluentes por veículos leves comerciais movidos a diesel.

Em setembro, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, havia afirmado que, a partir de 2009, somente veículos com motores adaptados para usar combustível S50 seriam licenciados. "Quem não cumprir que se entenda com a Justiça", afirmara o ministro.

“Eles aceitaram a proposta da Petrobrás e da Anfavea”, lamentou Oded Grajew, do Movimento Nossa São Paulo. Grajew afirma que Minc havia assumido o compromisso de se reunir com representantes da sociedade civil antes de assinar o TAC.

“Infelizmente, fizeram isso de madrugada e sem a participação dos principais interessados.” Ele também questionou a atuação do MPF no caso.

O Conama aprovou ainda resolução que antecipa para 2012 a adoção do diesel S10 (com 10 ppm de enxofre) no abastecimento de veículos pesados - ônibus e caminhões - no Brasil.

(com Alexandre Gonçalves, de O Estado de S. Paulo)


Pra quem aterrisou agora, acompanhe os capítulos anteriores, aqui: My Iron Lung - parte 1 - parte 2 - parte 3.


quarta-feira, 22 de outubro de 2008

o contra-filé nosso de cada dia

(o contra-filé nosso de cada dia.. - esse ficou tão bonito e gostoso que eu até registrei pra posteridade)


Sudeste consome carne originária de área desmatada
 
A maior parte da carne produzida em áreas de desmatamento na Amazônia está sendo consumida no Sudeste, segundo um levantamento feito por pesquisadores do Imazon. Os números indicam que apenas 5% da carne produzida na região é exportada. E dos 95% que ficam no País, quase 70% são enviados para o Sudeste. A pecuária é o setor produtivo que mais influencia no desmatamento da Amazônia. Cientistas e ambientalistas estimam que mais de 70% das derrubadas florestais são feitas para a abertura de pastagens. Os pesquisadores do Imazon calculam que 253 mil km2 foram ocupados por pastos na Amazônia entre 1990 e 2006 - uma área maior do que o Piauí. O rebanho da região aumentou 180% no mesmo período, passando de 26 milhões para 73 milhões de cabeças, o equivalente a 36% do total nacional 

fonte: OESP, 22/10, Vida, p.A18 - Instituto Socioambiental 

Minha inteligente e bem informada amiga Luciana já partiu pra esse caminho, mas eu (ainda) não tenho planos de me tornar vegetariano. De qualquer maneira, começarei a adotar uma progressiva e completa readequação da minha dieta pra comer o mínimo possível de carne vermelha, e priorizar as ditas carnes "brancas" (frango, peixe, etc.). Bom, na verdade já venho fazendo isso, mas vou traçar o objetivo como uma insistente e brava política pessoal. Que tal um bife de vaca apenas uma vez por semana como 1ª meta? Tendo em vista a minha genética arcaica (um provável e rústico sangue O-), não será simples. Porém, é a única saída inteligente e evolutiva pra questão (tanto no âmbito pessoal como global).
Com uma simples análise do que se passa na questão da segurança alimentar e do meio ambiente atualmente, mais um pouco de bom senso, é natural concluir que a evolução da nossa civilização passa pelo lento e seguro abandono da carne vermelha do cardápio.
Em que pese a simpatia que eu pessoalmente tenho pelas nobres vaquinhas, é fisicamente impossível que toda população mundial possa um dia manter aquele saboroso bifinho no cardápio cotidiano. Sem contar outras variantes socioambientais que nos levam ao caminho inevitável da conclusão de que os bovinos são um problema, e não há solução.
É lógico que isso não vai (e nem deve) mudar da noite pro dia, mas é um assunto a se pensar, e que passa longe das nossas rotineiras rodas de discussões políticas.
O custo sócio-econômico-ambiental de um boi, em especial aqui no Brasil, é sensivelmente alto em vista dos benefícios. Isto está claro. Agora a bola está do nosso lado e a mudança de atitude no consumo é o grande ato político que está faltando.

Um bye-bye pro nosso contra-filé de cada dia.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

My Iron Lung (parte 3)

Os cínicos de plantão costumam ironizar sobre a inocuidade de se "bancar o cidadão consciente". Pois taí o resultado. Graças à pressão de ONGs, outros institutos, e as mais diversas formas de manifestação civis (incluindo a desse blog), nosso caro Ministro "supimba" do Meio Ambiente voltou atrás e disse que vai cumprir sem concessão a resolução 315 do CONAMA.
Tá "boiando"? Então acesse o resto da brincadeira aqui (My Iron Lung, parte 1) e aqui (My Iron Lung, parte 2).
Tomava café tranquilamente na manhã de ontem quando me deparei com a  animadora notícia na Folha:

AFRA BALAZINA
ENVIADA ESPECIAL A BRASÍLIA 

O ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) desistiu, após ser alvo de críticas, de fazer qualquer acordo com as montadoras e a Petrobras para adiar o cumprimento da resolução que determina a redução de emissão de poluentes por veículos movidos a diesel. A medida entra em vigor a partir de janeiro do próximo ano.
Minc disse ontem que a resolução 315, do Conama (Conselho Nacional de Meio Ambiente), que prevê o diesel S-50 (com 50 partes por milhão de enxofre) para 2009, não sofrerá nenhuma alteração e terá de ser cumprida, sem exceções.
Hoje, o diesel nas regiões metropolitanas tem 500 ppm (partes por milhão) de enxofre e, fora dessas regiões, chega a 2.000 ppm.

(...)

"As empresas que não cumprirem vão ter de se acertar na Justiça", afirmou o ministro. Ele ressaltou que, se não se adequarem ou não fizerem um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) na Justiça, os "caminhões e ônibus novos não serão licenciados pelo Ibama e não saem da fábrica". 

(...)

"O diesel hoje é inaceitável, é um veneno", afirmou Minc aos conselheiros do Conama.

(...)

A resolução tramitará em regime de urgência no Conama e deve ir à votação em um prazo de cinco semanas. Antes disso, a proposta será analisada por câmaras técnicas e poderá ser modificada.
Como a parte polêmica foi retirada, a expectativa é que seja aprovada sem grandes dificuldades. "Todo mundo quer isso, há um sentimento de bastante desconforto com o que aconteceu [possível descumprimento]", disse a secretária.


Então tá. A palavra da autoridade está posta. Agora é aguardar e fiscalizar o desenrolar dos fatos. E cobrar se for o caso. O meu, o seu, os nosso pulmões agradecem, caro ministro.

ATUALIZAÇÃO  - 17/09/2008**

Adendo com novas reportagens:




quinta-feira, 4 de setembro de 2008

My Iron Lung (parte 2)

E como não poderia deixar de ser, o "jeitinho" brasileiro prevaleceu mais uma vez.

Se você não está a par do assunto, acesse a postagem: My Iron Lung (ou nota sobre o coquetel do diesel com o enxofre).

Nosso nobre e ainda indecifrável Ministro do Meio Ambiente cedeu à pressão do interesse da indústria automobilística (entre outros - vide a "ambientalmente correta" Petrobrás) adiando de 2009 para 2012 o uso do diesel com menos partículas de enxofre (mais limpo) pela frota nacional de carros, ônibus e caminhões.
Trocando em miúdos, o acordo que o ministro classificou como "supimba" estende em três anos o prazo para adaptação da frota, condicionando a dilação à adoção de um padrão de mistura enxofre/diesel mais rigoroso.

Veja a reportagem completa sobre o assunto aqui: "Minc sede à pressão e muda prazo para redução de poluente."

Basicamente, podemos dividir em três grandes padrões de mistura enxofre/diesel os combustíveis comercializados:

S-500 (500 partes de enxofre por milhão) - adotado atualmente no Brasil, na África, e na esmagadora maioria dos países subdesenvolvidos; enfim, é o "combustível de pobre", mais insalubre e mais poluidor;

S-50 (50 partes de enxofre por milhão) - adotado atualmente na maior parte da Europa, e como podemos notar, 10 vezes mais limpo que a fumaça preta que respiramos atualmente em terras tupiniquins;

S-10 (10 partes de enxofre por milhão) - adotado nos EUA, no Canadá, e em alguns países europeus, é o "diesel de rico", pouco poluente; padrão esse que é a meta a ser adotada por toda a União Européia em 2012.

Qual é o lance do Ministro? Passar por cima da resolução 315 do CONAMA editada em 2002 (para ser cumprida a partir desse ano; observem, foram sete anos de prazo para adaptação!) que determinava o padrão S-50, dilatar o prazo em três anos, e chegar junto com a União Européia para adotar o padrão do diesel "extra-fino" em 2012.
Bom, no papel ou na cabeça do ministro é tudo muito bonito. Agora fica a questão daquele velho ditado do século passado: será que ele combinou com os russos?
Além disso, um acordo desses é mais um belo tapa na cara do cidadão brasileiro que comprova a velha idéia de que esse país não consegue se levar a sério, em especial no que se refere à política ambiental.

Mas enfim, um dia a gente chega lá, e isso aqui vira assunto de editorial do William Bonner.

domingo, 24 de agosto de 2008

6.000 toneladas

Lá vai mais uma postagem de utilidade pública. Dessas que obviamente não aparecem no Jornal Nacional. Mas como sempre, "Empty Spaces News Corp." junto com sua amiguinha Folha de S. Paulo estavam a postos e não deixaram passar.

Brasil importa agrotóxico vetado no exterior

Até julho, país importou mais de 6.000 toneladas de substâncias que foram proibidas nos próprios países onde são produzidas

Segundo a OMS, esses produtos podem causar problemas no sistema nervoso, câncer e danos ao sistema reprodutivo

ANGELA PINHO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Enquanto a Justiça proíbe a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) de fazer a avaliação toxicológica de agrotóxicos comercializados no país, o Brasil já importou, até julho deste ano, mais de 6.000 toneladas de substâncias que foram vetadas pelos próprios países que as produzem.
Essas substâncias são usadas para fabricar cerca de cem agrotóxicos utilizados em culturas de frutas, feijão, grãos, batata e café, entre outros.
Entre os possíveis efeitos decorrentes da ingestão dessas substâncias, apontados pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e pelas agências da União Européia e dos Estados Unidos, estão problemas no sistema nervoso, câncer e danos ao sistema reprodutivo.
Os mais afetados são os trabalhadores da agricultura, que manipulam diretamente os produtos. Especialistas afirmam que há também risco para o consumidor dos produtos agrícolas. No entanto, ressalvam que, muitas vezes, é difícil estabelecer um nexo causal entre a substância e a doença.
Nos últimos anos, a evolução dos estudos levou outros países, principalmente da União Européia, a proibir determinados componentes dos agrotóxicos. Por causa do cerco internacional, a Anvisa decidiu reavaliar neste ano o registro de nove deles, que fazem parte da composição de 99 agrotóxicos.
Em agosto, o processo foi suspenso por uma decisão liminar do juiz Waldemar Claudio de Carvalho, da 13ª Vara da Justiça Federal no Distrito Federal, em favor do Sindag (sindicato das indústrias de defensivos agrícolas).
A entidade argumenta que o procedimento adotado pela Anvisa não dava aos fabricantes direito a ampla defesa.
José Roberto da Ros, vice-presidente-executivo do Sindag, afirma que alguns países podem cancelar o registro de algumas substâncias por terem encontrado um similar mais barato, e não por questões toxicológicas (leia nesta página).

A íntegra da reportagem pode ser lida aqui.

fonte: Folha de São Paulo; notícia publicada em 23/08/2008.

Modo "complexo de vira-lata" ativado, como sempre. Pense bem, converse muito com o seu amigo tomate na seção de hortifruti do mercado preferido, relaxe, e goze.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

My Iron Lung (ou nota sobre o coquetel do diesel com o enxofre)

Estão vendendo carro que nem água. Qualquer um que tenha enfrentado o trânsito das grandes metrópoles em dias recentes sabe do que eu estou falando. É visível. Em São Paulo já é um problema relativamente antigo, agora até aqui em Campinas as "veias" urbanas já estão "entupindo" em momentos de pico. Sem falar que em horários normais o trânsito já anda congestionado. Não tem definição melhor: o gigantesco "rebanho" de automóveis circulando são o verdadeiro "colesterol" das nossas cidades.
Eu nem vou perder tempo falando da necessidade de mudança do paradigma do modelo de transporte urbano no Brasil porque todo mundo já está careca de saber. Só sei que vou abrir um sorriso ironicamente maroto a la Jack Nicholson quando as nossas metrópoles "enfartarem" de vez.

O motivo da postagem é mais específico. Refere-se ao naco desse "rebanho" que é movido a diesel. Isso não passa no Jornal Nacional mas é um assunto de especial interesse público: o teor de enxofre existente no combustível diesel comercializado no Brasil.
Você não está a par? Então dê uma lida nesse abaixo-assinado promovido por várias entidades sérias cobrando uma atitude do governo pelo cumprimento das normas ambientais e pela mínima preservação da saúde dos nossos maltratados pulmões.

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Considerando que a saúde é um direito protegido pela Constituição Federal;

Considerando que o óleo Diesel comercializado no Brasil contém alto índice de enxofre (de 500 a 2000 partes por milhão de enxofre);

Considerando que a queima do enxofre pelos veículos movidos a Diesel causa a emissão de material particulado fino na atmosfera, poluente é responsável por milhares casos de doenças e mortes de origem cardiorrespiratória anualmente, conforme estudos científicos divulgados pelo Laboratório de Poluição da Universidade de São Paulo;

Considerando que desde o ano de 2002 encontra-se em vigor a Resolução CONAMA n. 315, que estabeleceu o prazo de sete anos para a implementação integral da fase P6 do PROCONVE;

Considerando que esse prazo se encerra no dia 1º de janeiro de 2009, data a partir da qual os novos veículos deverão estar adaptados para a utilização de óleo Diesel com até 50 partes por milhão de enxofre (Diesel S50) e os postos de combustíveis deverão oferecê-los a todos os usuários;

Considerando que a Agência Nacional de Petróleo editou em 17 de outubro de 2007 a resolução ANP n. 32/2007, de forma lacunosa e evidentemente a destempo;

Considerando que a fase P6 do PROCONVE nada mais é do que uma adaptação brasileira da fase EURO-4 da União Européia e que, por tal motivo, sempre foi possível às montadoras conhecer plenamente qual seria o teor da Resolução ANP n. 32/2007;

Considerando que a ANFAVEA - Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores tem afirmado que as indústrias teriam ainda três anos para desenvolver os motores, contados da edição da Resolução ANP n. 32/2007;

Considerando que os fabricantes de veículos automotores tinham, desde 1º de janeiro de 2006, os instrumentos legais adequados para exigir das refinarias e distribuidoras de petróleo o Diesel S50, para realização de testes e que a não utilização de tais instrumentos constituiu ato de vontade unilateral destes fabricantes;

Considerando, enfim, que a defesa do direito humano da população à saúde e à vida não está condicionada à edição de uma tardia e lacunosa resolução da ANP;

As organizações, empresas e pessoas que subscrevem, afirmam:

1 - A mora da ANP em editar a Resolução n. 32/2007 não exime as montadoras e distribuidoras de cumprir as condições e os prazos fixados a Resolução n 315 do CONAMA.

2 - As montadoras de veículos automotores estão obrigadas a adaptar seus veículos para a utilização do diesel S50 a partir de 1º de janeiro de 2009.

3 - As refinarias de petróleo estão obrigadas a fabricar o diesel S50 para comercialização plena a partir de 1º de janeiro de 2009.

4 - As distribuidoras de petróleo estão obrigadas a fornecer em todos os postos de combustível o diesel S50 a partir de 1º de janeiro de 2009.

5 - A população brasileira tem direito a respirar um ar mais puro, com menor nível de material particulado fino, a partir de 1º de janeiro de 2009.

6 - A frustração do prazo fixado pela Resolução CONAMA 315/2002 em decorrência da mora de qualquer das partes envolvidas no processo de sua implementação poderá ensejar sua responsabilização civil, penal e administrativa pelos órgãos competentes, tanto sob a perspectiva dos direitos individuais das vítimas, do direito das entidades integrantes do SUS pelas despesas públicas com a promoção da saúde de tais vítimas e, afinal, do direito difuso ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, pelas doenças e mortes de origem cardiorrespiratória que poderiam ter sido evitadas e que não o foram em razão da não redução do material particulado fino na atmosfera nos níveis aguardados com o cumprimento integral da norma ambiental aplicável.

São Paulo, agosto de 2008

Movimento Nossa São Paulo
Instituto Akatu
Greenpeace
Fórum Paulista de Mudanças Climáticas Globais e de Biodiversidade
SOS Mata Atlântica
Instituto Brasileiro de Advocacia Pública (IBAP)
Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC)
Amigos da Terra – Amazônia Brasileira
Associação dos Professores de Direito Ambiental do Brasil – APRODAB
Instituto O Direito por um Planeta Verde
Associação Brasileira do Ministério Público do Meio Ambiente - ABRAMPA

fonte: Movimento Nossa São Paulo.

terça-feira, 29 de julho de 2008

da importância geopolítica da vaca (ou coisa parecida)

Nós não costumamos dar muita bola pra esse bovino, mas é notável a importância dele pro equilíbrio do nosso meio ambiente em escala mundial. Eu particularmente gosto de vacas, daquele olhar blasè e desinteressado de quem parece que mesmo inconscientemente (ou não) sabe da sua importância para nós humanos. Ruminando capim e abanando as charmosas orelhas, elas sempre despejam um belo "fuck off" quando buscamos um "diálogo" mais profundo. Eu volta e meia, quando posso, parto pra um bate-papo (até registrei aqui: She Came in Through the Bathroom Window).
A macacada ponta-de-lança lá da gringolândia está se dando conta do "cow power", olha só:

EUA querem atender 3% do consumo energético do país com cocô de vaca

Um grupo de americanos quer usar uma fonte de energia diferente para lutar contra o aquecimento global no país: cocô de vaca. É, você leu direito e não, não é brincadeira. Cientistas querem usar os dejetos do gado para levar eletricidade para até 3% de toda a América do Norte.

A tecnologia não é nova. O uso do estrume para geração de energia é comum em pequeníssima escala. Já é usado aqui no Brasil em comunidades rurais mais isoladas, onde a rede de energia elétrica não alcança. A novidade é que os pesquisadores americanos acreditam que essa técnica pode servir para energizar milhões de lares americanos.

O estrume gera dois gases com grande potencial energético: o óxido nitroso e o metano. O interessante é que esses dois gases também são poderosos vilões do aquecimento global. O óxido nitroso é 310 vezes mais poderoso que o dióxido de carbono; o metano, 21 vezes mais.

A equipe da Universidade do Texas comparou duas alternativas. A primeira era a continuação de tudo como está hoje: o estrume sendo deixado para se decompor naturalmente e a energia sendo obtida principalmente da queima de carvão. A segunda era uma nova alternativa: o uso do estrume para a geração de biogás e energia.

Segundo as contas dos cientistas, 100 bilhões de quilowatts/hora poderiam ser gerados com o número atual de gado que os Estados Unidos possuem. O bônus? Tirar de circulação o metano e o óxido nitroso e reduzir em 4% a emissão de gases do efeito estufa do país.

“A eletricidade gerada seria usada mais em áreas rurais, não em cidades”, explicou ao G1 o autor do estudo, Michael Webber. “A melhor maneira de expandir essa tecnologia é incentivar grandes fazendas a lidar com o estrume de maneira a ser convertido em biogás”, explica.

De acordo com Webber, a geração de energia dessa forma pode até resultar em uma nova fonte de renda para os pecuaristas. “Eles podem vender o biogás ou a eletricidade gerada”, diz ele. E economizar o dinheiro gasto para se livrar do estrume.

Os resultados foram apresentados nesta semana na revista especializada “Environmental Research Letters”. (Fonte: Marília Juste/ G1)

fonte: Ambiente Brasil

Só no Brasil são mais de 140 milhões de cabeças de gado pastando sertão afora. Já imaginaram o potencial energético disso? Só falta um pouco de vontade política pros macacos locais.

ADENDO: UM ALERTA

"O estrume gera dois gases com grande potencial energético: o óxido nitroso e o metano." (...) "O óxido nitroso é 310 vezes mais poderoso que o dióxido de carbono; o metano, 21 vezes mais."

Isto é, com uma ação coordenada de flatulência global, as vacas podem eliminar a espécie humana do planeta. E você ainda duvida da supremacia bovina? Cuidado.

domingo, 8 de junho de 2008

green days

Bom, essa semana que passou foi a convencionada "Semana do Meio Ambiente". Aqueles dias que a nossa hipocrisia reserva para visitarmos nossa consciência política. Eu, como tenho especial interesse pelo tema, passeio com maior intensidade e freqüência por ali, mas não é todo mundo que tem essa iniciativa. Nesse sentido, reservar alguns dias pra um mea culpa tem a sua valia.
Ver o assunto pipocar pela TV, Internet, algumas rodas de conversa é algo alentador. De qualquer maneira, é um momento excepcional. Pra 98% da população, discutir e se interar politicamente sobre as condicionantes do próprio meio em que se vive ainda é coisa pra gente chata, assexuada, e que se acha mais séria e esclarecida que o resto da humanidade.
Pois bem, vou ajudar com a minha contribuição pra um pouco mais de chatice:

1) Bem interessante essa iniciativa, uma espécie de banco de dados com informações sobre a cadeia de processo de desenvolvimento de produtos e serviços de uma forma geral. Desde pneus pra carro até aquele pedaço de alcatra que você compra no mercado, tudo relatado e catalogado para que o consumidor tome maior ciência do que anda adquirindo:

http://www.catalogosustentavel.com.br

Nota: o site parece que está ainda num estágio meio "beta", com informações incompletas e muito confuso. Mas só pela iniciativa eu já tiro o chapéu pro pessoal da Fundação Getúlio Vargas. Conforme eles forem aperfeiçoando o catálogo teremos uma arma violentíssima pra melhorar nossas relações de consumo.

2) E pra quem tiver interesse em conversar um pouco mais sobre essas coisas escrotas onde se fala muito sobre florestas, plantas, animais, águas, combustíveis, poluição, e acima de tudo pessoas, agregue-se aos Curupiras, participando da nossa proto-associação, ou apenas dando uma espiada:

http://procurupira.blogspot.com

E opine sobre uma discussão bem atual e interessante que jogamos na roda ("jabá" particular):

"Scuppie" e o consumo consciente

Aviso: não, nós não somos uma ong de contadores de histórias do folclore brasileiro, somos sim um pequeno bando de primatas vivos que está olhando com especial atenção para a viabilidade do próprio umbigo, e o do próximo também.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Influenza rocks!

("I live my life in the body.. there´s no easy way out..")

Eu diria que poucas coisas no mundo podem ser classificadas como "fodonas". Uma delas é o vírus da gripe, o famigerado Influenza. Eu tiro o chapéu pra esse ser microscópico. Conseguiu me deixar totalmente inerte e imprestável por 5 dias. Não é exagero dizer que sofrer os sintomas da gripe clássica é pior do que sobreviver ao abraço de uma jibóia.

Fazia muito tempo que eu não tinha uma recaída dessas. Desse naipe, acho que desde a minha adolescência. Dores pelo corpo, febre full time, e noites de completo e chapante estado comfortably numb. Era inevitável lembrar da clássica música do Pink Floyd enquanto gemia na cama. Assim como a música sugere que uma boa crise de febre se assemelha muito com uma overdose de drogas, é notável como a citação lírica é pertinente. A febre nos deixa em um estado de êxtase com sinal inverso. Ela produz uma leve e tênue sensação de prazer em meio a uma avalanche de dores e sensações negativas, e assim consegue nos imobilizar. Não tem como não se sentir um verdadeiro zumbi. Imagino que deva ser algo muito semelhante com o efeito do veneno de um animal peçonhento.

Talvez eu tenha reparado no óbvio, e imagino que 99,9% das pessoas já tenham se contaminado com uma gripe mais hardcore pelo menos uma vez na vida. Mas só dessa vez comecei a pensar nisso, nesse poder de subjulgamento que um "cotoco" de vida microscópio possui. E comecei a imaginar também as possibilidades futuras de atuação da "fluflu" no nosso cada vez mais desequilibrado meio-ambiente. Com certeza ela é uma das armas que o planeta irá utilizar vez ou outra pra reestabelecer a "ordem" na casa. Sem falar nos outros "armamentos".

Eu não tinha a intenção de escrever sobre esse assunto aqui, mas a querida Influenza subiu na minha cotação depois do nocaute desse final-de-semana. Àtila -o huno-, Alexandre -o outro, aquele que chamam de "grande"-, Gengis Khan, Adolf Hitler, Stálin, Darth Vader, Chuck Norris.. podemos encontrar alguns seres humanos (ou não) que poderíamos classificar de "fodões" (para o bem ou para o mal). Mas nenhum deles conseguiu (ou consegue) deixar milhões de pessoas ao redor do globo ano a ano totalmente grogues, "anestesiadas", e tomadas por uma horrível sensação de impotência. Isso só a "fluflu" consegue.

Pra ser "fodão" não basta ser um, é preciso ser vários ao mesmo tempo, e com estilo.

img: http://www.fiocruz.br/

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

as filhas da mãe

Eu fiz um cálculo rápido (por baixo). Em qualquer saída despretensiosa que eu fazia pela rua, com intuito de gastar dinheiro (ou não), eu voltava pra casa em média com duas sacolas plásticas na mão (isso sem contar as eventuais idas ao supermercado - quase diárias hoje em dia pra qualquer ser humano urbano normal - onde poderíamos facilmente triplicar esse número). Bom, jogando essa média pro lapso temporal de uma semana, cheguei a 10 "mocinhas". No mês, 40 sacolas plásticas enfiadas embaixo da pia da cozinha. Fiquei assustado com o resultado.

Não vejo isso como questão de bom mocismo, ser politicamente correto, ou qualquer tagarelice do tipo. Pra mim é bom senso. A medida que vou me interessando e estudando cada vez mais as ditas questões ambientais, fico mais convencido disso (já falei sobre: aqui).

(chegando do mercado: antes era assim..)

Confesso que achei que fosse ser mais fácil, mas mudar um simples costume do dia-dia requer disciplina (em doses cavalares) e uma boa memória. Pra trocar esses pequenos estorvos derivados do petróleo por uma singela sacola de pano é preciso antes de tudo lembrar que a última existe. Bom, tratei de providenciar que ela ficasse num lugar bem visível, ou seja, perto da porta de saída do apê. Mesmo assim, depois de dois meses, volta e meia esqueço de levar a "rapariga" verde comigo no supermercado.


De qualquer maneira, já estou me acostumando, e sentindo a diferença. A quantidade de sacolas plásticas estocadas diminuiu drasticamente (apesar da reserva ainda gigantesca; meu primo - antigo morador do "cafofo" - caprichou no trabalho de estocagem) e as caixas do mercado já não me olham com aquela cara de espanto quando solto um: "não precisa de sacolas não, eu tenho a minha aqui..".


(agora é assim..)

É lógico que não dá pra abolir totalmente o uso das sacolas plásticas, até porque surge um outro problema: onde guardar o lixo. Questão que dá mais "pano pra manga", e uma bela postagem à parte. Mas enfim, já é um começo no intuito de mudar os costumes e a nossa mentalidade consumidora "plástica" contemporânea.


Pra descolar sacolas de pano "engajadas"*:

- Pão de Açucar (boa parte das lojas da rede vendem as ditas cujas, em parceria com a SOS Mata Atlântica - foi num dos mercados deles que eu comprei a minha);

- a ong Instituto Socioambiental vende uma "ecobag", dá pra comprar no site: aqui (o problema é o preço, bem salgadinho).

* parte do dinheiro obtido com a venda das sacolas é repassado às respectivas ongs.

Só pra constar, uma iniciativa muito boa da prefeitura de São Paulo: campanha "eu não sou de plástico".

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

A/C: irmandade dos viciados em cafeína (um alerta)

Hoje à tarde, enquanto lia notícias na internet e tomava uma xícara de café, deparei-me com isso:

Aquecimento global pode reduzir produção de café em 92% até o fim do século, aponta estudo

Se nenhuma ação for realizada para diminuir os efeitos do aquecimento global sobre a agricultura, a produção de café no Brasil pode ter queda de 92% até o ano de 2100. A informação é de um estudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) que também calcula a possibilidade de queda de R$ 370 milhões em exportações nos próximos 13 anos.

De acordo com o estudo, as plantações de café, soja e feijão são as mais impactadas pela elevação da temperatura. A estimativa para a produção do café é de queda de 30 milhões para 2,4 milhões de sacas até o fim do século, caso não haja diminuição dos danos causados pelas alterações climáticas.

Apesar da probabilidade de queda na produção, o pesquisador Eduardo Assad, da Embrapa, disse acreditar que com o desenvolvimento de práticas agrícolas eficazes e ações da ciência, o quadro pode ser mais otimista.

“A boa notícia é que os pesquisadores não estão de braços cruzados. O Brasil é muito competente no uso de tecnologia em agricultura. Se acharmos que está tudo bem com o atual cenário, aí sim perderemos produção”, afirmou.

Entre as ações necessárias para evitar a escassez do café, Assad incluiu a utilização de novos fertilizantes e o desenvolvimento de espécies resistentes a temperaturas mais altas. Mesmo diante da perspectiva de diminuição das plantações, o pesquisador descartou a possibilidade de falta de café.

“Não vai faltar de jeito nenhum. Esse trabalho [pesquisa] tem a grande vantagem de se antecipar aos problemas. Nós não estamos apagando incêndios, mas nos precavendo”, garantiu.

O pesquisador da Embrapa ressaltou que, além dos aspectos econômicos, as plantações de café são importantes para combater a poluição atmosférica. Segundo ele, a planta tem a propriedade de catalisar partículas de dióxido de carbono (CO2), substância nociva ao meio ambiente.

“O café é uma planta que tem balanço positivo em termos de retenção de carbono. Ele ajuda, portanto, a limpar a atmosfera. Estamos intensificando as pesquisas para saber a proporção dessa limpeza”, afirmou.
(Hugo Costa / Agência Brasil)

fonte: Ambiente Brasil (12/11/2007)

Um chamado aos meus nobres companheiros de vício. Mesmo que você seja um cabeça dura que não está nem aí para o que anda acontecendo socioambientalmente com o planeta, ajude ao menos a divulgar essa notícia. Até as coisas ficarem realmente complicadas, você provavelmente já terá se tornado uma caveira sete palmos abaixo da terra, mas pense no bem-estar do seu futuro filho viciado em cafeína. Acima de tudo, salvemos a pobre cafeína da extinção!

sexta-feira, 23 de março de 2007

água

(Rio Pinheiros-SP, por Henrique)
Ontem (agora pouco; estou escrevendo nas primeira horas do dia), dia 22 de março, foi o Dia Mundial da Água. Bom, eu já estava a par com as notícias, mas a ficha realmente caiu ontem de manhã, quando fui tomar banho e descobri que a válvula dinossáurica da privada do meu banheiro estava (está) com problema.
Bom, válvula de privada com problema tem um resultado certo: desperdício de água. Aí eu lembrei de um aviso no "hall" de entrada do meu prédio clamando os condônimos pra que verificassem os aparelhos hidráulicos dos seus apartamentos pois a conta de água do prédio estava fora de controle.
Eu entrei no chuveiro e fiquei olhando pra minha privada (no meu banheiro de kitnet eu tenho essa visão privilegiada), e confabulando sobre toda essa questão da importância do tratamento e da conservação da água nos dias atuais.
Não é preciso nem dizer que a água é algo vital pro ser humano por uma questão orgânica. Sem água, nós não existimos. Mas existem todas as questões subjacentes. Enquanto a humanidade ainda não era uma "praga" no planeta, essas questões não eram levantadas nem discutidas, em especial o aspecto econômico da coisa. Água sempre foi um bem abundante, mas está deixando de ser, ou seja, está ganhando cada vez mais valor econômico e virando uma "commodity".
Aí, lá debaixo do chuveiro, lembrei que o nosso país está em cima do maior complexo aquífero do planeta. E lembrei também que o petróleo é uma "commodity", e que o planeta todo se trucida por causa de petróleo. Aí minha cabeça foi longe (vocês imaginam até onde).
Terminei o banho, e dessa vez precisei usar o vaso com a função própria para qual ele foi desenvolvido. Bom, aquele cheiro característico do momento me fez lembrar da importância da água denovo, mais precisamente de um rio muito conhecido nosso (esse aí de cima na foto). E de como nós tratamos da utilização do nosso sistema de abastecimento de água, em especial aqui em São Paulo.
A coisa girou, girou, e chegou a conclusão óbvia. Aquele cheirinho que sempre circula perto dos melhores e mais úteis vasos sanitários poderia bem sair das nossas cabeças. Pois, no fundo, se analisarmos bem, e levando em conta a forma como lidamos com esse elemento ímpar da natureza, ela está realmente recheada daquilo que melhor representa a "evolução" da nossa espécie.

domingo, 4 de fevereiro de 2007

1º, 2º, 3º? façam suas apostas

Leia, abaixo, algumas das conseqüências previstas para os diferentes níveis de aumento da temperatura da Terra, conforme o Relatório Stern (documento divulgado em outubro do ano passado pelo principal economista do governo britânico, Nicholas Stern):

Elevação de 1º C na temperatura global - Encolhimento das geleiras ameaça o suprimento de água para 50 milhões de pessoas; pequeno aumento na produção de cereais nas regiões temperadas; ao menos 300 mil pessoas morrem a cada ano devido à malária, à desnutrição e a outras doenças relacionadas com as alterações climáticas; queda da taxa de mortalidade durante o inverno, nas regiões de maior latitude; morte de 80% dos recifes de coral, em especial a Grande Barreira de Corais.

Elevação de 2º C na temperatura global - Queda de 5% a 10% na produção de cereais na África tropical; 40 milhões a 60 milhões de pessoas a mais expostas à malária na África; até 10 milhões de pessoas a mais expostas a enchentes nas regiões costeiras; entre 15% e 40% das espécies de seres vivos vêem-se ameaçadas de extinção; grande risco de extinção das espécies presentes no Ártico, em especial dos ursos polares; possibilidade de que a camada de gelo da Groenlândia comece a derreter de forma irreversível, o que faria com que o nível dos oceanos se elevasse em sete metros.

Elevação de 3º C na temperatura global - No sul da Europa, períodos de seca pronunciada a cada dez anos; entre 1 bilhão e 4 bilhões de pessoas a mais enfrentando períodos de falta de água; entre 150 milhões a 550 milhões de pessoas a mais expostas à ameaça da fome; entre 1 milhão e 3 milhões de pessoas a mais morrem de desnutrição; possível início do colapso da floresta Amazônica; elevação do risco de colapso da Camada de Gelo da Antártida Ocidental; elevação do risco de colapso do sistema de circulação de águas quentes pelo Atlântico; elevação do risco de mudanças abruptas no mecanismo das monções.

Elevação de 4º C na temperatura global - Safras de produtos agrícolas diminuem entre 15% e 35% na África; até 80 milhões de pessoas a mais expostas à malária na África; desaparecimento de cerca de metade da vegetação de tundra no Ártico.

Elevação de 5º C na temperatura global - Provável desaparecimento de grandes geleiras no Himalaia, prejudicando um quarto da população da China e uma grande parte dos moradores da Índia; crescente intensificação da atividade oceânica, prejudicando seriamente os ecossistemas marinhos e, provavelmente, as populações de peixes; elevação do nível dos oceanos ameaça as pequenas ilhas, as áreas costeiras como o Estado da Flórida e grandes cidades como Nova York, Londres e Tóquio. (Estadão Online)
Bom, estão dizendo que esse Painel Intergovernamental para a Mudança Climática (IPCC) realizado esse ano é o mais completo e elaborado "panorama científico" já produzido sobre alterações climáticas. Por volta de 2.000 cientistas reunidos chegando a um denominador comum, realmente é um marco.
Eu torço mesmo é pra que isso tenha o mesmo alcance que reuniões como a ECO 92 tiveram. No sentido de dirigir rumos políticos pra que a coisa realmente se transforme. É esperar para ver.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

o ambientalmente correto

"O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) deve anunciar nesta sexta-feira que as alterações no clima do mundo são “muito provavelmente” causadas pela ação humana."
Essa é uma das principais manchetes da BBC nessa quinta-feira. Eu olho, leio, e não consigo segurar uma discreta gargalhada. Já se vão mais de 30 anos que cientistas, ambientalistas, "porra-loucas", e "anti-porra loucas" discutem esse assunto e chegaram a um consenso (já faz algum tempo) de que isso não é probabilidade, é certeza.
Mas só agora, as "grandes cabeças" da política mundial, os ditos "homens sérios", estão achando que é "muito provável" que a humanidade tem algo a ver com isso (vide os recentes discursos da nata da politicagem mundial -Tony Blair à frente, agora acompanhado até do Bush-). Aliás, é cômico ver o Bush "puxando o saco" do nosso etanol depois das merdas que ele (e o resto do clã) fez (e fizeram) no oriente-médio buscando petróleo.
Bom, parece que a inteligência está chegando ao olho do furacão, antes tarde do que nunca. Aliás, eu não acredito nessa palavrinha escrota chamada "ambientalmente correto", eu acredito num negócio chamado bom senso. Hoje em dia, ser "ambientalista" é ser uma pessoa com um mínimo de cérebro e com respeito a si próprio, e a própria sobrevivência. Nada mais. Provavelmente eu deva ser um.

segunda-feira, 30 de outubro de 2006

apenas um "eco-texto-chatinho"..

Achei muito legal e interessante esse texto publicado na Folha de SP desse domingo passado, falando sobre a questão da transgenia no meio ambiente. Com a devida vênia, vou deixar publicado aqui. Não só por ser muito bem ponderado, como pelo fato de bater muito com o ponto de vista que eu tenho sobre a questão:
Orgânicos X Transgênicos: A gente não quer só comida
JOSÉ AUGUSTO PÁDUA ESPECIAL PARA A FOLHA

A ciência descobre, a tecnologia executa, o homem obedece." As palavras escritas no portal da Feira Mundial de Chicago, em 1933, sintetizam a postura submissa que ainda caracteriza a relação de importantes setores da opinião pública contemporânea com as inovações tecnológicas.
No vazio das antigas certezas religiosas, a ciência tornou-se para muitos a única fonte confiável de verdade. É irônico observar, porém, que o próprio movimento da modernidade global age no sentido de dissolver a aura de devoção construída em torno do complexo ciência & tecnologia.
O número cada vez maior de pessoas escolarizadas, a velocidade e a intensidade dos meios de comunicação, o estabelecimento de múltiplos espaços para o confronto de opiniões vêm contribuindo para gerar sociedades que discutem cada vez mais seu presente e futuro.
O que está sendo discutido, na verdade, não são os limites da ciência, mas sim o alcance da democracia na alta modernidade. Nesse sentido, a surpreendentemente forte reação de diversos atores sociais aos alimentos transgênicos, especialmente dos consumidores europeus, representa um caso paradigmático.
A pressão democrática para que a produção de organismos geneticamente modificados seja debatida de forma intensa e transparente, com uma moratória no seu uso, contribui para dar visibilidade aos condicionantes econômicos que controlam grande parte da atual pesquisa técnico-científica.
E serve também para expor o uso da ideologia da pureza do progresso científico como instrumento para justificar decisões empresariais fundadas em objetivos bem menos etéreos, tais como o aumento dos lucros e o controle dos mercados.
Princípio de precaução.
Não se trata de coibir a pesquisa acadêmica. O esforço de politização das novas tecnologias, com exceção de algumas poucas vozes especialmente radicais, não passa pela defesa de uma censura da investigação teórica ou experimental.
O problema está na difusão social precoce, por motivos calcados essencialmente na busca por poder econômico, de técnicas perigosas que ainda estão sob intenso debate científico. Ou seja, uma clara violação empresarial do chamado "princípio da precaução", que estabelece, diante da incerteza, que não se devem adotar atividades ou técnicas cujas conseqüências, se negativas, podem ser irreversíveis ou além da nossa capacidade de controle.
Os organismos geneticamente modificados, na medida em que são seres vivos, podem mesclar-se com outros organismos e penetrar nas cadeias ecológicas planetárias, reproduzindo-se de forma descontrolada. É tolice, pois, associar os transgênicos à modernidade e os orgânicos ao arcaísmo.
No setor da produção orgânica, por exemplo, que está crescendo como uma alternativa ao modelo transgênico, existe hoje um grande investimento científico. Não se trata de aceitar passivamente os movimentos da natureza, mas sim de buscar ativamente, por meio de um conhecimento ecológico fino e sofisticado, formas de potencializar a produtividade e a capacidade de sustentação das lavouras.
Mas seria ingênuo supor que a polarização entre transgênicos e orgânicos esteja fundada em uma disputa apenas técnico-científica. Trata-se, mais do que tudo, de uma questão de poder. A agroecologia, por suas características concretas, não facilita a concentração de poder assim como não favorece o estabelecimento de monopólios, patentes e pacotes tecnológicos.
A gestão ecológica da agricultura requer desenhos locais, que dialoguem com as condições específicas de cada domínio do território. Seus insumos, além disso, são renováveis e recicláveis.
No núcleo da pressão pelos transgênicos se encontra a fome de poder de um número restrito de enormes conglomerados empresariais, que, no limite, buscam usar as novas tecnologias para dominar a oferta de sementes e reduzir a autonomia dos agricultores e, por extensão, das sociedades.
É assustador imaginar um futuro em que algo tão vital como as sementes -assim como as fontes da alimentação em geral- estejam nas mãos de pouquíssimas corporações.
O consumidor, ao optar pelo que comer e por qual modelo favorecer, pode estar fazendo política no mais alto grau.


JOSÉ AUGUSTO PÁDUA é professor do departamento de história da Universidade Federal do RJ e autor de "Um Sopro de Destruição".

fonte: FSP (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs2910200612.htm)

segunda-feira, 2 de outubro de 2006

mother nature´s son (4)

Hoje eu estava lendo no site Ambiente Brasil: "(...) cientistas lançam um alerta: a temperatura média do nosso planeta em 2006 pode bater um recorde que já dura um milhão de anos." Bom, pra quebrar um recorde de 1 milhão de anos tem que haver muita força de vontade, ou falta dela. É uma proeza pra humanidade.
Olhando assim de uma forma distante, parece coisa de "ecochato", mas é algo que já afeta diretamente o nosso dia-dia. Como comentei em outras postagens, essas mudanças climáticas abruptas que tem ocorrido ultimamente andam acabando com a saúde das pessoas, pelo menos com a minha.
Se não acaba com a saúde, causa uma esquizofrenia no guarda-roupas. Hoje, por exemplo, saí de casa para trabalhar com uma jaqueta pra lá de pesada e fui embora no final da tarde pra casa morrendo de calor e carregando aquele trambolho nas mãos.
Eu não sei se é uma particularidade do clima aqui na capital paulista, mas enche um pouco o saco. Enfim, já tenho a nítida sensação de que esse tópico será um tema recordista desse blog.