Fazia tempo que não rolava um "momento ombudsman" por aqui. Já estava na hora.
Esses dias estava revendo algumas postagens antigas. Volta e meia tenho dessas. Apreciando vários textos do começo do blog. Pra alguns rola aquela sensação de "nossa, mas foi eu quem escreveu isso?" (com o peito estufado de orgulho), já pra outros fica a impressão de leveza no sentido de que "eu uma vez já fui criança e cresci" (dá até uma certa vergonha alheia de si mesmo).
Junto com esses momentos nostálgicos, aparecem certos "questionamentos existenciais" relativos ao blog: afinal, pra que serve isso? será que realmente acrescenta algo? vale a pena? não estou perdendo um precioso tempo? E por aí vai. Mas passa rápido.
Aliás, a atividade de "blogueiro" já me fez sentar e pensar seriamente na possibilidade de seguir profissionalmente no ramo do jornalismo. Até porque existem vários seres do ramo jurídico que seguiram por essa rota e se deram bem. E eu gosto da brincadeira. Por outro lado, sinto que falta algo pra que eu realmente possa me ver como jornalista: escrever como ofício, será que funciona pra uma mente as vezes demasiadamente preguiçosa pro necessário e famoso "faro" jornalístico? Sem falar em outros empecilhos que surgem no meio do caminho.
Voltando ao que interessa, essas "escavações" no blog permitem também uma visualização das direções que o dito toma com o passar do tempo. Como os textos e o modo de escrever vão mudando ao sabor das circunstâncias. E já lá se vão mais de dois anos. Notei por exemplo como as postagens por aqui no começo era bem mais pessoais e ao mesmo tempo pretensiosas (será que é porque eu estava sozinho e queria que todos olhassem para mim?). Depois passando pra algo mais objetivo e menos megalomaníaco (será que foi porque eu arranjei companhia e descobri que existia vida além das minhas idiossincrasias?).
E o público? Quando inaugurei isso aqui a audiência se resumia a uma meia dúzia de fiéis e misericordiosos amigos próximos. Hoje em dia tem gente "googlando" meu blog no outro lado do mundo, e até minha mãe virou leitora dos meus arroubos indulgentes. (!)
Estou criando um monstro? É inevitável que essa seja sempre a última pergunta quando paro pra pensar sobre isso. Até agora tenho respondido com um inevitável sorriso no rosto. Mas quem sabe o que o futuro nos reserva.