terça-feira, 14 de dezembro de 2004

pequenos grandes momentos do meu cotidiano entediante..

Estava eu passeando pelo Extra (hipermercado) ontem à noite, dando uma geral, quando resolvi entrar na sessão de Cds (meu ponto fraco). Reparo num "estande" de promoções por R$9,90 (coisa de pão-duro..hehe). Aproximo-me e visualizo uma miragem.. ou melhor, isto aqui:





(John Lennon - Imagine, o álbum)

Dei uma olhada geral em volta pra ver se outros interessados também o haviam localizado. No fundo, na minha frente, uma gordinha me fita nos olhos por alguns segundos.. e vai em direção ao CD. Eu não perdi tempo, saí na direção oposta, em alta velocidade. Ela também aumentou a velocidade... pensei: "não pode ser.. ela não tem cara de fã dos Beatles.."

Por sorte minha, ela parou duas "fileiras" antes e sacou um CD do Wando. Fiquei aliviado. Catei o dito cujo aí de cima (único exemplar) e parti pro caixa, mas no caminho fui refletindo: Alguma coisa está fora do lugar.. ou as lojas de varejo realmente pegaram pesado na queima de estoque ou as grandes pérolas da música pop estão perdendo o seu valor e sendo renegadas. Enfim, o descuido com a memória musical é maior do que eu imaginava.

Eu me recuso a aceitar que o melhor álbum solo de um ex-beatle e um dos clássicos da música pop tenha o mesmo valor que um sanduíche "Big Mac" do McDonalds. Isso não entra na minha cabeça. De duas uma: ou o sanduíche tá sobrevalorizado ou o CD tá hiperdesvalorizado.

Não tô fazendo apologia nem defendo CD caro. Porém, não vejo aí nenhuma política de preços baixos, mas sim um definhamento da boa memória musical.

sábado, 11 de dezembro de 2004

"jus postulandi"

Finalmente.. desde o final da tarde desta sexta-feira passada eu sou oficialmente advogado.
Poxa, durante a cerimônia estava refletindo. Relembrando de mim mesmo no começo de 1999: "Será que lá em 2003, 2004 eu serei um advogado? Será que vou conseguir? Já pensou?".... e hoje estou aqui. Formado, com o poder constitucional de postular em juízo. Enfim, aquilo que a própria Carta Magna denomina como um agente essencial à administração da Justiça.
Agora estou num ponto de encruzilhada, e com outros desafios. O que farei da vida?.. Vou atrás dos escritórios e tento começar do zero, trabalhando como um "escragiário" de luxo? (esses dias estava passeando pela comunidade da OAB na orkut e tem advogado com especialização e com 6 anos de experiência procurando trabalho!.. desanima..) ..ou parto de vez para os concursos mais "pesados", descolando um emprego temporário pra sobreviver (e ajudar em casa) esperando pelo belo dia que poderei me tornar um agente público e gozar de um mínimo de estabilidade profissional?
São as variáveis... mas a verdade é que não tenho muitas opções. Não posso deixar as oportunidades passarem, como já deixei outras vezes. Não posso me acomodar, como já fiz várias vezes. Tenho que aproveitar que estou com as cartas boas na mão e joga-las na mesa.. sem medo de perder o jogo.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2004

spotless mind..



(Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças - capa da trilha sonora)

Assisti nesse final-de-semana passado.. muito bom! Acredito que o melhor papel que o Jim Carrey já fez.. roteiro bem feito.. segundo minha mãe, "maluco".. hehe.. Resumindo, a história de um pacato cidadão que resolve apagar da sua memória um relacionamento amoroso.. pra isso contrata uma empresa especializada no assunto. O problema é que no meio do processo, o rapaz desiste da idéia (no contrato, a empresa limparia as recordações numa noite de sono) e fica preso nas próprias memórias, sem poder acordar... tentando de alguma maneira reverter o processo e vendo suas memórias sendo deletadas uma a uma..

Já imaginou? que situação angustiante? Alguém apagando suas memórias e você tentando salvá-las? Não consigo imaginar tortura pior... hehehe.. (recomendo! ..já tem nas locadoras).

o arquivo morto II..

Pois é, nada como a presença física pra resolver as coisas.. hehe. É engraçado como as pessoas mudam qndo em vez de só escutar a sua voz, enxergam a sua cara.
Baixei em Itatiba ontem. Chegando na escola, as duas secretárias sentadas na escadaria de entrada.. conversando e fumando (uma delas). O expediente devia estar beeemmm agitado..hehe. Entrei, me identifiquei, disse que era o chato do telefone (não literalmente óbvio, não cheguei a ser tão irônico assim..hehe): "Então fulana, eu sei que vocês estão em final de ano, mas eu preciso com grande urgência dessa certidão.. vou prestar um concurso e se eu passar e não estiver com o diploma da facul em mãos eu não vou poder assumir o cargo.. ou seja, vou ficar no prejuízo.."; conversa vai, conversa vem.. eu:"Vou prestar o concurso do INSS.." ela: "ah é?.. eu também!.." Putz!!... era só o que me faltava.. além de torrar minha paciência, a dita vai ser minha concorrente!!!.. é mole? hehehe..
"Então Alexandre, o problema é que como você se formou em 98 o histórico está fechado no arquivo morto..." (ráios!! eu quase não me contive em perguntar o que há de tão temeroso nesse arquivo morto.. mas fiquei na minha; estava quase com a certidão em mãos, obtendo progressos, não ia ser agora que eu ia estragar as coisas.. vai que a mulher tem algum surto psicótico se eu tentasse desvendar o enigma..hehe) "..de qualquer maneira, eu vou deixar um recado pro fulano e ele vai providenciar pra amanhã, pode ser?.. ele já vê cedo pra você isso" (tinha dito que precisa sem falta até o final da semana) "ok fulana, obrigado.. amanhã eu passo aqui pra pegar então.. você vê um protocolo de requerimento pra mim?"; fui embora.
Voltei hoje. Ela cheia das gracinhas: "Tá pronto.. olha só o tamanho do recado que eu deixei pra ele.." -e dá uma risadinha irônica, mostrando uma folha com a anotação do pedido-. Eu não entendo, afinal... é obrigação dela. Esse histórico é um documento público (a escola é particular, mas a educação é um serviço público.. no caso, cedido em concessão pra eles), e ela não pode se negar a extrair a certidão nem cobrar pela dita (isso tá disposto em lei; aliás, até pensei em levar junto a dita caso a coisa esquentasse mas desisti..). Bom, pelo menos ela foi educada.. até descobri que o filho dela estudou junto comigo, na mesma época..
Enfim, ela me deu a certidão e eu fui embora tranqüilo. Mas eu fiquei refletindo.. como as pessoas são idiossincráticas. Como deixam coisas simples se tornarem um tormento que fica entulhando a nossa cabeça. Falta um mínimo de exercício de empatia, de se colocar no lugar do babaca e pensar: "Poxa, isso deve ser algo importante pra ele lá.. imagine se eu estivesse numa situação dessas?"..
Talvez seja um reflexo de algo maior, de uma indiferença coletiva.. algo que se exacerba numa sociedade que ao mesmo tempo infla seu ego e esvazia.. deixando uma grande bolha amorfa e sem sentido.. como diz uma amiga minha, "that´s it".

segunda-feira, 6 de dezembro de 2004

o arquivo morto..

É impressionante como existem certas situações, muitas vezes estupidamente simples, que são capazes de estressar a gente de uma forma violenta.
Bom, no começo da semana passada fui dar entrada na papelada para retirar o meu diploma de formado na PUC (isso pq faz quase 1 ano que me formei; já tinha a papelada toda juntada mas deixei de lado por causa da OAB e esqueci..). Seguei lá, o rapaz começa a conferir a papelada: "bom Alexandre, tá faltando aqui a cópia autenticada do histórico escolar do 2º grau.. esse que está aqui é do 1º (...) peraí que eu vou verificar lá nos arquivos.."; cinco minutos depois: "realmente, não consta nada lá.." (qndo entrei na facul, somente me exigiram o certificado de conclusão do 2ºgrau; o histórico escolar eu nem tinha recebido); "bom, você vai ter que pegar uma certidão com o pessoal do colégio.." ..e volto eu pra casa com toda a papelada.
Chego, pego a lista telefônica de Itatiba (fiz o último ano do 2º grau lá).. viro, viro, viro.. e nada de achar o número da escola. Apelo pra moçinha-robô da Telefonica. Depois de uns 5 minutos falando com uma gravação, eu consigo o número.
Ligo lá (isso terça-feira da semana passada) a moça me atende, eu me explico, e: "ah sim... mas você tem que falar com a Ana, ela é a responsável por isso.. ela tá em horário de almoço.. você pode ligar denovo na parte da tarde?". --- Ligo por volta das 4 da tarde: "Cleyton, boa tarde.." (explico a situação denovo); "Ela já foi embora, mas deixa seu nome que eu passo pra ela.." --- Ligo novamente, na quarta. Cleyton atende novamente e eu explico denovo: "Pois é.. vc se formou em 98 né?.. é que a gente tem que ver lá no arquivo morto.. mas nos entraremos em contato." --- (passa quinta, sexta.. o final-de-semana) Ligo hoje, segunda: "Gabriela, pois não?" (a mocinha da primeira ligação); explico-me mais uma vez.. "Só um minuto.." (escuto um murmurinho de vozes ao fundo no telefone) "Então Alexandre, é que a gente tem que subir lá no arquivo morto pra tirar a certidão.. você não pode ligar mais pro final da semana?".
Nem preciso dizer que eu já estava puto. Nessa altura, eu já tinha dito várias vezes que precisava dessa certidão com uma certa urgência pra poder dar entrada no diploma, sem o qual eu não tomo posse se passar no concurso que estou prestando (a prova é dia 30/01 - no sistema da extremamente ágil sacrosanta Pontíficia Universidade Católica de Campinas, um diploma fica pronto em 165 dias, ou seja, 6 meses!!!!... entrando com um requerimento de urgência, eu consigo diminuir esse prazo; mesmo assim, temo que não dê tempo).
Afinal, é tão difícil assim subir no ráio do arquivo morto e pegar o histórico?????????!!!!!... a decisão: quarta-feira eu baixo lá em Itatiba e só saio de lá com a certidão.
Parece aqueles contos de suspense de segunda categoria... "ohh!.. o arquivo morto..." "é uma área proibida.." "cuidado!.. quem subiu lá nunca mais voltou.." "no arquivo morto.. não pode ser?!.. será?!.. é isso mesmo?!.." .. é de deixar qualquer um com o saco na lua (desculpem a expressão, mas é a realidade). Tão simples, tão fácil... se tem que subir, é só subir uma escada.. ninguém vai morrer.. ou vai? Será que os excelentíssimos funcionários do Objetivo de Itatiba vão cansar muito de dar alguns parcos passos, conferir o arquivo... letra "A", ano 98, formandos..
Definitivamente, ser humano é um bicho complexo..... (e estressado também....)

nariz de palhaço, o retorno..

"A polícia de São Paulo tem informações desde setembro de 2003 de que o Banco Santos fazia remessas de dinheiro para fora do país, ' legais ou não', como descreve um relatório. Duas empresas eram usadas na operação: a European e o Bank of Europe.
A European foi aberta em setembro de 2002 pela irmã do banqueiro Edemar Cid Ferreira (Edna Ferreira de Souza e Silva) e por um ex-executivo do Banco Santos (Ricardo Russo Candido de Souza), segundo o cadastro da empresa na Junta Comercial.
As investigações iniciais do Banco Central no banco de Edemar, sob intervenção desde 12 de novembro, confirmam algumas das informações da polícia. O Bank of Europe era um dos principais canais usados pelo Banco Santos para remeter dinheiro para paraísos fiscais."
( trecho de reportagem da Folha de S. Paulo - 06/12/2004 - p. B8)

quinta-feira, 2 de dezembro de 2004

"Creative Commons"

Acho essa iniciativa excelente, faço questão de transcrever a reportagem aqui.
O conceito tradicional de direito autoral está fadado a sumir do mapa. Com toda a tecnologia de informação e troca das mesmas hoje em dia, não há como estabelecer um controle nos moldes tradicionais. O artista musical que quiser sobreviver hoje em dia tem que esquecer o "copyright" e partir pra ganhar dinheiro com shows, DVDs.. outras iniciativas de sustento que impliquem em espalhar a sua arte e ganhar dinheiro encima do alcance da mesma, principalmente na internet.
Ademais, gosto de uma resenha do Tom Zé que vem na contra-capa de um de seus álbuns e que eu tenho aqui em casa ("Jogos de Armar -faça você mesmo"). Lá ele diz que nesse início de século o artista inovador da lugar ao artista "plágio-combinador". Nada mais se cria, tudo são "colagens", de onde surge algo novo e artisticamente relevante. É isso aí...
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ENTRETENIMENTO
Licença permite ao usuário distribuir e remixar arquivos; veja sites com canções nacionais para baixarArtistas divulgam música sem restrição


JULIANO BARRETO FREE-LANCE PARA A FOLHA
Músicos brasileiros famosos e menos conhecidos já começaram a aderir ao formato de distribuição da licença Creative Commons. Criada para servir como opção à troca ilegal de músicas pela internet e impulsionar a criatividade dos artistas, a licença permite que os usuários copiem e troquem os arquivos de música digital e, em alguns casos, possam até mesmo editá-los."A Creative Commons permite um acesso mais amplo à música. O consumidor não fica restrito a ouvir um CD. Ele pode distribuir a música pela internet, fazer mixagens ou até compor uma nova letra usando a canção original", afirma Carlos Afonsso Pereira de Souza, coordenador-adjunto do Centro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getúlio Vargas, entidade responsável pela adaptação da Creative Commons para as leis vigentes no Brasil.
Onde encontrar
Entre os artistas brasileiros que já dispõem de músicas para download nesse formato de distribuição, os mais diversos estilos estão representados. Quem aprecia batidas dançantes deve visitar sites como o do DJ Dolores (www.candeeiro.com.br/djdolores.html), o de Alex Mono & Modal Transgress (www.alexmono.com.br) e o do grupo Gerador Zero (www.geradorzero.com). Outra opção é o site www.recombo.art.br, que traz canções, textos e vídeos de diferentes artistas.
Quem prefere ritmos mais calmos deve acessar as páginas do Axial (www.axialvirtual.com) e da banda alternativa Luísa Mandou um Beijo (www.luisamandouumbeijo.8k.com). Outras canções podem ser baixadas em www.mombojo.com.br e em www.invernia.com.br.
Apesar da maioria de artistas alternativos, a Creative Commons também atrai músicos mais famosos, como o ministro da Cultura, Gilberto Gil (que colocou uma música sob esse tipo de licença). "A Creative Commons é aberta a todos os artistas e serve como um meio de divulgação que atinge uma gama de usuários muito maior", acredita Souza.
É importante lembrar, no entanto, que a licença protege os direitos autorais e não permite a comercialização das músicas.No site oficial da Creative Commons (creativecommons.org), há um sistema de busca para encontrar músicas, vídeos e livros que usam a licença de livre divulgação. Na mesma página, também há informações para artistas que tenham a intenção de utilizar a licença para distribuir suas músicas.
Novo Napster
Enquanto a Apple domina o mercado de venda de músicas on-line com o site iTunes, o Napster (serviço pioneiro de trocas ilegais, que se transformou em sistema de loja virtual) adota estratégias mais agressivas para ganhar espaço. Segundo o site The Register (www.theregister.co.uk), a empresa passará a vender músicas em papelarias e lojas de conveniência na Inglaterra.
As lojas reais venderão planos de assinatura mensais que, de acordo com o valor pago, permitirão que o usuário baixe de dez a 33 músicas.
Acordo de gigantes
As músicas das gravadoras Universal, Sony BMG e Warner serão vendidas por um único site no início de 2005. A empresa responsável pela futura loja anunciou que o serviço funcionará de forma parecida com os programas de troca de arquivos P2P, como o KaZaA e o antigo Napster.

Viola, minha viola...

Hoje finalmente tomei vergonha na cara e levei meu violão pro concerto.
Descobri que uma pessoa aqui perto fazia o "remendo". Uma casa simples, com um anúncio discreto, escrito numa tinta amarela opaca junto à maquete de um violão antigo. Aperto a campainha e surge um senhor, com certeza com mais de 70 anos, bem simpático... olha pro violão e sentencia: "Isso é simples, já vi coisas bem piores.." (meu violão está com o braço quebrado; e as cordas estão em péssimo estado). Pensa um pouco e diz o preço: "faço por 50 reais pra você.."
Sinceramente, não achei caro. Ainda mais levando em conta os preços atuais dos violões. Se o meu voltar a tocar, mesmo que com uma desafinação congênita, já está bom. Ando sentindo falta das dedilhadas toscas que fazia antigamente, tentando sem sucesso tocar alguma coisa. Quem sabe agora a coisa não desanda de vez.. hehe.
Antes de sair, ele saca um cartão de visitas ("Simon Moreno - Especialista em Reforma de Violões - rua Germânia, 627 - Bonfim, Campinas - SP - tel. 3241-2625 - 'Seu violão novo de novo') e encerra: "não se preocupe, faço isso a 44 anos...".
Eu me senti um blastócito... hehehe.