terça-feira, 4 de janeiro de 2005

2005, e o tempo...

Primeira postagem do ano. Pior que não tenho nada de interessante pra escrever.. hehe. Estou eu aqui sentado na frente do computador gastando o meu tempo, escrevendo a esmo sem um objetivo bem definido. Talvez, com o objetivo certeiro de querer ler lido, óbvio.. hehe.
Eis um tema interessante, o tempo... Esse começo de ano foi bem farto pra mim na reflexão sobre o dito. Não é à toa que ando escutando muito "Time", do PF. Cada vez mais aqueles versos começam a fazer um sentido profundo pra mim. Cada vez mais aquele solo de guitarra angustiante do Gilmour corta "seco" a minha mente.
É notável como até os 18 anos (em média) o tempo passa numa vagarosidade irritante. Parece que o controle remoto da nossa vivência está em constante "low motion". Quando esse marco é atingido, as expectativas se invertem radicalmente no sentido oposto, e tudo parece andar no "foward". E você ali, lutando pra não ser engolido pela própria ansiedade. Bom, pelo menos é o que eu sinto. Nessas horas, o rock and roll me salva... hehehe..
Estou chegando numa fase em que consigo olhar pra trás e ver que uma década se esvaiu, e dando aquela sensação de que assistimos tudo inertes, como bem declamam suavemente Mr. R. Wright e Mr. D. Gilmour na citada canção. Aliás, a grande maioria dos leitores do meu blog tb está nessa fase, e creio que sentindo as mesmas aflições.. hehehe..
Pois bem, acredito que estou aqui escrevendo a uns 12, 13 minutos (com ligeiras paradas reflexivas), e o tempo se foi... Olho no relógio e já penso no que tenho que fazer daqui algumas horas (cortar o cabelo, recarregar meu celular, terminar meu resumo de direito previdenciário..). Talvez a consciência que temos de que somos extremamente frágeis e mortais (coisa que aparentemente apenas nós primatas "sapiens" temos, pelo menos em um nível elaborado) nos coloque numa eterna angústia existencial.
Plagiando o último verso da canção: o tempo se foi e a postagem acabou... pensei que tivesse algo mais a dizer.
Mas não tenho... hehehehe..

Ticking away the moments that make up a dull day./ Como tique-taques, os momentos que formam um dia monótono se vão.

You fritter and waste the hours in an off hand way, / kicking around on a piece of ground in your hometown, / waiting for someone or something to show you the way. // Você desperdiça e perde as horas de uma maneira descontrolada, perambulando por um pedaço de terra de sua cidade natal, esperando alguém ou algo que venha mostrar-lhe o caminho.

Tired of lying in the sunshine, staying home to watch the rain, / you are young and life is long and there is time to kill today. / Cansado de deitar-se sob o sol e de ficar em casa observando a chuva, você é jovem e a vida é longa, e hoje há tempo para desperdiçar.

And then one day you find ten years have got behind you. / No one told you when to run, you missed the starting gun. // E então um dia você descobre que dez anos ficaram para trás. Ninguém te disse quando correr, você perdeu o tiro de partida .

And you run and you run to catch up with the sun. But it's sinking / and racing around to come up behind you again. / E você corre e corre para alcançar o sol, mas ele está se pondo. E girando em volta para se levantar atrás de você novamente.

The sun is the same in the relative way, but you're older / and shorter of breath and one day closer to death. // O sol é o mesmo mas você está mais velho, com menos fôlego e um dia mais perto da morte.

Every year is getting shorter, never seem to find the time. / Cada ano está ficando mais curto, nunca parece se encontrar o tempo.

Plans that either come to naught or half a page of scribbled lines, / hanging on in quiet desperation is the English way. / Planos que deram em nada ou em meia página de linhas rabiscadas, permanecendo suspenso em um silencioso desespero é o jeito inglês.

The time is gone the song is over, thought I'd something more to say. // O tempo se foi, a canção terminou, pensei que eu tivesse algo mais a dizer.

("Time" - R.Waters, D.Gilmour, R.Wright, N.Mason - 4ª faixa do álbum "The Dark Side of the Moon" - Pink Floyd)

quarta-feira, 29 de dezembro de 2004

the lunatic is on the grass..



(Syd Barrett - em foto de 2002)
Encontrei essa foto no fotolog de uma amiga (fotolog.net/bluesgirl). Bom, pra quem não se situou, esse pacato senhor aí é um dos maiores compositores de música pop que já passou pela face da Terra. Aliás, um dos poucos gênios vivos do Rock and Roll. Foi o responsável pelo desenvolvimento de uma singela estética musical chamada psicodelia. Em resumo, boa parte do que se produziu musicalmente nos últimos 34 anos no terreno da música pop tem influência direta do que esse agora discreto inglês produziu em 4, 5 anos de atividade musical no fim dos anos 60/começo dos 70. Em carreira solo, ou nos "early years" da banda Pink Floyd.
Bom, quem ainda não se situou e quiser saber mais, é só entrar em contato comigo que eu "apresento" o nosso caro lunatic.. hehe.. Música de altíssima qualidade.
Segundo boatos, hoje ele vive com a mãe e trabalha com jardinagem. Um poente digno pra um super-poeta que "pirou" um pouco antes dos pobres demais mortais.

recomendando: "Janela da alma" e um (bom) programa novo

Esse final-de-semana assisti ao documentário "Janela da alma". Excelente. O dito filosofa sobre a visão e sua importância (ou não) para as relações humanas. A melhor parte é a da entrevista com um fotógrafo cego francês... pois é.. e a gente ainda reclama das nossas capacidades. Fiquei abismado. Sem falar nas entrevistas com José Saramago e com o Win Wenders (o cineasta; acho que é assim que se escreve). Enfim, um excelente filme. Recomendo.
No mais, ontem estava assistindo TV (coisa que está ficando cada vez mais rara) na Globo quando tive uma boa supresa. Aquele tal de "programa novo". Achei bem interessante a idéia: um programa que fala sobre como fazer um programa. Não sei pq lembrei do Jerry Seinfeld.. hehe. Mas eu gostei. Aliás, qndo comecei a assistir achei que fosse detestar, pois é da mesma turma de atores que fez aquele "sexo frágil" (eu pessoalmente achava uma merda aquele programa.. hehe). Porém, o programa se superou. Tem um roteiro muito bom, é bem criativo. É daquelas coisas que só se vê em tv paga ou na TV Cultura. Não sei, posso tá sendo meio precipitado (é o primeiro programa).. mas pra média do que está aí na nossa programação televisiva, achei muito bom. Também recomendo.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2004

quem te viu, quem te vê...

Eu encontrei isso num canto de página da Folha de S. Paulo, a mesma que "soltou os cachorros" encima da nossa cara Marta Suplicy. Interessantíssimo como esses dados não apareceram durante o período eleitoral.. hehehe.. e olha que esse é o meu meio de informação preferido...
Bom, eles deixam num canto de página, mas eu vou colocar na página principal do meu blog. Contra-informação é o que há, meu caro(a)!.. hehehe..
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Prefeitura beneficia mais famílias


DO ENVIADO ESPECIAL
Os programas sociais Renda Cidadã e Viva Leite, do governador Geraldo Alckmin (PSDB), atendem menos do que o Renda Mínima e o Leve Leite, da Prefeitura de São Paulo, que até o dia 31 é administrada por Marta Suplicy (PT).
De acordo com a Secretaria Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social, 60 mil famílias são beneficiadas pelo Renda Cidadã. Cada uma recebe R$ 60 mensais. No próximo ano, outras 40 mil deverão se somar, oriundas do Alimenta São Paulo (distribuição de cestas básicas), que será desativado gradativamente.
O Renda Mínima, da Prefeitura de São Paulo, atende, de acordo com a Secretaria do Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade, a 178 mil famílias, com um complemento médio de R$ 120, segundo a prefeita Marta Suplicy.
Neste ano, enquanto o Estado reservou R$ 43,2 milhões para o pagamento do benefício, dos quais R$ 39,5 milhões haviam sido gastos, a prefeitura tinha uma dotação de R$ 187,6 milhões, mas, até a semana passada, foram pagos R$ 148,9 milhões. O Estado tem uma população de 37 milhões de habitantes, enquanto a capital abriga aproximadamente 10 milhões de pessoas.
Leite
Na distribuição de leite, o programa municipal também é mais abrangente que seu similar promovido pelo Estado. A assessoria de imprensa da Secretaria do Abastecimento da Prefeitura de São Paulo informou que são atendidas 970 mil crianças. Cada aluno das escolas de ensino fundamental recebe dois quilos de leite (o produto é fornecido em pó; cada quilo dá para fazer, segundo a secretaria, 7,7 litros de leite); os da escola de ensino infantil e creche recebem um quilo.
A prefeitura gasta aproximadamente R$ 90 milhões por ano com o programa, que é mantido durante o período escolar. O 1,4 milhão de quilos distribuídos mensalmente é suficiente para 10,7 milhões de litros por mês, ou 97 milhões de litros por ano.Já o Viva Leite, da Secretaria Estadual da Agricultura, deve atender neste ano a 740 mil pessoas, a um custo de cerca de R$ 147 milhões. Segundo dados do Sigeo (Sistema de Gerenciamento da Execução Orçamentária), disponíveis aos deputados na Assembléia Legislativa, o governo do Estado já gastou R$ 131,7 milhões desse valor. O produto é servido in natura, e não em pó, como faz a prefeitura. O Estado deverá distribuir neste ano 130 milhões de litros de leite tipo C, com teor de gordura mínimo de 3%, enriquecido com ferro.
A Prefeitura de São Paulo não tem um programa similar ao Alimenta São Paulo, que distribui cestas básicas a famílias carentes.
(FSP - 27/12/2004 - caderno Brasil - http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2712200403.htm)

quinta-feira, 23 de dezembro de 2004

"rapidinhas" musicais..





("Plastic Fang" -Jon Spencer Blues Explosion- e "R" -Queens of the Stone Age-)
Hoje estava rodando essas duas "figurinhas" na minha vitrola (tb conhecido por toca-cd.. hehe).
Pra quem curte um bom rock and roll de raíz, são duas dicas interessantes. Não é nada novo, mas de extrema qualidade. O da esquerda é de 2002, o da direito de 2000.
Pra quem curte algo numa linha mais Blues, bem cru, Jon Spencer é excelente. Pra mim, esse é um dos melhores álbuns de rock-blues que eu já escutei. O som é guitarra-bateria-voz, não tem baixo. Uma espécie de "proto-white stripes"..hehe. Toques rápidos, básicos. Excelente. Se tem um som que me faz "eletrificar" na hora é esse. Em suma, o essencial do rock.
Já pra quem gosta de algo mais pesado, QOTSA é a banda. Bom, pelo menos pra mim não tem nada melhor que seja ao mesmo tempo pesado (meio metal) e extremamente sofisticado. Tem algumas músicas que até me lembram Beatles. Aliás, acho o som deles um cruzamento de toques a la Beatles com uma "pegada" metaleira. Guitarras pesadas junto com palminhas e vocais trabalhados. Na verdade é isso que me atrai, pois nunca fui um fã de som pesado (generizamente falando). Eles conseguem fazer um som forte sem ter aquela aura, digamos, "messiânica" das bandas de metal..hehe.
Bom, uma boa parte das pessoas que lêem esse blog já tão carecas de saber sobre o som aí decima. Mas para aqueles que não conhecem e gostam de rock, são dois Cds de primeira linha. Não me canso de escutar, muito pelo contrário.

"Antes do verbo, era o silêncio"

Achei excelente essa crônica do Rubem Alves. Faço questão de transcrever aqui. Assino embaixo cada linha. Precisamos aprender a contemplar mais os espaços vazios e o silêncio. É tão simples.. e difícil ao mesmo tempo.
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Ouvir para aprender


Rubem Alves colunista da Folha


De todos os sentidos, o mais importante para a aprendizagem do amor, da vida em conjunto e da cidadania é a audição. Disse o escritor sagrado: "No princípio era o verbo". Eu acrescento: "Antes do verbo, era o silêncio". É do silêncio que nasce o ouvir. Só posso ouvir a palavra se meus ruídos interiores forem silenciados. Só posso ouvir a verdade do outro se eu parar de tagarelar. Quem fala muito não ouve. Sabem disso os poetas, esses seres de fala mínima. Eles falam, sim -para ouvir as vozes do silêncio.
Veja esse poema de Fernando Pessoa, dirigido a um poeta: "Cessa o teu canto!/ Cessa, que, enquanto/ O ouvi, ouvia/ Uma outra voz/ Com que vindo/ Nos interstícios/ Do brando encanto/ Com que o teu canto/ Vinha até nós.// Ouvi-te e ouvi-a/ No mesmo tempo/ E diferentes/ Juntas cantar./ E a melodia/ Que não havia./ Se agora a lembro,/ Faz-me chorar". A magia do poema não está nas palavras do poeta. Está nos interstícios silenciosos que há entre as suas palavras. É nesse silêncio que se ouve a melodia que não havia. Aí a magia acontece: a melodia me faz chorar.
Não nos sentimos em casa no silêncio. Quando a conversa pára por não haver o que dizer, tratamos logo de falar qualquer coisa, para pôr um fim ao silêncio. Vez por outra tenho vontade de escrever um ensaio sobre a psicologia dos elevadores. Ali estamos, nós dois, fechados naquele cubículo. Um diante do outro. Olhamos nos olhos um do outro? Ou olhamos para o chão? Nada temos a falar. Esse silêncio é como se fosse uma ofensa. Aí falamos sobre o tempo. Mas nós dois bem sabemos que se trata de uma farsa para encher o tempo até que o elevador pare.
Os orientais entendem melhor do que nós. Se não me engano, o nome do filme em que vi esta cena é "Aconteceu em Tóquio". Duas velhinhas se visitavam. Por horas ficavam juntas, sem dizer uma única palavra. Nada diziam porque no seu silêncio morava um mundo. Faziam silêncio não por não ter nada a dizer, mas porque o que tinham a dizer não cabia em palavras. A filosofia ocidental é obcecada pela questão do ser. A filosofia oriental, pela questão do vazio, do nada. É no vazio da jarra que se colocam flores.
O aprendizado do ouvir não se encontra em nossos currículos. A prática educativa tradicional se inicia com a palavra do professor. A menininha, Andréa, voltava do seu primeiro dia na creche. "Como é a professora?", sua mãe lhe perguntou. Ao que ela respondeu: "Ela grita...". Não bastava que a professora falasse. Ela gritava. Não me lembro de que minha primeira professora, dona Clotilde, tivesse jamais gritado. Mas me lembro dos gritos esganiçados que vinham da sala ao lado. Um único grito enche o espaço de medo. Na escola, a violência começa com estupros verbais.
Milan Kundera conta a estória de Tamina, uma garçonete: "Todo mundo gosta de Tamina. Porque ela sabe ouvir o que lhe contam. Mas será que ela ouve mesmo? Não sei... O que conta é que ela não interrompe a fala. Vocês sabem o que acontece quando duas pessoas falam. Uma fala e outra lhe corta a palavra -"É exatamente como eu, eu...'- e começa a falar de si, até que a primeira consiga, por sua vez, cortar -"É exatamente como eu, eu...".
Essa frase parece ser uma maneira de continuar a reflexão do outro, mas é um engodo. É uma revolta brutal contra uma violência brutal: um esforço para libertar o nosso ouvido da escravidão e ocupar, à força, o ouvido do adversário. Pois toda a vida do homem entre os seus semelhantes nada mais é do que um combate para se apossar do ouvido do outro".
Será que era isso o que acontecia na escola tradicional? O professor se apossando do ouvido do aluno (pois não é essa a sua missão?), penetrando-o com a sua fala fálica e estuprando-o com a força da autoridade e a ameaça de castigos, sem se dar conta de que no ouvido silencioso do aluno há uma melodia que se toca. Talvez seja essa a razão por que há tantos cursos de oratória, procurados por políticos e executivos, mas não de "escutarória". Todo mundo quer falar. Ninguém quer ouvir. Todo mundo quer ser escutado. (Como não há quem os escute, os adultos procuram um psicanalista, profissional pago do escutar.) Toda criança também quer ser escutada. Encontrei, na revista pedagógica italiana "Cem Mondialità" a sugestão de que, antes de iniciarem as atividades de ensino e aprendizagem, os professores se dedicassem por semanas, talvez meses, a simplesmente ouvir as crianças. No silêncio das crianças, há um programa de vida: sonhos. É dos sonhos que nasce a inteligência.
A inteligência é a ferramenta que o corpo usa para transformar os seus sonhos em realidade. É preciso escutar as crianças para que a sua inteligência desabroche.
Sugiro então aos professores que, ao lado da sua justa preocupação com o falar claro, tenham também uma preocupação com o escutar claro. Amamos não a pessoa que fala bonito, mas a pessoa que escuta bonito. A escuta bonita é um bom colo para uma criança se assentar...


Rubem Alves, 71, que um menininho descreveu como "um homem que gosta de ipês amarelos", e um outro, como "um velhinho que conta estórias", relê bem devagar o "Livro do Desassossego", de Bernardo Soares (Fernando Pessoa), uma obra que nunca se termina de ler.
www.rubemalves.com.br - (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/sinapse/sa2112200415.htm)

domingo, 19 de dezembro de 2004

Placebo no Brasil

Essa notícia é pra deixar a minha amiga Carol W. angustiada (hehe..) :
As casas indies paulistanas já podem preparar sem maiores constrangimentos um "especial Placebo" por semana, daqui até meados de março. Chegou a confirmação nas EMI sul-americanas da bendita vinda para o terceiro mês de 2005 da banda de mr. (?) Brian Molko. Saiu na revista "Les Unrockuptibles" argentina a notícia de que finalmente o Placebo vem excursionar por Chile, Argentina e Brasil.O Placebo é uma das bandas indies mais queridas dos indies latinos. Aqui no Brasil DJs de toda festa de rock é assombrado com o pedido de "Toca Placebo", a versão anos 90 para o "Toca Raul".No Chile, amigo meu jura que a banda é mais popular que o Radiohead. Na Argentina, chamam o grupo de Molko de "o novo The Cure".A primeira vinda do Placebo para estes lados de cá se dá para a promoção da coletânea "One More with Feeling", a compilação de singles de 1996-2004 que acaba de ser lançada no Brasil.O disco traz 17 lados A da banda, tipo as campeãs "Nancy Boy", "Every You Every Me" e "Especial K", além de duas inéditas: "I Do" e "Twenty Years".
A cópia que sai aqui é a inglesa, só com um CD. A americana traz um disco extra de remixes. Tem dez versões dance, como "Special K" remixada por Timo Maas; "Without You I'm Nothing", com David Bowie e mexida pelo Unkle e "Pure Morning", "tratada" pelo Les Rythmes Digitales, entre outras.
E eu fui um ignorante em Placebo todo esse tempo. Só agora estou (re)descobrindo. Aliás, graças a esse ser aí decima que está me abastecendo com as MP3s dela. Por que se dependesse de mim, a preguiça domina.. hehe.. mas estou gostando. É da linha de som que eu sou fã: melancolia, "angústia sonora", letras consistentes. Enfim, música pop de primeira linha.





(Brian Molko e sua trupe)

duas leis, duas polêmicas

Estão tramitando no Congresso dois projetos de lei que vão dar pano pra manga. Coloco aqui pra que os doutos se informem e emitam opinião. Só pra constar, sou a favor e concordo com as duas.
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Projeto de Lei: Institui a profissão de trabalhadores da sexualidade e dá outras providências.
Fonte: Câmara dos Deputados 13/12/04

PROJETO DE LEI Nº 4244/2004

( Do Sr. Eduardo Valverde)

Institui a profissão de trabalhadores da sexualidade e dá outras providências.

O Congresso Nacional Decreta:


Art.1º - Consideram-se trabalhadores da sexualidade toda pessoa adulta que com habitualidade e de forma livre, submete o próprio corpo para o sexo com terceiros, mediante remuneração previamente ajustada, podendo ou não laborar em favor de outrem.

Parágrafo Único: Para fins dessa lei, equiparam-se aos trabalhadores da sexualidade, aqueles que expõem o corpo, em caráter profissional, em locais ou em condições de provocar apelos eróticos, com objetivo de estimular a sexualidade de terceiros.

Art.2° - São trabalhadores da sexualidade, dentre outros:

1 – A prostituta e o prostituto;

2 – A dançarina e o dançarino que prestam serviço nus, seminus ou em trajes sumários em boates, dancing’s, cabarés, casas de “strip-tease” prostíbulos e outros estabelecimentos similares onde o apelo explícito à sexualidade é preponderante para chamamento de clientela;

3 – A garçonete e o garçom ou outro profissional que presta serviço , em boates, dancing’s, cabarés, prostíbulos e outros estabelecimentos similares que tenham como atividade secundária ou predominante o apelo a sexualidade, como forma de atrair clientela;

4 – A atriz ou ator de filmes ou peças pornográficas exibidas em estabelecimentos específicos;

5 – A acompanhante ou acompanhante de serviços especiais de acompanhamento intimo e pessoal de clientes;

6 – Massagistas de estabelecimentos que tenham como finalidade principal o erotismo e o sexo;

7 – Gerente de casa de prostituição.

Art.3º- Os trabalhadores da sexualidade podem prestar serviço de forma subordinada em proveito de terceiros, mediante remuneração, devendo as condições de trabalho serem estabelecidas em contrato de trabalho.

Art.4º- São direitos dos trabalhadores da sexualidade, dentre outros:

a – Poder expor o corpo, em local público aberto definido pela autoridade pública competente;

b – Ter acesso gratuito aos programas e ações de saúde pública preventiva de combate às doenças sexualmente transmissíveis;

c – Ter acesso gratuito aos esclarecimentos das autoridades de saúde pública sobre medidas preventivas de evitar as doenças socialmente previsíveis;

Art.5º - Para o exercício da profissão de trabalhador da sexualidade é obrigatório registro profissional expedido pela Delegacia Regional do Trabalho. §1º - O registro profissional deverá ser revalidado a cada 12 meses.

§2º - Os trabalhadores da sexualidade que trabalham por conta própria deveram apresentar a inscrição como segurado obrigatório junto ao INSS, no ato de requerimento do registro profissional.

§3º - Para a revalidação do registro profissional será obrigatório a apresentação da inscrição como segurado do INSS e do atestado de saúde sexual, emitido pela autoridade de saúde pública.

Art.6º- É vedado o labor de trabalhadores da sexualidade em estabelecimentos que não tenham a autorização das autoridades públicas em matéria de vigilância sanitária e de segurança pública.

Art.7º - Os trabalhadores da sexualidade poderão se organizar em cooperativas de trabalho ou em empresas, em nome coletivo, para explorar economicamente prostíbulos, casas de massagens, agências de acompanhantes e cabarés, como forma de melhor atender os objetivos econômicos e de segurança da profissão.

Art.8º - O trabalho na prostituição é considerado, para fins previdenciário, trabalho sujeito às condições especiais.

JUSTIFICAÇÃO

As opiniões acerca da prostituição são diversas, tanto na sociedade brasileira como em outros países, do mesmo modo como são variadas as concepções políticas em relação ao tema. Na Holanda, por exemplo, a prostituição é legalizada e ordenada juridicamente afim de adequá-la à realidade atual e de melhor controlá-la, impondo regras para sua pratica e penas aos abusos e transgreções.

Assumindo a premissa de que milhares de pessoas exercem a prostituição no Brasil, proponho este projeto com intuito de regulamentar a atividade, estabelecer e garantir os direitos destes trabalhadores, inclusive os previdenciários. Fica estabelecido ainda o acesso gratuito aos programas e ações de saúde pública preventiva de combate às doenças sexualmente transmissíveis, bem como à informação sobre medidas preventivas para evitá-las.

A prática da prostituição em território brasileiro passará a ter, entre outras exigências, a necessidade de registro profissional, a ser emitido pela Delegacia Regional do Trabalho e renovado anualmente. Esta e outras medidas previstas neste projeto de lei visam dotar os órgãos competentes de melhores condições para controlar o setor e, assim, conter os abusos.



Sala das Sessões em,


EDUARDO VALVERDE Deputado Federal
Projeto de Lei: Fica extinto o pagamento de assinatura básica e taxa de consumo mínima para as empresas prestadoras de serviços de telefonia, água, energia elétrica, gás, e televisão por assinatura.
Fonte: Câmara dos Deputados 13/12/04

PROJETO DE LEI Nº 4269/2004

(Do Senhor Alberto Fraga)

Fica extinto o pagamento de assinatura básica e taxa de consumo mínima para as empresas prestadoras de serviços de telefonia, água, energia elétrica, gás, e televisão por assinatura.


Art. 1º Fica extinto o pagamento de tarifas e taxas de consumo mínimas ou de assinatura básica, cobradas pelas concessionárias prestadoras de serviços de água, luz, gás, tv a cabo e telefonia, devendo o consumidor arcar apenas com o pagamento do efetivo consumo ou uso do produto ou serviço disponibilizado pela concessionária.

Parágrafo único: As concessionárias de que trata o caput somente poderão cobrar pelo serviço disponibilizado, aferido individualmente por cada consumidor, ficando impedidas da cobrança de tarifa, taxa mínima ou assinatura básica de qualquer natureza e a qualquer título.

Art. 2º O não cumprimento do disposto no art. 1º implicará na aplicação, pelo órgão responsável das penalidades previstas na lei

Art. 3º O Poder Executivo regulamentará a presente Lei no prazo de sessenta dias, a contar de sua publicação,

Art. 4º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

JUSTIFICAÇÃO


A cobrança de assinatura básica e o pagamento de taxas mínimas de consumo são comuns nas empresas de telefonia, energia elétrica e de água entre outras que também disponibilizam produtos ao consumidor.

Ocorre que a cobrança da tarifa mínima, penaliza o consumidor que economiza na utilização do produto, mas paga pelo que não consome.

A cobrança da forma como é feita desequilibra ainda mais a relação empresa e consumidor, sendo esse severamente prejudicado. Tal fato atinge principalmente a parcela mais pobre da população e traz efeitos reflexos para a qualidade de vida de toda a família.

O valor corretamente cobrado, pela exata quantidade consumida não onera as empresas operadoras dos serviços, mas contribuirá para uma forma mais justa da cobrança das suas tarifas.

Já existe norma semelhante aprovada no Distrito Federal, com resultados que indicam a perfeita exequibilidade em todo o país.

Por entender que o presente dispositivo significará sensível e justo benefício para toda a sociedade, solicito o apoio dos nobres colegas parlamentares

Sala das Sessões, 18 de outubro de 2004.

DEPUTADO ALBERTO FRAGA

(fonte: OAB-SP)