quarta-feira, 23 de agosto de 2006

empty spaces dicas: "David Gilmour" (1978)

(David Gilmour, o álbum - 1978)

A postagem de hoje serve pra abrir uma série com sugestões, indicações, dicas de coisas que o editor desse humilde blog aprecia e que eventualmente serão expostas aqui para serem compartilhadas.

Bom, recentemente o guitarrista da banda Pink Floyd (esse sujeito aí decima) lançou um álbum solo chamado On an Island. O disco é interessante pra quem aprecia e é fã da sonoridade da citada banda, mas também é bem chatinho. Só não digo que é ruim mesmo porque tem algumas coisas interessantes ali no meio. No geral porém, o álbum é bem limitado.

Ao contrário, esse álbum da capa exposta logo acima é muito bom. Produto do mesmo guitarrista, foi lançado em 1978 no início do fim dos melhores tempos da banda londrina. É um disco bem simples, com músicas diretas, básicas, levemente melancólicas e melodiosas. Não traz nada de inovador (mesmo pra época), mas é delicioso de se escutar. Calcado no blues e num rock bem tradicional, é daqueles Cds que vc bota na vitrola e deixa rolar por inteiro, sem cansar.

Havia um bom tempo que ele estava escondido lá na minha coleção de CDs. Esses dias, "redescobri" o nosso amigo e voltei a escutá-lo vorazmente. Recomendo para tudo e para todos. Uma audição de qualidade, na minha modesta opinião. Não há nada mais aconchegante do que "conversar" com a guitarra melancólica e revoltada de "No way" a altas horas da noite.

Set List:


MIHALIS (David Gilmour) 5:48
THERE'S NO WAY OUT OF HERE (Ken Baker) 5:10
CRY FROM THE STREET (David Gilmour/Eric Stuart) 5:13
SO FAR AWAY (David Gilmour) 5:50
SHORT AND SWEET (David Gilmour/Roy Harper) 5:26
RAISE MY RENT (David Gilmour) 5:32
NO WAY (David Gilmour) 5:32
IT'S DEAFINITELY (David Gilmour) 4:27
I CAN'T BREATHE ANYMORE (David Gilmour) 3:08


* para uma compreensão mais completa da postagem clique no link seguinte : "deglutindo Gilmour".

terça-feira, 22 de agosto de 2006

mother nature´s son (3)


Agora à pouco escuto na TV que os termômetros registram 8º graus na Avenida Paulista. Olho pela janela nesse início de madruga e nenhuma alma viva na rua, com exceção de um gari solitário.
Talvez não haja relevância alguma em escrever essa postagem, mas é que eu quase congelei quando saí do trabalho hoje na rua. De manhã, coloquei apenas uma jaqueta leve pra encarar o dia, e quando saí do prédio no final da tarde dei-me de cara (literalmente) com uma daquelas brisas cortantes de friagem que faz você, por alguns meros segundos, se sentir em plena Patagônia.
Acredito que num prazo de 6 horas a temperatura caiu uns 15º graus (sem exageros). Esse tipo de variação do clima tem um sentido visivelmente aniquilador. É pra matar o sujeito mesmo.
Muito provavelmente, em breve, teremos um "planeta assassino". É deliciosamente irônico, e assustador.

segunda-feira, 14 de agosto de 2006

sinais

Bom, pra quem não sabe eu tenho uma camiseta vermelha com um ideograma chinês desenhado representando a palavra "sonho". Tenho uma afeição especial por essa idumentária. Não sei bem o porquê, mas ela me transmite uma idéia de força e perseverança que eu aprecio muito. Não só pela palavra em si, mas por todo o conjunto, a cor, enfim.
Hoje eu vesti a dita e fui aproveitar meu dia de folga, resolvendo algumas tarefas acumuladas. Quando cheguei no meu prédio no final da tarde, meio que por um desses infortúnios do destino (que na verdade não existem, mas fica bonito falar assim -rs-), uma das moradoras das famílias coreanas aqui do prédio estava esperando o elevador.
Tudo estava bem, ela brincando com os filhos, sorridente, até perceber a minha presença do lado e visualizar a minha camiseta. Do nada, ela "fechou" a cara e começou a me olhar, digamos, de uma forma menos amistosa.
Muita gente não sabe mas os coreanos com os chineses tem uma "rixa" histórica de conflitos e brigas milenares (sem falar nos japoneses; esses três nacionais não se aturam). E do nada, todo esse histórico surgiu na cabeça da moça como se ela tivesse sido atingida por um ráio.
É interessante essa questão dos sinais. De como os símbolos, as idéias, muitas vezes trazem toda uma gama de emoções que passam desapercebidas por quem não vivenciou toda aquela correlação. Talvez ela tenha sentido naquele momento o mesmo tipo de sentimento que um judeu teria ao ver uma pessoa carregando o desenho de uma suástica na camisa.
Eu obviamente fiquei com "cara de bunda", pois percebi a gafe. Mas é daquelas situações inevitáveis, que só um sujeito paranóico talvez tivesse evitado. Infelizmente fica aquela sensação ruim, porém, incontornável.

quarta-feira, 9 de agosto de 2006

lost in the refrigerator

Eu estou com uma péssima mania de "esquecer" coisas na minha geladeira. Não sei se isso é um mal comum a todas as pessoas que moram sozinhas, mas causa prejuízo.
Hoje fiz um "rapa" aqui e descobri um yakissoba mandado pela minha mãe que acho que fazia mais de 15 dias que estava lá no "fundão". Um yogurte com a validade vencida a um mês (!), entre outras coisas que só uma expedição apurada por dentro daquele eletrodoméstico é capaz de desvendar.
Sinceramente, as vezes dá medo de abrir essa geladeira. Sem falar que ela precisa urgentemente ser descongelada. Enfim, é uma arte doméstica que eu ainda não domino: relacionar-se bem sozinho e solteiro com uma geladeira.

segunda-feira, 7 de agosto de 2006

Roberto Carlos Matinal Corn Flakes (?)

Por incrível que pareça, cada dia que passa gosto mais da minha vizinhança. Talvez seja porque são todos sujeitos meio excêntricos, cada um ao seu modo. Ao contrário da minha morada "pequeno-burguesa" em Campinas, isso aqui é uma verdadeira babel.
Hoje acordei as 7 e pouco da manhã ao som de estranhos barulhos que surgiam do apê ao lado, como se alguém estivesse arranhando o chão com as unhas (bizarro). Meia hora depois entro no banho e um vizinho distante bota uma trilha sonora do Roberto "é uma brasa mora!" Carlos no último volume. Pelo que pude identificar, era algo dos tempos da Jovem Guarda.
Fecho o apê e parto pro trabalho. Enquanto espero o elevador ouço pelas escadas o som de alguém cantarolando algo que parecia ser como uma prece medieval com letras da banda Calypso (aliás, eles são verdadeiros deuses aqui nesse condomínio).
É confuso, as vezes deprimente, as vezes muito interessante, mas sempre muito divertido.

segunda-feira, 31 de julho de 2006

mother nature´s son (2)

E não é que eu posto 5 dias depois usando uma jaqueta pra lá de reforçada, dentro de casa, com as janelas fechadas, e mesmo assim tá um frio de lascar?.. Pra não ser pessimista, poderíamos dizer que o planeta está numa "fase rock and roll"..

quarta-feira, 26 de julho de 2006

mother nature´s son

Hoje eu atualizo esse flog vestindo apenas um short e com a janela do apê arregaçada, em pleno inverno de julho. Lá na Europa, o povo tá literalmente morrendo de calor. E boa parte da elite pensante da comunidade científica e política mundial ainda vê com uma certa distância a questão do aquecimento global.
Independentemente de ser algo resultante diretamente da ação do homem ou se é um movimento natural do planeta (é bem provável que seja as duas coisas juntas) o negócio vai ficar feio. Enfim, já está. 6 bilhões de macacos é muita coisa pra uma bola de terra finita, e com recursos finitos.
É triste, mas a verdade é que não temos saída enquanto espécie. Pelo menos tudo leva nesse sentido.

os dez mandamentos da nova reputação

(A Reputação, na velocidade do pensamento)

Estava passeando pelo blog do Claudio Humberto quando vi o anúncio desse livro (Geração; SP). Não li, então não posso falar sobre o livro em si, do jornalista e escrito Mário Rosa (que eu não conheço) . Porém, essa lista de 10 mandamentos eu achei muito interessante, proveitosa, pertinente e realista. Fala sobre a questão da ética, moral, da visão do indivíduo em relação aos outros nos tempos tecno-estresso-amalucados-egocêntricos atuais. Vejamos:
1. Não desprezarás a tecnologia. A tecnologia não é algo teórico nem distante. Está impregnada em todos os detalhes da vida atual e exige ser compreendida em todos os seus múltiplos impactos sobre a reputação e a imagem pública. Deve estar no topo não só de qualquer planejamento, mas de qualquer forma de pensar o mundo de hoje. Deve, sobretudo, estar refletida em novas ações – e não apenas em novos “diagnósticos”.

2. Romperás com velhos condicionamentos. Fomos criados numa outra Era e somos chamados a interagir com uma realidade em que a lógica é diferente daquela que fomos treinados a entender. Por sermos a primeira geração a enfrentar esse desafio, carregamos condicionamentos ultrapassados em nossa forma de pensar, de avaliar os riscos e de nos posicionarmos diante da nova realidade que surgiu há pouco. Temos que adquirir novos condicionamentos e abandonar aqueles que não funcionam mais.

3. Viverás sempre em público. Deixamos nosso rastro eletrônico praticamente em todo lugar. Mesmo em casa, quando usamos o computador, estamos potencialmente expostos ao olhar de alguém, que pode rastrear nossos passos digitais. No banco, no telefone, na rua, em qualquer lugar temos de entender que todos somos pessoas públicas ou potencialmente públicas, independentemente de nossa posição social. Não existe mais o cidadão comum. Agora somos todos cidadãos incomuns.

4. Obedecerás a uma nova ética. Nova tecnologia significa nova ética, novos conflitos, novas formas de detectar velhas transgressões. Segredos antes invioláveis serão expostos à luz, concordemos ou não. Para evitar transtornos, a melhor atitude é adotar preventivamente uma nova forma de conduta. Não se trata mais de uma opção moralista. Trata-se de uma necessidade concorrencial: num mundo onde o olhar do público está superdemandado por tanta informação, confiar é algo muito mais perigoso e desconfiança é sinônimo de descarte.

5. Não mentirás. Esse é um dos mandamentos que sobreviveram de forma literal, entre aqueles “originais”. Com tantas formas de cruzar informações, com tantos registros que se tornam inevitáveis em nossa forma de viver digital, mentir significa abrir um flanco perigoso e expor-se a um enorme risco de contestação cabal. Há quem julgue ingênuo falar a verdade. Mas ingenuidade crescentemente vai ser imaginar que os outros são todos ingênuos.

6. Serás uma marca. Marcas deixaram de ser empresas. Passaram a ser pessoas. Todos somos marcas e devemos buscar construir um significado claro e positivo perante a percepção alheia. Essa nitidez é ainda mais crucial porque competimos hoje muito mais pela atenção do outro. Uma marca é a expressão de um conceito previamente definido na realidade. Ela fala ao coração; deve despertar um sentimento. E suas virtudes devem estar ligadas a um valor maior que transcenda apenas à qualidade ou à eficiência.

7. Serás mais transparente. A tecnologia decretará a morte de segredos que, no passado, até podiam passar incólumes. O melhor a fazer é se antecipar, porque do contrário quando esses fatos, dados ou atitudes vierem à luz poderão ser vistos como transgressão a normas, ainda mais num momento em que os valores éticos deverão estar em transformação. Será preciso também encontrar novas formas de despertar percepção sobre os compromissos com os valores mais corretos.

8. Não esquecerás o passado. Por vivermos num novo estágio do conhecimento humano e ter de incorporar uma nova forma de lidar com a realidade que se transformou, devemos evitar a tentação de agir como se a História estivesse começando agora. Carregamos muitos condicionamentos de tempos imemoriais e jogá-los fora não é o mais apropriado porque nem todos os condicionamentos antigos deverão ficar desativados. O desafio é encontrar um novo ponto de equilíbrio entre nosso pensar primitivo e o nosso pensar “ponto.com”.

9. Viverás em duas dimensões. Viveremos cada vez mais nossa realidade concreta, mas estaremos crescentemente também vivendo e interagindo com uma outra dimensão: a dimensão da informação em tempo real, que nos transporta para qualquer lugar. Estaremos mais próximos de fatos geograficamente distantes, ao mesmo tempo que distantes de fatos fisicamente ao lado de nós. Se estamos mais próximos dos outros, os outros também estão mais próximos de nós. Principalmente de nossos erros.

10. Aprenderás a ver e a se expor. Uma nova forma de ver implica uma forma nova de ser visto, numa nova forma de se expor. Isso significa que teremos de repensar nossos conceitos sobre exposição e também sobre não exposição. O que antes era de domínio privado pode ser um novo espaço público. Do mesmo modo, o que antes era público, mas nos parecia longe do olhar alheio, agora pode não ser mais. Há uma nova esfera pública na qual teremos de praticar uma nova forma de percepção. Uma nova forma de provocar a percepção nos outros. E uma nova forma de compreender a percepção em nós.
Alguém duvida que esses "mandamentos" estão aí agindo a pleno vapor?..