Por exemplo, o gasto total com combustível dos ônibus foi 30% maior em 2006 com relação a 2005. O custo subiu de R$ 44 milhões no ano passado para R$ 57 milhões neste ano. Entretanto, o preço do litro do óleo diesel, utilizado nos ônibus, subiu apenas 13% neste mesmo intervalo, o que daria um custo bem menor do que o gasto apresentado pela prefeitura.
Não há justificativa, de acordo com o vereador Antônio Donato, para a diferença de valores. “Só posso supor que há uma distorção”, diz ele. Para Donato, existem “interesses escusos” por trás desse suposto superfaturamento.
A depreciação dos veículos utilizados para o transporte, que acumulou R$ 41 milhões neste ano, é outro valor com suspeita de ter sido superfaturado. O custo é 51% maior do que o medido em 2005. Já a variação real do preço de cada ônibus cresceu 19%, bem abaixo da depreciação total. Comparando os dados, Donato indaga: “Uma alta depreciação indica que a renovação [da frota de ônibus] foi alta? Quantos veículos ingressaram no sistema de transporte público para que a variação de custo seja tão alta?”.
“Esses dados, na verdade, antecipam o investimento que a prefeitura quer fazer em 2007, para a renovação de 3 mil ônibus”, diz o vereador Donato, que explica que a conta será paga pelos passageiros. Quem sairá lucrando são as empresas concessionárias, cuja obrigação contratual de renovar a frota será “subsidiada” com o aumento das passagens. “O prefeito Gilberto Kassab também quer garantir sua própria reeleição em 2008”, afirma Donato.




