quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

o politicamente correto

Hoje estava lendo uma notícia na internet relatando a proibição do ato de fumar em lugares públicos na França. Bom, eu não sou fumante, e nunca fiz apologia do cigarro, mas eu fiquei pensando sobre o bom senso desse tipo de atitude.
Segundo a notícia, 25% dos franceses fumam, é um povo "chaminé". Tudo bem, isso não justifica, mas o que justifica você cercear a liberdade das pessoas em lugares públicos? Aí você pensa: mas é cigarro, faz mal a saúde. Mas será que alguém já parou pra pensar porque realmente o cigarro faz mal a saúde? Será por causa daquela folha de fumo? Ou será por causa dos zilhões de componentes químicos que vão embutidos naquele pedaço de papel enrolado e feito sob medida pra que você se envenene?
Desde tempos imemoriais, o ato de fumar faz parte da cultura humana. E não é preciso ir longe, é só observar os nossos indíos aqui. Fumavam (e fumam) ervas as mais variadas e com os mais variados efeitos, tanto pra sentir prazer como pra criar uma simbologia cultural. Acho que poucos duvidam que a civilização indígena (pelo menos a nossa; a original, antes do contato com o "homem branco") era (e é) uma das comunidades humanas mais saudáveis que existe.
Então eu deixo a indagação: o que é realmente prejudicial a saúde, o ato de fumar ou a maneira como o sistema se "utiliza" do ato de fumar pra "sugar" nosso dinheiro, nosso espírito e nossa saúde?
Não é mais simples e de bom senso fazer uma auditoria de salubridade na produção da Philip Morris adequando as cigarrilhas ao não apodrecimento dos nossos pulmões?

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

eu estou cansado de roer osso..


..mudanças são necessárias, preciso colocá-las em prática. Pra que sempre desfrutou de bons bifes e carne de qualidade, roer osso é uma experiência fundamental, e enriquecedora. É algo que te transforma muito, no que tange a personalidade, ao mesmo tempo que te faz enxergar o mundo de uma maneira, digamos, muito mais "pesada". E isso é bom.
O problema é que passar a vida mastigando osso também não é uma boa política, a não ser que você seja um ser masoquista/idealista/maluco. Depois que o aprendizado da experiência passa, a coisa precisa voltar a sua trajetória normal. E eu estou pensando em como fazer isso, com os meus próprios pés, braços, cabeça e boca (um desafio).
Fazendo as contas, 1 ano e quatro meses de osso entre os dentes. É hora de mirar o filé.

sábado, 27 de janeiro de 2007

empty spaces dicas: "King Kong" (1976)

(Jessica Lange sofrendo na mão do macaquinho)

Na última quinta-feira, eu estava zapeando os canais quando me deparei com essa pérola das minhas tardes infanto-juvenis na frente da TV. Conheço poucas pessoas que não tenham visto esse filme, normalmente mais novas, pois da minha idade pra cima, todo mundo já viu.

O mais legal foi que tive a oportunidade de ver esse filme por um outro prisma, com uma outra cabeça, e, por conseqüencia, com outras interpretações. Por óbvio, quando eu tinha meus 11, 12 anos de idade eu assistia o dito apenas pensando nas pernas da Jessica Lange e nos efeitos especiais daquele macaco de 30 metros de altura (na época eles eram bem legais, pelo menos eu achava; isso porque o filme já era velho praquele tempo - começo dos anos 90). Isto é, pura diversão num filme de terror-suspense meio kitsch que me distraía e fazia minhas tardes pós-escola da pré-adolescência algo interessante.

Nessa "releitura" que tive oportunidade de fazer, pude reparar melhor nos diálogos do filme, e em toda a carga simbólica que essa história carrega e nós (pelo menos eu) solenemente ignoramos (ou ignorava). Em suma, a questão do relacionamento homem/mulher e todas as suas "facetas".

Um gorila gigante e uma frágil garota, face a face, travando um "diálogo" onde um tenta entender o outro, cada qual ao seu modo "X" ou "Y" de ser.

A seqüencia em que o nosso amigo Kong tenta tirar as roupas (já mínimas) da mocinha Lange enquanto tem que brigar com uma cobra gigante, e ver a sua "amada" escapar com outro (no caso, o mocinho do filme -Jeff Bridges-) é ao mesmo tempo de uma simplicidade e de uma simbologia gritantes.

Enfim, é um filme que ajuda, de uma maneira quase até grotesca, você a entender porque aquela mocinha que você gosta se faz de "difícil" e/ou não dá bola pra você, bem como o porquê de você não entender porque é tão difícil entender as nuances da alma feminina. Em especial pr´alma daquele ser feminino que te faz regredir aos estágios mais primitivos dos seus sentimentos primatas (adorei o pleonasmo dessa frase).

Eu recomendo sim. Pra quem ainda não viu. Tecnicamente não tem nada demais, um filme regular, mas pitorescamente essencial.

Ficha Técnica:

"King Kong" (1976) - 2ª refilmagem (EUA) - 134 min

direção: John Guillermin

elenco: Jeff Bridges, Jessica Lange, Charles Grodin, John Randolph

roteiro: Lorenzo Semple Jr.

gênero: aventura

idioma: inglês

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

thrummmmmmmmmmmmmmmm..!

Depois de muita enrolação eu comprei um liqüidificador pra mim (sim, eu vivia sem um liqüidificador). Bom, pelo menos a minha vida anda mais "cremosa" ultimamente. Desde o nescau batido com leite, até as mais complexas vitaminas a base de frutas tropicais. O difícil está sendo resistir a tentação de usá-lo como ralador de cenouras. Ainda é muito cedo pra eu tentar arrebentar com o coitado.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

"from here (alway) to eternity"

Hoje acordei e sentei direto a bunda na cadeira do computador só pra escrever isso, antes que eu me esqueça (eu nunca lembro dos meus sonhos meia hora depois que eu levanto da cama).
Merece uma postagem aqui no blog (e lá no Sleepy Feeling) pois é um sonho "sui generis", que não acontece sempre. Primeiro, porque ele se repetiu por três vezes exatamente do mesmo jeito, nas mesmas circunstâncias, e com os mesmos detalhes, em dias diferentes. Segundo, porque em todas as noites que eles surgiram eu acordei bem no dia seguinte, e animado.
Basicamente, eu cheguei numa casa, um chalé, parecido com aqueles dos hobbits no filme "Senhor dos Anéis" (só que em versão normal, e não em miniatura como aqueles). Era no entardecer, se não me engano. A casa ficava no alto de uma campina, no meio de um campo (lembro que havia uma serra no horizonte ao fundo, parecida com a Cantareira que eu vejo aqui da minha janela).
Bato na porta, e uma pessoa me recebe. Entro, e encontro uma penca de gente (uma família) fazendo a maior bagunça, e se divertindo. Haviam duas camas num canto, alguns sofás, e uma lareira (acesa) ao fundo. Eu identificava alguns rostos conhecidos nessas pessoas, da minha família inclusive, mas a família na verdade era da pessoa que eu estava procurando (descobri isso no final do sonho).
Olhei para todos, procurei, e perguntei: "Onde está a Bruna?". Uma pessoa sentada numa cadeira de balanço estica o dedo e aponta pra uma menina escondida atrás de duas pessoas, numa das camas, com o rosto enfiado no travesseiro. Era ela.
Nesse ponto, o sonho dá um corte, e lembro de subir algumas escadas com ela e chegar em algo que parecia um sótão, com uma sacada que dava de frente pra essa serra que eu citei. Do nada, começou uma "trilha sonora" no sonho (não tinha aparelho de som no chalé, frise-se, pelo menos eu não vi). Eu lembro que o refrão repetia a frase "rolling to the river", algo assim. Depois me lembrei que existe uma música do Creedance Clearwater Revival com um refrão parecido, ou de uma banda parecida.
Ela chegou numa estante, pegou um livro vermelho vinho, abriu, e começou a ler uma poesia, o título era "from here (alway) to eternity" (o texto era em inglês, mas ela recitou em português mesmo). Eu lembro em detalhes da poesia, mas sinceramente, não sei porque, não consigo escrever aqui. Frase por frase. Só sei que falava sobre a busca por ideais, sobre amizade, as pessoas de quem gostamos, e, no final, sobre a morte (se não me engano a última estrofe, essa parte não lembro bem -- nesse momento do sonho começou a aparecer uns créditos na "tela", como se estivéssemos no fim de um filme no cinema -?-), ou sobre algo muito melancólico.
Interessante que durante todo o sonho a minha querida amiga Bruna não dirigiu uma só palavra a mim (tirando a poesia), só sorria. Todas as outras pessoas que apareceram no sonho também conversavam entre si, mas nenhuma se voltou diretamente falando comigo. Era como se eu estivesse num lugar onde ninguém me conhecia, um forasteiro. Mas todos me aceitavam.
Enfim, esses "créditos" apareceram e o sonho acabou (essa parte eu não lembro bem). Mas o que me deixou encucado foi que o sonho se repetiu exatamente do mesmo jeito em três noites. Na primeira, o sonho parou no começo, enquanto estava no andar debaixo do chalé, na segunda e na terceira, foi por inteiro. Se não me engano, a única diferença é que no segundo sonho não tinham esses "créditos" no final. Aliás, em meio a nomes russos, ou nórdicos (sei lá), haviam nomes de pessoas conhecidas e próximas nesses créditos.
Bom, outra coisa que me lembro muito bem é que depois desses sonhos eu acordei com uma sensação muito boa de bem estar. Inclusive agora (vai dar pra aproveitar bem o feriado). Algo como uma "lavada no espírito".
Alguém aí arrisca desvendar o significado disso tudo?

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

part of the plan

(por Hubble)
Trying hard to speak and
Fighting with my weak hand
Driven to distraction
It's all part of the plan
(por Coldplay - "X&Y")

sábado, 20 de janeiro de 2007

sanduíche prensado


Nessa última sexta eu e minha amiga Cris, num dos nossos muitos papos "cabeça" involuntários, começamos a discutir e filosofar sobre, afinal, qual seria a razão de ser da nossa existência (reparem como somos modestos).

Bom, esses dias eu saí do meu trabalho, coloquei meu MP3 no ouvido (rolando uma seleção de britpop carinhosamente preparada) e comecei a pensar muito nisso. Em como nossa existência é pobre, limitada, alienante e blasè (eu pensei em vários outros adjetivos, mas não quero deixar os parcos e nobres leitores desse blog ainda mais "deprês").
Estava observando como nossa vida gira em torno de um "fino fio" de frustração, satisfação de pequenos prazeres materiais, pressão (com um sopro de alívio no final do dia - aquela cervejinha básica) e descompressão (não o suficente pra que você acalme seu espírito). Na prática, o "sistema" me dá um trabalho que supre as minhas necessidades básicas de alimentação, vestimenta, e locomoção. Deixa uma "sobra" pra que eu gaste um mínimo com os "prazeres da vida", e depois me joga contra as cordas denovo, manda um direto de esquerda, alguns "jobs", e no final do dia eu tô no chão denovo. Aí vem o juiz, deixa que eu me recupere na lona, e me manda pra mais um round. E assim vai.
Eu na hora me lembrei do sanduíche prensado que o pessoal vende no centro de SP. Na verdade é um cachorro quente. Eu sempre passava em frente a uma lanchonete que vendia o dito na Av. Ipiranga, e um dia estava passeando por lá com minha amiga Tais e resolvi experimentar (imaginava que fosse bom). E me decepcionei. É seco, sem gosto, o pão esfarelava na minha boca, um dos piores lanches que eu já experimentei na vida.
Talvez eu esteja forçando um pouco a barra fazendo essa comparação, mas às vezes é assim que me sinto. Aliás, cada vez mais freqüentemente. Um sanduíche prensado, e levemente irado. E tão ruim e sem gosto como esse "hot-dog" do centrão paulistano.

domingo, 14 de janeiro de 2007

o advogado etéreo

Essa semana passada eu fiz a minha primeira petição "etérea". E nem adianta tentar explicar do que se trata porque seria impossível. Mas quem enxerga no sol mais do que uma simples bola de gás pegando fogo no espaço irá me entender, tenho certeza.
Como em toda petição etérea, a causa não era das mais simples. Qualquer advogado de bom senso e com pragmatismo no coração diria que é uma causa perdida. Causas com valores inestimáveis são causas perdidas, diriam eles.
Bom, eu fiz, e protocolei. Em que pese o cliente ser eu mesmo, o que torna tudo mais difícil, acho que fundamentei bem o "libelo" e lancei os argumentos de uma forma coerente e relativamente bem centrada. Pelo menos não corro o risco de levar um despacho fulminante por inépcia (falta de pressupostos de validade), o que já é algo relevante num pedido desse naipe, tudo estava no seu devido lugar.
No que tange ao pedido em si, a coisa é diferente. Na verdade não faço a mínima idéia do que o juiz irá decidir, e nem se ele irá decidir (por incrível que pareça, nesse tipo de caso o juiz não é obrigado a decidir nada; o mínimo que ele precisa fazer é dar um despacho de ciência, o que já foi feito). De qualquer maneira, eu testei mais uma vez a minha capacidade desengonçada mas ao mesmo tempo sincera de demonstrar meus sentimentos.
Eu na verdade prometi a mim mesmo que não voltaria a me expor assim, das outras vezes que tomei atitude semelhante no final eu dei com os burros n´água (como era previsível). Mas eu tenho um problema sério com um lado pretensamente romântico desvairado da minha alma que parece ser incorrigível. A sapiência diz também que advogados não podem ser românticos, advogado romântico não funciona, a carteirinha da OAB vira um enfeite (isso eu sinto realmente na pele).
Enfim, em que pese o bom trabalho da petição, eu esqueci de me preparar para a sustentação oral ("que raio de advogado é esse?" diriam alguns). Tive mais de 4 horas ininterruptas (isso sim é que é prazo!) para transformar em voz todos aqueles argumentos mas fiquei a maior parte do tempo em silêncio, sorrindo abobalhadamente pra outra parte (se não tivesse advogando em causa própria, já teria sido destituído do feito).
Hoje eu acordei e fiquei pensando sobre o quanto vale a pena abraçar causas "etéreas". Por mais que meio mundo tente me convencer do contrário (realmente não são poucos), eu ainda sou maluco o suficiente pra isso.