quinta-feira, 19 de abril de 2007

série "figurinhas do mundo alexandrino": o biscoito Traskine (postagem de aniversário)


Todos nós temos biscoitos em nossas vidas. Com ou sem consciência disso. Seres que trazem um pouco do sabor doce que toda e qualquer existência precisa ter. Obviamente não existem só os biscoitos, mas eles possuem aquela peculiaridade de estarem conosco nas horas que mais precisamos (não sei se vocês já repararam nisso). Ali emcima da mesa solitários e pensativos. Ou em bloco, todos juntinhos. Quem, em sã consciência, não deixa sempre um pacotinho dos ditos guardado na dispensa?..

Esse é o biscoito traskine, um biscoito fêmea, deixemos bem claro (tá meio difícil de identificar, mas é.. hehehe..). Desconfio ser o único biscoito de 28 anos* de idade que eu conheço. Temos uma amizade muito boa. Amizade que surgiu da ligação com um outro ser "docilínio" que de uma certa forma me apresentou a ela. Já se vai mais de ano. E a amizade segue firme e forte.

É um biscoito cientista social e que gosta de Blur. Muito chique isso. Coisas aliás que eu gosto tb, ou seja, nunca falta papo entre a gente. Falar sobre música, pessoas, ciência política, e banalidades.

Biscoitos são cheios de qualidades, e é difícil ficar enumerando todas (lá vou eu plagear a moça denovo.. hehehe..). Algumas?.. Bom.. senso de humor (característica infalível dos biscoitos), uma perseverança que me dá inveja (apesar de ela se dizer um biscoito resignado), paciência.. e principalmente, é uma amiga cúmplice (coisa rara entre as amizades hj em dia.. que andam muito frágeis e fugazes - ainda vou fazer um post sobre isso). Enfim, daquelas pessoas que você senta e pensa: "gostaria de ter essa força.. essa firmeza na alma.."

E você pergunta: cumplicidade com um biscoito?.. Pois é, é isso mesmo. A humanidade que pode existir em um biscoito é muito maior do que imaginamos muitas vezes. Você logo pensa no recheio.. em tirar a "tampinha".. mas existe muito mais coisa ali. Coisas que só percebemos qndo sentamos e refletimos sobre a "natureza ontológica do biscoito" (relembrando minhas aulas de filosofia do Direito.. hehehe..).

Garanto que a partir dessa postagem vocês irão refletir muito mais sobre os "biscoitos" que existem em suas vidas. Ou se não fizerem, façam!.. hehehe. Pois biscoitos são discretos, estão ali quietinhos.. mas são fundamentais.

OBS: essa foto está em escala reduzida.. "biscoito traskine" é da altura de um prédio de 10 andares.

postagem original editada em 12/11/2005.
* a postagem foi editada a 2 anos atrás, portanto, atualmente, "biscoito Traskine" completa 30 anos de idade.

quarta-feira, 18 de abril de 2007

férias

Pois é, uma sensação diferenciada de que você deu um tempo e tirou das costas aquele piano de calda que carregava a um ano. No meu caso, será ao mesmo tempo uma pausa pra reflexão e pra ação. O desafio é depurar e botar em prática em 30 dias todas as idéias que ficam passeando na minha cabeça. Mãos à obra.

domingo, 15 de abril de 2007

"She Came in Through the Bathroom Window" (um causo)


Alex: Oi, você vem sempre aqui?
Vaca: Claro, eu moro neste pasto...
Alex: Verdade, desculpa.
Alex: Faz tanto tempo que não pego uma "balada campestre" que acabo dando esses foras.
Vaca: Não esquenta... (mascadinha básica de campim).
Vaca: Isso que você tá tomando é café?
Alex: É sim, acabei de fazer lá dentro, quer um pouco?
Vaca: Não obrigada, eu não suporto café. Vocês misturam essa coisa com leite, e só de pensar nisso eu já começo a ficar zonza.
Alex: Você é solteira?
Vaca: Sou sim, tá vendo aquelas duas outras vacas ali no fundo? São minhas amigas... Eu apostei com elas que não ia sair "zerada" desse pasto hoje, e que ia "catar" você.. hehehehehe.. (risadinha de vaca).
Alex: Hummmmmmmmmmmmmmmm.. bem direta a moça.
Vaca: Você sabe, dar uns beijos, uns amassos.
Alex: Olha vaca, eu achei você muito simpática, mas é meio complicado. Eu sou um cara tímido, reservado, na verdade nem sei bem o que estou fazendo aqui nessa cerca de pasto observando essa "rave campestre".. Além do mais, olha o tamanho da sua boca e olha a minha, não ia dar certo.
Vaca: É verdade...
Vaca: Mas você até que é bem ajeitadinho pra um ser humano, gostei de você... (piscadinha de olho).
Alex: Obrigado vaca, são seus olhos...
Alex: Mas vai lá, não vai me dizer que não tem nenhum touro ou um bezerro novinho aí na "pista" pra você dar uns malhos? Dá um giro...
Vaca: Pois é.. o problema é que o único bezerro do cercado é gay, e ainda por cima é filho daquela amiga minha ali, não ia pegar bem, né?..
Alex: Ãhnnn... complicado.
Vaca: Mas eu vou lá, vou ver o que minhas amigas estão aprontando com as gramínias.. hehehe.. (risadinha de vaca 2)
Alex: Ok, vai lá.
Vaca: E não deixa elas virem "tirar uma casquinha" hein?.. você já tem dona aqui no pasto!.. (abanadinha de orelha pretensamente sexy) ..se cuida, bonitinho.. (piscadinha de olho 2)
Alex: Pode deixar.. boa pastagem pra você!
Vaca: Beijinho.

foto por Juliana
postagem original editada em 20/01/2006

quarta-feira, 11 de abril de 2007

"Ave Lúcifer"

As maçãs envolvem os corpos nus
Nesse rio que corre
Em veias mansas dentro de mim...

Anjos e Arcanjos não pousam neste Éden infernal
E a flecha do selvagem
matou mil aves no ar...


Quieta, a serpente
se enrola nos seus pés
É Lúcifer da floresta
que tenta me abraçar...

Vem amor, que um paraíso
num abraço amigo
sorrirá pra nós
sem ninguém nos ver...


Prometa abrir meu amor macio
como uma flor cheia de mel
pra te embriagar
Sem ninguém nos ver...

Tragam uvas negras
Tragam festas e flores
Tragam corpos e dores
Tragam incensos e odores

Mas tragam Lúcifer pra mim
Em uma bandeja pra mim...

(letra e melodia por Mutantes)

* o cache da modelo foi gentilmente cedido em benefício do "Clube dos Corações Solitários do Sargento Pimenta"; instituição inglesa séria e respeitada (com filiais em todo o mundo) que vem fazendo um trabalho fantástico em prol do desenvolvimeto afeto-empático-musical das pessoas desde 1967.

sábado, 7 de abril de 2007

"So ya, thought ya, might like to go to the show.."

Yes, I did.

Com um razoável atraso, cá estou eu pra relatar a minha última experiência de audição musical coletiva. Experiência "sui generis", com certeza. Pois dificilmente voltarei a ver algo do gênero. Não só porque esse tipo de "estética pop" está em extinção (o que os críticos chamam de "shows de rock afetados e megalomaníacos"), como o articulador do tal espetáculo também já está quase lá "no bico do corvo".

Bom, estou falando do show do Senhor George Roger Waters, ex-membro de uma singela banda de rock chamada Pink Floyd. Os leitores mais habituais desse blog já puderam perceber que eu sou um admirador do som da banda. O título do espaço aliás denuncia isso. Então, como fã do som, serei obviamente parcial.

Todos nós temos aquelas situações/eventos em que não pensamos duas vezes antes de torrar nossas economias financeiras. No meu caso, os shows das minhas bandas favoritas de rock. Nesse evento em especial o aporte de recursos financeiros foi violento, mas valeu a pena.


No aprazível sábado 24 de março, chegamos ao estádio por volta das 16 horas (o show era as 21 horas). Eu, "bobby-irmão", "bobby-irmã", "bobby-pai" (show em família; aliás, essa era talvez a principal "tribo" da noite). "Bobby-pai" a princípio não iria ao show, mas não resistiu em escu
tar o dito do lado de fora e apelou aos cambistas faturando um ingresso a R$75,00 (o mais barato -inteira- era R$140,00, se não me engano). Isso sim é que é saber negociar "sob pressão" (em especial pro lado do cambista).

Além da família "bobby", mais dois amigos iriam ver o senhor Waters lá do gargarejo. Privilégio que me espacapou pelos dedos por uma diferença de duas horas na compra dos ingressos. Mas depois eu me resignei e não me decepcionei com o visual que tive do palco. Ficamos quase de frente para o dito com uma visão, digamos, bem "holística", o que é muito importante pra esse tipo de show (na verdade, o baixista que criou isso tudo é um mero detalhe lá no meio).

Bom, vamos pro show. Quando entrei no estádio e procurei uma boa cadeira pra apreciar o espetáculo, fiquei reparando no fundo do palco numa imagem que parecia uma maquete gigante. Uma vitrola, uma garrafa de uísque e um aeromodelo de brinquedo. Na verdade, era um telão. O negócio era tão perfeito que demorou pra cair a ficha do que se tratava. E aquela singela imagem de um quarto nostálgico fez com que eu sentisse algo parecido com um "insight". Daquele ponto em diante, eu tive uma sensação ímpar de que o investimento valeria a pena, e que eu teria uma noite especial.

Por volta de uns 15 minutos antes do horário marcado, uma bela voz feminina anunciava que o show estava prestes a começar. O povo começou a urrar. Ela também pede pras pessoas das cadeiras do gramado permanecerem sentadas durante o show. Esse pra mim foi o ponto mais baixo de toda a noite. Isso não é coisa que se peça pra um público de show de rock and roll, por mais solene, "cabeçudo", e "viajante" que seja o clima do dito. Foi ridículo.


Enfim, a gritaria aumenta quando uma fumaça de cigarro aceso aparece no telão, uma mão surge e abre a garrafa de uísque e despeja uma dose no copo. Liga o rádio da vitrola e sintoniza numa estação que toca Elvis. Desse momento em diante, eu pude presenciar um senhor show de música pop, com "P
" maiúsculo.

Depois de passear no "dial" durante uns 10 minutos, deixando o povo excitado, aquela imagem de letargia da lugar aos martelos facistas de In the Flesh?. Talvez a melhor música já criada pra abrir um show de rock. Waters intima o povaréu trazendo algumas "bad news", reclamando que não foi com a cara daquele sujeito regulando o canhão de luz, nem com aquele outro fumando um baseado na primeira fila, muito menos com aquele "crioulo" e aquele judeu batendo palma e gritando lá no canto da platéia. Ironia fina.

Em seguida vem Mother. Clássica. Voltando à imagem e ao clima daquele melancólico quarto de hotel onde permanece estático o grande "herói" da noite.

Na seqüencia, Set the Controls for the Heart of the Sun e Shine on you Crazy Diamond. No momento mais lisérgico e psicodélico do show (um dos melhores, na minha opinião), com imagens da banda em início de carreira, uma "viagem pelo espaço sideral", e fotos do genial Syd Barrett lançadas entre as estrelas, numa bela homenagem pro cara que começou e arquitetou tudo.


Nesse ponto, Waters põe o "pé no chão" denovo e lança
Have a Cigar. Um rock/blues classudão que ficou excelente na versão ao vivo dessa turnê. Apesar dessa música sempre ter ficado meio escondida, eu sempre gostei dela. Fazendo um relato sarcástico e despojado da vida no "showbiss", e indiretamente da entrada sempre deslumbrante e inocente que todos nós temos na chamada "vida adulta".

Segue Wish you Were Here e a platéia em coro cantando. Um dos momentos "hit" da noite. Bom, essa música dispensa comentários. Todo mundo sabe do que eu estou falando.


Logo após, o nosso amigo Waters abaixa a bola e deixa o show intimista, atacando com o álbum mais deprê do Floyd e suas músicas solo. Southampton Dock, Fletcher Memorial Home, Perfect Sense e Leaving Beirut. Apesar de ser liricamente bela (com belas imagens e alegorias no palco), é a parte musicalmente mais fraca do show. O povo "arroz de festa" fica meio perdido nessa hora. Uns vão ao banheiro, e outros vão comprar cerveja.


Depois de "descer a lenha" na Rainha da Inglaterra e no nosso queridíssimo Bush, ele vem com Sheep, música do álbum mais "punk" (se é que dá pra chamar assim) do Pink Floyd: "Animals". O povo volta a ficar animadão. Principalmente depois que o inconfundível porco rosa alça vôo sobre a platéia pichado com frases mais do que pertinentes como "All we need is education", "Ordem e Progresso?", "Killers, leave the kids alone!", "Salvem a amazônia", e "Bush, o Brasil não está a venda" (essa aqui pichada num ponto, digamos, estratégico do suíno). Aliás, foi excelente essa iniciativa de pichar o porco com assuntos locais por onde a turnê passava (as frases foram escolhidas por uma votação na internet, se não me engano).


No final da música, o porcão foi solto e foi embora passear pelo céu de São Paulo. Fiquei sabendo depois por um blog na internet que parece que o porco saiu do estádio do Morumbi, atravessou a marginal do rio Pinheiros e explodiu (pelo excesso de atitude) na altura do bairro Pinheiros (tem até
foto de um sujeito com os "restos mortais" dele). Ou seja, o porco estava indo em direção ao estádio do Parque Antártica (era só o que me faltava).

Aqui Waters fecha a primeira parte do show e faz um intervalo (é o único show de rock que eu vi até hoje que tem um intervalo de 15 minutos). Durante essa pausa, a imagem da lua fica estampada no telão, como que anunciando o que estava por vir.


O melhor momento do show, sem dúvida (nem precisava dizer), estava pra começar. Aquela inconfundível batida do coração começa a ressoar pelo estádio e faz o povo soltar palavrões de satisfação (eu soltei o meu também, mas acho que só o velhinho-maconheiro-gay-aleijado que estava acompanha
ndo o show do meu lado escutou; aliás, essa figura dá uma postagem a parte aqui no blog). Começa a rolar a performance na íntegra do sensacional Dark Side of the Moon. Exatos 42 minutos de puro rock and roll de primeiríssima linha.

"Breathe, breathe in the air.. don´t be afraid to care". Todo mundo estufa o peito pra cantar. A execução de Breathe foi muito fiel ao original. Aliás, todo o disco foi interpretado de forma a manter o máximo da essência dos arranjos do disco original. Taí uma diferença fundamental das performance do Waters pro resto dos membros do Pink Floyd.

Os "loops" the On the Run na vitrola já são enebriantes, ao vivo ficaram sensacionais. Time foi executada também tentando imitar aquele "punch" único da gravação original. O solo de guitarra em especial lembrou os melhores momentos do Gilmour. "You fritter and waste the hours in an offhand way...". O nosso amigo Waters não grita como o "senhor Barriga" (apelido carinhoso do guitar player do Floyd), mas bota a mesma emoção do tempo em que o citado guitarrista ainda tinha um pouco de alma roqueira.


E por falar em alma roqueira, The Great Gig in the Sky talvez seja uma das maiores e mais autênticas músicas de rock que já foram feitas. Isso sem nenhum acorde de guitarra. Apenas um piano, um baixo, e uma voz feminina i
nspirada. No show, Waters procurou novamente ser fiel ao original, e fazer sua backing vocal soar o mais parecido possível com os gritos da Clare Torry lá em 1973 (muito provavelmente, em um dos seus dias de TPM). Pra mim, um dos melhores momentos do show.

Money foi muito bem executada também, mas eu já vi e escutei versões melhores que o Waters fez em shows solos anteriores. Aqui também fez falta a voz do Gilmour, bem como em Us&Them. Talvez o melhor momento do show. Aliás, difícil um show em que essa música seja executada e ela não roube a cena. Melódica e liricamente perfeita.


Enfim, toda essa seqüência final deu o ápice do espetáculo. A mudança radical pra psicodélica e esquisofrênica Any Colour You Like, fazendo a ligação com a fina ironia de Brain Damage, e o final épico, romântico e ao mesmo tempo desiludido em Eclipse. Mesmo que você ache Pink Floyd algo muito chato, e acredite piamente que o rock não pode se meter a ser "música adulta", não há co
mo não se render emotivamente a essas músicas.


Todo o álbum é dilascerado no palco com uma elegante imagem da Lua passeando entre as cores do prisma. Parafraseando o próprio senhor Waters tentando explicar a sua "mensagem" com a obra: É apreciar de camarote uma viagem sonora pelas nossas contraditórias "cores existenciais".


Teoricamente, é o fim do show. E o Waters volta para o bis, todo animadão. Aliás, eu me surpreendi com o humor dele. Brincalhão, agitado. Digamos que é algo pra lá de raro de se ver.


Depois de um breve silêncio no palco, no meio da escuridão, surge um canhão de luz apontando pra platéia, e uma voz grita: "You!, yes you!!.. stand still laddie!". Começam aquelas "marteladas" do contra-baixo mais paranóico do rock and roll, anunciando The Happiest Days of Our Lifes. Nesse momento, os "arroz de festa" ficam agitados pra entrada do hit pop Another Brick in the Wall. Essa aí, até o vira-lata lá do lado de fora do estádio na sarjeta cantou. Perfor
mance com direito a participação de uma molecada do "Projeto Guri" (algo relacionado a uma ONG que cuida de crianças carentes, se não me engano) no palco. Todos vestidos com os dizeres "o medo constrói muros". Ficou bonito, combinou com o espetáculo, mas era dispensável.

Seguiram Vera e Bring the Boys Back Home pra introduzir a impecável (sempre) Confortably Numb. Mais uma vez o nosso caro Waters tenta ser o mais original possível. Porém, aqui, não há quem substitua o solo do "senhor Barriga". Nada que tire o mérito da performance do esforçado "capanga" do Waters, nem a cara de atortoado do blogueiro que vos fala aquele dia na platéia.

É o fim do show, volta no telão a imagem do nosso amigo lá do começo (o do uísque, você lembra; existe um dele dentro de você), inerte sentado na cadeira enquanto rola o solo de guitarra. Por sinal, essa música foi uma bela escolha pra encerrar o show. Por que, pro bem ou pro mal, é assim que a gente costuma sair de um bom show de rock, confortavelmente entorpecido. Não foi diferente.


E pra concluir, quem gastou (em média) mais de 100 pilas pra ver esse show não estava procurando a última revolução sonora, nem que o Waters fosse apresentar em primeira mão algum tipo de "The Wall" ou "Dark Side of the Moon" do novo milênio. Até porque tudo isso que ele e os quatro ex-colegas fizeram lá no final dos anos 60 e começo dos 70, continua, por incrível que pareça, bem atual.

Aquela multidão que compareceu ao estádio do Morumbi queria "mais do mesmo", e isso não é necessariamente ruim, como os detratores costumam argumentar. Ainda mais quando esse "mesmo" é desse nível. Quem é esperto e inteligente sabe disso, e aprecia. Valeu sim, e muito.

fotos por Henrique e http://ubbibr.fotolog.com/pink_floyd_1967/

terça-feira, 3 de abril de 2007

George Foreman Grill, o jabá

Bom, eu não costumo fazer propaganda de eletrodomésticos no meu blog, mas vou abrir uma exceção. Hoje inaugurei o meu "George Foreman Grill". Na verdade, todo mundo conhece essa firulinha. Qualquer um que teve acesso a um aparelho de TV nos últimos 5 anos já viu Mister George Foreman pagando o maior mico com esse avental brega fazendo cara de bobo-alegre pra vender essa grelha elétrica.
Essa postagem num primeiro momento pode parecer algo pra lá de tosco e idiota, mas ela tem uma razão de ser. É porque o negócio é bom mesmo, extremamente útil pra "solteiros preguiçosos pós-modernos" como eu. Como eu sei que alguns "solteiros preguiçosos pós-modernos" visitam esse blog (olha a carapuça!), fiz questão de escrever aqui antes de dormir hoje.
O único trabalho realmente grande que você tem que ter é ir no supermercado comprar umas fatias de bife. E dar uma limpada rápida na grelha depois do uso (essa foi a parte que eu mais gostei). Na verdade, o que me deixou feliz foi que reduzi meu tempo médio de preparo de uma janta de umas 2 horas pra uns 25 minutos (por favor, não se assustem, mas essa era a realidade). Vocês não sabem como isso é importante pra mim.
Enfim, era só pra dizer que vale a pena comprar essa "mão na roda", sem constrangimentos. Sendo que eu sempre via a propaganda na TV e achava o negócio o maior engodo mercadológico do planeta.
Valeu George! Tem coisas que só o "american way of life" faz pra você: dá uma cevada na sua preguiça culinária suburbana tupiniquim, e enche a conta bancária do negão lá no norte.

quarta-feira, 28 de março de 2007

a proposta

Na qualidade de editores de livros técnicos e científicos, estamos ampliando nosso catálogo e abrindo espaço para novos autores.
Isto posto, formalizamos o convite e expressamos nosso interesse para que considere a possibilidade de publicar algum livro de sua autoria em nossa editora.
Asseguramos que o presente convite não representa simples proposta comercial, mas, sim, demonstração de real interesse e certeza de transformar seu eventual livro num sucesso editorial de grande valia para a classe.
Havendo algum interesse e possibilidade de sua parte, não hesite em contatar-nos para maiores detalhes e os devidos aprofundamentos.

Atenciosamente e muito honrado,

Vanderlei Coelho
Editor Chefe
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Quando abri minha caixa de entrada hoje, deparei-me com esse e-mail. É interessante como certos "spams" dão a sensação de que você está recebendo algo realmente pessoal e fazem seu ego inflar (mais do que já é inflado).
Isso me fez lembrar também que uma amiga minha almeja ganhar o Nobel da Paz. E que eu preciso colocar de volta o melhor da minha megalomania em ação. Pois foi ela que me trouxe até aqui.

terça-feira, 27 de março de 2007

humor negro faz bem ao coração

Bom, seguindo na temática relacionada a água, ela se tornou elemento central de um pensamento não muito engrandecedor que eu tive esses dias. Eu reparei que quanto mais velho você vai ficando, passando por certas experiências, vivências, acontecimentos, mais sarcástico e irônico você fica. É quase como se fosse uma lei natural, como aquela maçã atrevida caindo na cabeça do Newton.
Pois bem, estava eu voltando de ônibus pra casa, por volta de umas 18 horas, enlatado e encurralado dentro daquela jeringonça, em pleno horário do "rush" paulistano, quando comecei a pensar sobre quais seriam "os grandes problemas" da cidade de São Paulo.
Violência, poluição, todos os grandes temas críticos vieram a minha cabeça. Mas eu pensei, analisei, depurei, e cheguei a conclusão de que o grande problema de São Paulo era (é) o trânsito. É o que ferra e detona com essa cidade. Tirando um pouco do brilho e do prazer de todas as coisas boas que se pode fazer nessa megalópole (e não são poucas).
Depois de ter localizado/determinado o "grande problema", eu passei a pensar na solução. E simplesmente não achei nenhuma que funcionasse a curto/médio/longo prazo, apenas a longuíssimo prazo (e de uma forma muito complexa, o que me fez desistir de continuar "pensando").
Do nada, enquanto olhava da janela do busão as colunas gigantes que sustentam aquela "cagada arquitetônica" chamada "minhocão", um sorrisão gigante surgiu no meu rosto, e arrematou: é simples, é só dizimar algo em torno de 1/2 a 2/3 da população da cidade que tudo vira uma maravilha.
Aí eu me animei e pensei nos "planos" que poderiam ser executados pra colocar esse "insight" maquiavélico em prática. Sem muito esforço, veio o tal elemento água na cabeça (tão bem conhecido dos paulistanos). E a arquitetura da utilização do sistema de abastecimento de água pra envenenar uma porcentagem determinada da população, de forma rápida e certeira.
Tudo começaria por localidades como o prédio da Daslu, ou os arranha-céus "sem sal" da Faria Lima. Algumas quadras de Higienópolis, Pinheiros, Itaim-Bibi e Jardins. Outras áreas teriam que ser integralmente preservadas, como a Av. Paulista, os barzinhos da Vila Madalena, e claro, o condomínio do meu prédio.
O mais interessante é que depois de toda essa "viagem", o estresse que eu estava carregando comigo embora pra casa simplesmente sumiu. E eu me senti extremamente leve. Uma leveza de espírito que me deixou até meio abobalhado (é sério). E completamente convencido da minha capacidade de extravazar o meu lado "Dick Vigarista" de uma forma plena e sem constrangimentos.