segunda-feira, 14 de maio de 2007

"She Came in Through the Bathroom Window" (um novo capítulo?)

(será ele o novo namoradinho da vaca?.. suspense..)

* o nosso amigo da foto exigiu que os valores advindos do direito sobre imagem sejam doados ao sindicato dos gados pra abate do estado de São Paulo; documentação registrada em cartório sob o nº 33.694.936.958.201.555.078.374.665-87-A, tomo 29, livro III.

foto por Cristina Traskine.

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Urânia City: Tatooine - 20°14'46'' sul, 50°38'35'' oeste

Um relato pela nativa e moradora ilustre, mestre jedi Cristina Traskine. Aqui: She´s so high.

Homem-Aranha não é nerd, é emo!


Nada contra os "emos", mas foi bem decepcionante saber disso. Só pra constar, não sou fã do personagem, nem muito fã de filmes feitos com base em estórias em quadrinhos, mas fui ao cinema conferir a última aventura do Peter Parker.

O filme em si não é ruim. Contudo, não chega a ser algo que saia daquela normalidade muitas vezes entediante dos roteiros dos "blockbusters" norte-americanos. Pior que eu não lembro direito do primeiro filme da série (o único que eu tinha visto até então) pra poder fazer uma comparação.


Uma olhadela na película acaba valendo a pena e sendo agradável pelos excelentes e bem caprichados efeitos especiais e pela forma carismática como Tobey Maguire interpreta o super-herói. Talvez o mais humano dos super-heróis, um fotógrafo "nerd" que tinha tudo pra levar uma vida extremamente sem graça e monótona, não fosse a sua "missão". Esse filme, aliás, aposta forte como base do roteiro nessa "humanidade" diferencial. Levando o homem-aranha a entrar em uma crise de personalidade ao ter que lidar com seus contraditórios e muitas vezes sombrios sentimentos. Esse é o mote da história.

O que eu sinceramente não esperava era que em certa altura do campeonato o comportado e desengonçado "nerd" nova-iorquino fosse virar um atormentado "emo" buscando sarna pra se coçar. Mas logo eu me lembrei que filmes precisam ser vendidos, e que os "emos", assim como os "nerds", são um público-mercado (novo) a ser explorado.

De uma forma geral, o filme segue interessante de se assistir até um pouco depois da metade, quando o roteirista tenta "amarrar" a história e esmerdeia tudo. O final do filme é um dos mais clichês que eu já vi, mesmo para os padrões hollywoodianos.

Eu paguei meia-entrada, mas mesmo assim, acho que vale uma inteira (ingresso). Se você busca diversão cinematográfica leve e supérfula, é uma boa pedida.

img: http://www.icicom.up.pt

quarta-feira, 9 de maio de 2007

adiós amigos!

(cafézinho fresco do sítio do Mirtão, preparado pela Dona Maria)

Fazia um bom tempo que eu mesmo não preparava o meu café. Com esse friozinho que baixou em São Paulo, aproveitei pra voltar à ativa. Bem descalibrado, por sinal. Ficou sensivelmente fraco e sem açucar o dito cujo.

Nos últimos meses, estava vivendo a base de chá verde no quesito bebidas quentes cafeinadas. E recentemente notei que, apesar de saudável, a bebida dos monges budistas vinha me dando dor de cabeça, literalmente falando. Talvez seja a quantidade, duas canecas de chá seguidas num curto lapso temporal pode ser um exagero (levando-se em conta que o chá que eu compro é "orgânico"). Ou talvez seja algum tipo de simples rejeição química mesmo, sei lá (mas lógico que eu não vou deixar de ingerí-lo de vez enquando).

Também descobri que precisava me desfazer dos meus saquinhos de "porções individuais" (p/ uma xícara) de café instantâneo, os sobreviventes (são de uma antiga promoção da Nescafé, onde você comprava 30 envelopinhos e ganhava de brinde uma xícara, algo assim). Ontem à noite me deu vontade de tomar um, e providencialmente acabei olhando de relance a validade e descobrindo que a dita expirou em agosto do ano passado (!).

Na verdade, eles foram um antigo presente, e possuiam um certo valor afetivo pra mim, mas... não podiam continuar apenas ajudando a enfeitar a minha fruteira, ocupando espaço, e estragando aos poucos. Eram gostosos, apesar da pré-fabricação. Caíam como uma luva para aqueles momentos em que o paladar pedia algo com um certo "azedume" industrial. E não foram poucos. Companheiros de boas batalhas, internas e externas.

Enfim, adiós amigos!

terça-feira, 1 de maio de 2007

Urânia City: Tatooine, here I am

(jardim da morada de mestre Traskine, in a sunny sunday)

Por enquanto, só pra registrar: promessa é dívida, e cá estou eu. Postando ao som da buzina do trem carregado de soja que passa na rua de trás, dos pássaros cantando na bela árvore que registra tudo no portão frontal, da voz do Fran Healy cantando "Side" ali atrás na televisão, do cheiro gostoso do almoço caseiro sendo preparado, e do sentimento especial da amizade simples, profunda, verdadeira, e sem limites. Como diria meu pai, a vida é bela. E não há como botar essa afirmação em discussão. E eu sou apenas um aprendiz, no mundo das vivências autênticas.

segunda-feira, 23 de abril de 2007

no planalto central: a festança

Empty Spaces participou da festança de comemoração do aniversário de fundação da cidade de Brasília, dia 21. Seguem alguns cliques:

(tropeiros descendo a Esplanada dos Ministérios)


(versão turista, no olho do furacão)


(seguindo em direção aos palcos montados na esplanada; vários shows, mas eu só assisti Paralamas do Sucesso; apesar da equalização irregular do som e algumas paradas não programadas, boa performance)


(show pirotécnico no fim de noite)


(faltou um pouco de organização, temos que admitir; os fogos começaram com umas 3 horas de atrasado)


(mas compensou, já estávamos indo embora quando começou o dito e tivemos uma vista privilegiada)

domingo, 22 de abril de 2007

série "figurinhas do mundo alexandrino": "bis"inha da silva (postagem de aniversário)


Não é fácil conseguir uma foto dela assim. Ela não gosta de tomar sol e expor sua pele branquinha. Aliás, tem alergia aos raios do nosso grande irmão. Começa a se coçar toda e a "pipocar". E não fiquem paquerando muito que eu fico enciumado.. hehehe..

Bom, quem já conviveu com um "tablete" de bis sabe o qnto esses seres marcam a nossa existência. No caso de "bis"inha, essa convivência transcendeu a barreira da amizade corriqueira e chegou a patamares mais elevados. Quem consegue ter esse tipo de relação com um "bis", pode se considerar um privilegiado.

Assim como o "biscoito traskine", "bis"inha também tem 28 anos de idade*. É um bis ligeiramente genioso (pensem nos lados positivos e negativos da qualificação), mas adoravelmente meigo. Gosta de Oasis, e acha que o nosso amigo Noel Gallagher é uma espécie de divindade caminhando sobre o planeta terra. É o único "bis" jardineiro que eu conheço. Tive oportunidade de conhecer a pequena "floresta" que ela cuida no seu "cásulo", singela e ao mesmo tempo bela. Por falar em floresta, apesar de ela mesma não se dar muito conta disso, é um "bis ambientalista". Planta árvores com uma velocidade assustadora.

Desse ângulo da foto não dá pra notar, mas os "bises" (putz!..) possuem olhos. E esse "bis" em particular carrega um par de olhos que simplesmente me tira do sério. Todos nós temos aquelas situações/fatos/pessoas/emoções que nos entorpecem como um belo e grande copo de vinho. Imaginem isso e vocês saberão do que eu estou falando quando me encontro com esse bis e fito as suas "janelas da alma". Ainda não consegui definir uma cor para eles, então resolvi chamá-los de etéreos.

É um "bis" reservado, sempre está na dela, no que ela costuma chamar de "meu cantinho". Fala pouco, mas fala na hora certa (tá aí uma de nossas afinidades, admiro esse tipo de comportamento). É elegante, e tem um ritmo no andar que deve ser o mais peculiar entre todos os "bises". É um compasso diferente dos demais mortais.. estilo "Lemmings" (lembram desse joguinho antigo?) ..hehehe.

No mais, é um "bis" chocólatra (é bizarro, mas é verdade). Adora bolo de chocolate, brigadeiros, e afins. Aliás, é um "chocolate" que faz outros chocolates (as vezes eu me assusto com isso.. hehehe), que por sinal são deliciosos. Sou fã do bolo de chocolate da moça.

Tem uma relação de paixão por um pequeno ser chamado Igorlino da Silva, que ela trata como um verdadeiro filho. Presenciar os relatos que essa moça faz sobre esse pequeno ser numa espécie de "diário" que ela criou faz qualquer um parar e pensar: quem não quer uma mãe dessa para um filho seu?

Isso tudo num pequeno pedaço de chocolate. Eu sei que parece meio difícil de acreditar, mas é a realidade.

Assim como biscoitos, todos nós temos pelo menos um "bis" em nossas vidas. Eu só tenho um, e é esse aí. O que as vezes parece uma contradição, mas não é (quem se contenta com um?.. é o que diz a propaganda).

Eu não sei, muitos podem pensar: "mas você está exagerando Alexandre, um tablete de "bis" não tem essa bola toda não.. conheço alguns e não vi nada demais." Do que conheço da própria "Bis"inha, ela talvez concordasse com tal afirmação. Já iria me corrigir, dizendo que eu "viajo na maionese" e fico romanticamente "passeando nas nuvens" (bis é um chocolate cético). Afinal, é só um bis, que sempre está ali na caixinha, quietinho, pensando na sua própria vida de "bis".

Mas eu faço questão de afirmar e reafirmar: quem é um doce, por definição, sempre será um doce. Nunca perderá sua essência açucarada que atinge nosso cérebro e faz a endorfina circular. Como explicar isso?.. Não faço a mínima idéia.. deixo essa tarefa para os "doçólogos".. hehehehe.

OBS: na escala "alexandrina", uma caixa de bis é do tamanho de um transatlântico.. assim já dá pra vcs terem uma idéia da altura da moça. Como ela mesmo diz: "baixinha é a mãe!..."

postagem original editada em 13/12/2005.
* "bis"inha da silva, assim como "biscoito Traskine", também completa 30 anos de idade.

sexta-feira, 20 de abril de 2007

no planalto central: o vôo e as primeiras impressões

Cá estou eu, reportando ao blog diretamente do planalto central, mais especificamente da bela capital federal Brasília. O olho do furacão político tupiniquim. Como diz aquela famosa frase, onde está o seu, o meu, o nosso dinheirinho (a maior parte, pelo menos). Mas eu não estou aqui pra fazer política (nem tenho muito talento pra isso), e sim visitar meus queridos ascendentes. Essa é uma das funções da minha incipiente vacância.

Eu já havia viajado de avião antes, mas era diferente. Não dá pra comparar um Cessna monomotor com um Boeing que carrega mais de 100 passageiros. Bom, até dá pra comparar. No fundo, é a mesmo coisa, o que muda é a escala. Ambos balançam feito gelatina, ambos tremem quando ficam "nervosos" e decolam, e ambos possuem boas asas (isso é o mais importante).


E lá fui eu pra minha primeira experiência de vôo "em larga escala". Em suma, é algo muito parecido com viajar de busão (uma especialidade rotineira pra mim), fazendo as devidas adaptações. A principal diferença é que, no busão, você pode chegar emcima da hora, faltando uns 3 minutos pra partida, e embarcar numa boa. Com um vôo de Boeing, a coisa já é mais complicada. Você se apresenta com mais ou menos 1 hora de antecedência para o "check-in", depois com meia-hora de antecência para o "pré-embarque" (naquela salinha prazerosa de espera pelo vôo), e depois mais uns 10 minutos pro povo da companhia se organizar e te "guiar" até o avião. A impressão que eu tive é que todo vôo comercial é como uma "mini-excursão" organizada pra atender aquela centena de incautos pagantes.

Voar é agradável. Mas o mais interessente foi observar as pessoas e fazer uma pseudo análise psicológica de butiquim enquanto transcorria a viagem. As pessoas entram, sentam em suas respectivas poltronas, e conversam normalmente, como num passeio coletivo qualquer. Mas é só o comandante acionar o auto-falante pra se apresentar e arrolar o "manual de instruções" do vôo que o clima muda completamente. Um silêncio temeroso impera. Como se inconscientemente todos se dessem conta de que suas vidas agora estão nas mãos daquele sujeito "sem rosto" de sotaque carioca sentado lá na frente.


A aeronave sai pra taxiar na pista, posiciona-se pra decolagem, e decola. Tudo no mais mortal silêncio. Enquanto o avião sobe (e bota subida nisso), um sujeito começa a brincar com os controles da poltrona, outro fica que nem criança ligando e desligando a iluminação interna, outro fecha os olhos e agarra-se na poltrona como se aquela fosse a última viagem, e outro lá na frente pede algo pra beber (coitado do comissário de bordo). Esse climão de pré-velório auto aplicado dura uns 10, 15 minutos pós-decolagem. Tempo suficiente pro piloto subir, ajustar os controles pra rota automática, e religar o auto-falante: "Senhoras e senhores, aqui quem fala é o comandante fulano de tal, atingimos altitude de cruzeiro, e blá, blá, blá.. (...) desejamos a todos uma boa viagem.". Desse ponto em diante, tudo volta ao normal. Recomeça o falatório e segue a viagem.


Lá do alto, a placidez impera. Enquanto via aquelas belas imagens do nosso planetão lá embaixo, comecei a me lembrar do filme "2001, Uma Odisséia no Espaço". E o clássico "Danúbio Azul" começou a ressoar intuitivamente no meu ouvido. Nessa hora, deixei meu Mp3 de lado (até porque não tinha essa música nos meus arquivos) e botei a imaginação pra funcionar. Do nada, trezentas mil coisas começaram a passar pela minha cabeça. É interessante como nesses momentos diferenciados "pensamentos ontológicos" surgem sem muito esforço. E você começa a refletir sobre sua razão de existência ( e a dos outros também), o porquê disso, o porquê daquilo. E por aí vai.


Quem te traz de volta a realidade é o comissário de bordo: "Senhor, gostaria de comer ou beber algo...?". Lá vou eu me encher de amendoim e pepsi-cola. Aliás, não sei porque, lá nas alturas, eu passei por uma necessidade violenta de ingerir sal. Conclui que deveria ter algo a ver com a alteração de pressão (o único real incômodo que eu senti de leve em todo o percurso), ou era fome mesmo.


Chegando perto de Brasília, o avião começou a descer (o processo mais interessante de toda a viagem). O bicho vai perdendo altitude por "camadas". Sendo que a passagem de um estágio pra outro sempre vinha com uma leve turbulência que dava um pouco de adrenalina à toda aquela "formalidade" dos níveis extratosféricos (bom, nós chegamos perto de lá). Já bem perto do chão, os primeiros flaps são acionados formando aquela "calda de ar" envolta das asas. O piloto anuncia o pouso e pede pra tribulação se preparar. O silêncio coletivo do "people" retorna. A tensão máxima acontece quando o reverso é acionado, e todo mundo "trava". Mas logo, tudo se dissipa.


Já no chão eu avisto, em um hangar relativamente discreto na lateral da pista, o avião presidencial. Nesse momento dei-me conta de onde realmente estava, e de como tudo estava estranhamente calmo. Eu sempre tive a imagem de Brasília como um lugar agitado, frenético, como a capital paulista. E não é assim. O que não me autorizou a concluir que fosse um lugar pacato, muito pelo contrário. Já na saída do aeroporto você sente um pouco do "cheiro do poder", com engravatados ao celular dando e retirando ordens. Isso tudo misturado com um leve "cheiro de mato", como se eu estivesse também em uma pequena cidade lá do interior paulista. A primeira impressão que eu tive foi de um pouco de esquizofrenia socio-urbana. Porém uma esquizofrenia muito gostosa e interessante de se desvendar.