domingo, 22 de julho de 2007

empty spaces dicas: "Amused to Death" (1992)

("Amused to Death" - 1992 - Roger Waters)

As vezes eu fico pensando se eu sou o único maluco na face do planeta terra que escuta de cabo a rabo um álbum solo do Roger Waters (ex-Pink Floyd). Pra muitos é uma tarefa ingrata, pra outros, simplesmente torturante. Pra mim, é tranquilo, e prazeroso.

Bom, todos os discos da carreira solo do Waters são digamos, questionáveis, do ponto de vista do que se considera normalmente como paradigma de um bom disco de música pop. Até porque, aparentemente, a idéia do sujeito é justamente fazer discos "anti-pop". As músicas mal tem refrão, são pouco melódicas, e ele passa quase o álbum todo (seja qual for deles) narrando estórias sobre personagens desiludidos, política, guerra, sonhos, paranóias, drogas, etc, etc.

Não é diferente com esse disco, que relata uma paródia sobre a auto-destruição da espécie humana por meio da alienação frente a televisão (como vocês podem observar, o sujeito é modesto). Mas é justamente esse viés "adulto" que o Waters dá aos discos dele que eu acho atraente. Principalmente porque ele é um dos poucos artistas que fazem isso, e o faz de forma competente (dentro do que ele se propõe). Sua contribuição na banda Pink Floyd foi fundamental nesse sentido, antes das coisas desandarem.

Eu sempre o escuto no final de noite. Deito na cama, pego algo pra ler, ou simplesmente apago as luzes e fico lá, pensando na vida enquanto o bicho desenrola na vitrola.

Eu diria que é um disco recomendável apenas a pessoas introspectivas e pacientes, que não se incomodam em ficar treinando o inglês pra acompanhar toda a "narrativa teatral" das canções, nem se sentem mal em passar mais de 60 minutos tendo que ouvir canções essencialmente tristes (ou belas) e pessimistas (ou realistas). Isto é, é coisa pra 0,000001% da população mundial de ouvintes.

De qualquer maneira, se você for um desses seres corajosos, vale a pena investir. Até porque, assim como os discos do The Clash (que eu nunca vejo custarem mais de R$20,00), os petardos do Waters sempre estão sobrando nas pratelheiras e a preços módicos (o meu eu paguei R$12,00, se não me engano).

Enfim, é um clássico da megalomania-ego-auto-indulgente-paranóica-maluquete-elegante no mundo do rock and roll.

Setlist:

01. "The Ballad of Bill Hubbard"
02. "What God Wants, Part I"
03. "Perfect Sense, Part I"
04. "Perfect Sense, Part II"
05. "The Bravery of Being Out of Range"
06. "Late Home Tonight, Part I"
07. "Late Home Tonight, Part II"
08. "Too Much Rope"
09. "What God Wants, Part II"
10. "What God Wants, Part III"
11. "Watching TV"
12. "Three Wishes"
13. "It's a Miracle"
14. "Amused to Death"

sábado, 21 de julho de 2007

o "dial" do amor

(Gradiente S-95 AM/FM Stereo Receiver; um guerreiro.. meu companheiro de todas as horas.)

Volta e meia eu me pego pensando sobre isso. Afetividade. Ora matutando sobre as minhas próprias relações afetivas com meus amigos, "rolos", ou whatever. Ora observando as relações dos outros, e tentando arrancar algumas explicações plausíveis sobre o porquê delas serem tão complexas, conflituosas, irracionais, muitas vezes violentas, e ao mesmo tempo vitais.

Num desses dias em que fui passear em Campinas, enquanto estava lá trancado no banheiro, tomando banho, comecei a pensar sobre essa questão com intensidade. No banheiro da minha residência campineira existe um rádio velho, enferrujado, que o pessoal liga enquanto manda ver na higiene diária. Apesar de ser um "tape" duplo, atualmente ele só funciona com o "dial" do rádio AM/FM.

Ficava eu lá, enrolado na toalha, tentando sintonizar o sinal da rádio que eu gosto de escutar (uma tarefa que requer paciência e muita concentração). Momentos antes de resolver tomar banho, estava navegando na internet, mais precisamente no orkut, e passeava por perfis de pessoas com quem eu tive (ou tenho) relações sentimentais próximas e muito fortes. Algumas com quem mantive (ou mantenho) fortes laços e me dou muito bem, outras com quem a coisa simplesmente explodiu, ou de alguma maneira se perdeu pelo caminho.

Entrei no banheiro pensando nisso, naquelas pessoas, e nos sentimentos contraditórios que vivenciei com algumas delas. E tentando entender porque é tão difícil transformar paixão em amor, violência química em suavidade empática. O motivo de alguns sentimentos surgirem e se evaporarem no ar, e de outros se solidificarem e entrarem num seleto grupo de algo que poderiamos chamar de "rochas espirituais" (!).

Aí a metáfora óbvia balançou na minha cabeça. Talvez a melhor representação que se possa fazer dos sentimentos "afeto-amorosos" seja a comparação com uma frequência de sinal de rádio. Nesse caso, milhares de frequências de rádio perdidas no espaço-tempo, caóticas, e totalmente intermitentes no que tange a intensidade e amplitude. E em busca delas, outras centenas de receptáculos, "receivers" sedentos por carinho, afeto, e compreensão. E no meio disso tudo, a sintonia, os grandes e pequenos encontros de paixão e empatia. Encontros esses tão aleatórios quanto indecifráveis, cognitivamente falando (??).

Eu pessoamente tenho uma tendência meio "burralda", digamos assim, de tentar procurar uma explicação relativamente lógica (?) para tudo que vivencio. Quem convive comigo percebe isso com facilidade. E durante um bom tempo, meses eu diria, tentei entender o porquê de uma das paixões mais fortes que eu já tive por uma pessoa ter se evaporado de uma forma até meio estúpida. E pior, não ter sobrado nenhum "lastro" desse "rompante de sintonia". O receptáculo simplesmente não captava mais as minhas frequências afetivas e não compartilhava de mais nada. Não havia mais conexão. E porque?

Esses dias, uma amiga minha se viu jogada dentro dessa "sopa caótica" de frequências moduladas que parecem nunca entrar em sintonia. Como eu tempos atrás, tentando entender porque ráios o rapaz não correspondia aos sinais de empatia que ela emitia.

Numa troca de e-mails, ela buscava angustiada por respostas. Na hora, lendo, lembrei desse meu dia trancado no banheiro, e dessa imagem, dessa metáfora pulsando na minha cabeça. E de como, depois desse dia, eu passei a enxergar as relações humanas em geral (e as minhas em especial) de uma forma um pouco mais tranqüila e um pouco menos paranóica (embora ainda não o suficiente).

Aliás, muito provalvemente, essa metáfora nada mais seja do que o resultado representativo de um processo de amadurecimento. Lento, doloroso, e pelos quais todos nós passamos, mesmo não entendo p**** nenhuma.

Enfim, a minha resposta foi simples: não se pode entender um processo que é naturalmente "desentendível" (gostei desse neologismo), que nasce e sobrevive da própria desconstrução de qualquer resposta lógica (não falei exatamente nesses termos, senão ela teria me trucidado vivo).

Eu bem que gostaria de ter, mas acho difícil um dia possuir um "receiver" capaz de captar a sintonia fina da eterna essência empática do ser humano.

* postagem dedicada à citada amiga.

terça-feira, 17 de julho de 2007

set the controls from your heart to the sun


Explosões no Sol influenciam enfartes

As tempestades magnéticas que afetam a Terra contribuem para o aumento do número de mortes causadas por enfarte, revelaram nesta quarta-feira (11) cientistas do Centro de Pesquisas do Espaço (IKI) e do Instituto de Ionosfera e Magnetismo Terrestre da Rússia (Izmiran).

"O principal alvo das tempestades magnéticas é o coração e o sistema cardiovascular, embora o efeito deste fenômeno natural no organismo humano seja muito amplo e nem sempre negativo", afirmou o especialista do IKI Yuri Zaitsev à agência "Interfax".

Ele disse que o organismo humano, em maior ou em menor medida, é sensível aos campos magnéticos e que a saúde de muitas pessoas com determinadas doenças crônicas ou de idade avançada sofre pioras quando as tempestades magnéticas afetam a Terra.

Em conseqüência das explosões que ocorrem na coroa solar, as tempestades magnéticas se manifestam como potentes e intensos fluxos de partículas ionizadas que alcançam o planeta.

Em condições normais, esse fluxo passa despercebido. Mas quando a intensidade é muito alta, ele altera o campo magnético terrestre, com efeitos nos organismos vivos.

Na maioria dos casos, as tempestades magnéticas afetam o ritmo cardíaco, a circulação do sangue -- principalmente nos vasos capilares --, altera a pressão arterial e modifica o nível de adrenalina.

Segundo Zaitsev, os cientistas russos estabeleceram que os efeitos nocivos para o organismo humano têm relação com as chamadas micropulsações do campo geomagnético, sobretudo quando sua freqüência coincide ou se aproxima da freqüência das batidas do coração.

As micropulsações são registradas em 50% das tempestades magnéticas e, na maioria dos casos, na fase preliminar, quando o campo geomagnético ainda não está muito alterado.

Zaitsev explicou que, afetado pelos campos magnéticos de freqüências baixas, o ritmo cardíaco das pessoas que apresentam doenças no coração se desestabiliza e, em conseqüência, há um aumento no risco de haver enfarte ou morte súbita por arritmia.

Observações feitas em Moscou durante tempestades magnéticas com micropulsações registraram aumentos de até 13% no número médio de enfartes do miocárdio e 7,5% nos casos de derrame cerebral.

"Pode ser uma pista para explicar por que as mortes por motivos cardíacos ou circulatórios aumentam na véspera de tempestades magnéticas", afirmou Zaitsev. Ele disse ainda que, atualmente, há recursos técnicos para minimizar o risco das tempestades magnéticas, como o envio de satélites para controlar as mudanças do fluxo solar e as alterações que estas possam produzir no campo magnético terrestre.

"Trata-se de criar um sistema de alarme antecipado sobre as emanações solares e seus efeitos na Terra, que são muito amplos", afirmou. De acordo com ele, além dos efeitos nos seres humanos, as tempestades magnéticas provocam auroras boreais, prejudicam transmissões de rádio e afetam o funcionamento de satélites, redes elétricas, sistemas de navegação, oleodutos e o transporte ferroviário.
(Fonte: Portal G1 - 16/07/2007 - Ambiente Brasil)

Achei muito interessante essa notícia. Lembrei de um comentário que eu fiz uma vez brincando que as ondas solares (na época notícia porque estavam afetando violentamente os satélites) eram a grande causa das minhas eventuais e potentes dores de cabeça. Pois aí está a prova.

Brincadeiras à parte, esses estudos científicos sem querer acabam botando o dedo na ferida e demonstrando empiricamente aquela velha indagação metafísica de que no fundo, bem lá no fundo, tudo está realmente interligado, e que somos "migalhas" de algo muito maior que nossos pobres cerebelos não têm capacidade de conhecer. Eu diria, ainda bem.

img: http://www.geo.mtu.edu

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Fuckin´ Up!

Algum desocupado instituiu que hoje (13) é o "Dia Mundial do Rock", e eu, como bom apreciador da estética, não poderia deixar esse marco passar sem a presença dele, o grande mestre:


(Neil, e seus camaradas..)

Afinal, existe alguma outra manifestação artística do espírito humano que transforma pura agressividade na mais tocante beleza e simplicidade poética?..

Viva o rock and roll!!.. Hey, hey, my, my!.. o resto vocês já sabem.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

pausa para o informe publicitário

(09/07/2007)


"A guerra deve ser em função da paz,
a atividade em função do ócio,
as coisas necessárias e úteis em função das belas."

(Aristóteles)

domingo, 8 de julho de 2007

versão simpson

Aderindo à moda advinda com a aproximação do lançamento do filme nos cinemas, e por indicação do amigo Thiago, criei o meu próprio "avatar" cidadão de Springfield:


Essa "cara de cú" talvez não seja tão habitual assim, mas.. não encontrei um visual melhor e que chegasse mais próximo do meu pobre ser, sem falar que a versão sorridente deixava o coitado (eu) com uma cara de total "asshole".


Bom, todos nós de uma forma ou de outra moramos em uma Springfield. Essa cidade é universal. É a melhor representação que eu já vi da nossa maluca vida pós-moderna "judaíco-cristã-ocidental" (como diria o povo do Casseta & Planeta).

Aí fiquei pensando em qual família eu me encaixaria melhor. Os Simpsons? Os Flanders? Ou talvez uma daquelas participações especiais de personagens "cool" e descolados? Enfim, o importante é ser um "filho de Springfield", como todo mundo.

O site:
Simpsons Movie.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

segura a primavera..

(mais uma vez.. muito tempo atrás, em uma galáxia muito distante.. em algum lugar perdido entre 1999 e 2004 na cidade de Campinas..)

Quem tem consciência para ter coragem,
Quem tem a força de saber que existe,
E no centro da própria engrenagem,
Inventa a contra-mola que resiste.

Quem não vascila mesmo derrotado,
Quem já perdido nunca desespera,
E envolto em tempestade decepado,
Entre os dentes segura a primavera...

("Primavera nos dentes" - João Ricardo/João Apolinário - Secos & Molhados)

Ontem recebi essa foto por e-mail dos meus ex-colegas e amigos de faculdade. Eu olhei pra ela e fiquei alguns instantes ali, pensativo, contemplando. Um sentimento muito forte me atravessou de ponta a ponta. Como um ráio, um relâmpago empático. Algo como um "mix" estranho de melancolia, euforia, saudade, e arrependimento (pelo relativo abandono do barco).

Hoje coloquei essa música na vitrola pra escutar. O sentimento voltou. Provavelmente mais abstrato, mas ainda sim intenso. Comecei a refletir e a me dar conta de que estou ali, no auge da minha primavera, e meio sem saber o que fazer com ela. Talvez seja um "feeling" universal pelo qual todo mundo passa em uma certa fase da vida. Ou não. Who knows.

O fato é que não é fácil segurar a dita cuja.

domingo, 1 de julho de 2007

"slowly breaking through the daylight"

(o mergulho, hoje à tarde..)

Eu gosto dos fins de tarde de domingo. A maioria das pessoas odeia, mas eu gosto. Pelo menos pra mim traz um sentimento interessante, melancólico porém agradável. Não sei porque, invariavemente me leva a um estado profundo de reflexão, como se em todo fim (ou começo) de semana eu fizesse um denso "balanço existencial" (?).

As vezes, uma breve reflexão das atitudes (ou omissões) relevantes que pratiquei durante a semana. Em outras, começo a me lembrar de coisas da infância, momentos agradáveis (ou não). Grandes (ou pequenas) lembranças de situações, vivências marcantes.

Reparei que isso tudo ficou mais freqüente e intenso depois que passei a morar sozinho. É algo que me agrega uma serenidade espiritual que eu não sei explicar. Talvez um sinal inequívoco de que estou amadurecendo, no sentido mais amplo que essa palavra possa ter. Ou não. Acatemos como simples e despretenciosos momentos de reflexão de alguém que pensa demais.

O melhor é que essa "prática" reinterada me fez chegar a conclusão única de que uma boa olhada para o céu explica tudo. Não importando o objeto, a complexidade, a intensidade, e as variáveis. Com um belo pôr-do-sol ainda, as perguntas se calam, e fica fácil sentir as respostas.