domingo, 8 de junho de 2008

"Lyla" (para a série "empty spaces musas")


Callin' all the stars to fall
And catch the silver sunlight in your hands
Come for me and set me free
Lift me up and take me where I stand

She believes in everything
In everyone and you and yours and mine
I waited for a thousand years
For you to come and blow me out my mind

Hey Lyla!
The stars about to fall
So what you say Lyla!
The world around us makes me feel so
Small Lyla!
If you can't hear me call then I can't
Say Lyla!
Heaven help you catch me if I fall

She's the queen of all I've seen
And every song and city far and near
Heaven-hell my mademoiselle
She ring the bell for all the world to hear

Hey Lyla!
The stars about to fall
So what you say Lyla!
The world around us makes me feel so
Small Lyla!
If you can't hear me call then I can't
Say Lyla!
Heaven help you catch me if I fall

Hey Lyla!
The stars about to fall
So what you say Lyla!
The world around us makes me feel so
Small Lyla!
If you can hear me call then i can't
Say Lyla!
Heaven help you catch me when I fall

Hey Lyla!


("Lyla" - Noel Gallagher)

Sim, é ela. E porque eu ando escutando muito Oasis ultimamente. Um ótimo sinal aliás: bons ventos soprando com força na minha cabeleira cansada.

green days

Bom, essa semana que passou foi a convencionada "Semana do Meio Ambiente". Aqueles dias que a nossa hipocrisia reserva para visitarmos nossa consciência política. Eu, como tenho especial interesse pelo tema, passeio com maior intensidade e freqüência por ali, mas não é todo mundo que tem essa iniciativa. Nesse sentido, reservar alguns dias pra um mea culpa tem a sua valia.
Ver o assunto pipocar pela TV, Internet, algumas rodas de conversa é algo alentador. De qualquer maneira, é um momento excepcional. Pra 98% da população, discutir e se interar politicamente sobre as condicionantes do próprio meio em que se vive ainda é coisa pra gente chata, assexuada, e que se acha mais séria e esclarecida que o resto da humanidade.
Pois bem, vou ajudar com a minha contribuição pra um pouco mais de chatice:

1) Bem interessante essa iniciativa, uma espécie de banco de dados com informações sobre a cadeia de processo de desenvolvimento de produtos e serviços de uma forma geral. Desde pneus pra carro até aquele pedaço de alcatra que você compra no mercado, tudo relatado e catalogado para que o consumidor tome maior ciência do que anda adquirindo:

http://www.catalogosustentavel.com.br

Nota: o site parece que está ainda num estágio meio "beta", com informações incompletas e muito confuso. Mas só pela iniciativa eu já tiro o chapéu pro pessoal da Fundação Getúlio Vargas. Conforme eles forem aperfeiçoando o catálogo teremos uma arma violentíssima pra melhorar nossas relações de consumo.

2) E pra quem tiver interesse em conversar um pouco mais sobre essas coisas escrotas onde se fala muito sobre florestas, plantas, animais, águas, combustíveis, poluição, e acima de tudo pessoas, agregue-se aos Curupiras, participando da nossa proto-associação, ou apenas dando uma espiada:

http://procurupira.blogspot.com

E opine sobre uma discussão bem atual e interessante que jogamos na roda ("jabá" particular):

"Scuppie" e o consumo consciente

Aviso: não, nós não somos uma ong de contadores de histórias do folclore brasileiro, somos sim um pequeno bando de primatas vivos que está olhando com especial atenção para a viabilidade do próprio umbigo, e o do próximo também.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

No olho do furacão

“Eu não vou deixar a Apple lançar um iPod novo e melhor um dia depois de você comprar o modelo antigo”
Barack Obama, entre as dez promessas da sua campanha para a presidência dos EUA no Late Show com David Letterman.

Sem mais delongas, agora é Obama na cabeça.

img: http://www.washingtonpost.com
txt: retirado de "Chá quente"

sexta-feira, 30 de maio de 2008

momentos maravilhosos do nosso dia-dia


Se você acha que sua vida está muito pacata e monótona, faça como eu. Arranje um vazamento de água no duto de tubulação principal do seu prédio, faça com que esse vazamento atinja o teto do banheiro dos apartamentos de dois andares abaixo do seu, e seja feliz.
Nada como ficar praticamente uma semana inteira com pedreiro passeando pelo seu já minúsculo apartamento, sujando e quebrando tudo, e detonando com a sua já vacilante rotina diária.
É a tal história, nunca reclame da sua vida, pois sempre existe a chance da coisa piorar.

domingo, 25 de maio de 2008

"Minor Earth Major Sky" (empty spaces soundtrack)

Poucas músicas representam tão bem o espírito desse blog como essa. Faixa título do (na minha opinião) subestimado álbum do A-ha lançado no começo desse século. Aliás, graças ao dito eu pude mudar um pouco a minha imagem deles, que antes eu considerava como um quase "desvio musical", parafraseando a colega de "bloguismo" Aline. Talvez o melhor disco da banda de Morten Harket e companhia limitada, que praticamente passou em branco.



I can`t see me in this empty place
Just another lonely face
I can`t see me here in outer space
It`s so hard to leave a trace

And I try and I try and I try
But it never comes out right
Yes I try and I try and I try
But I never get it right

It`s a
Minor earth major sky

I can`t see me in this lonely town
Not a friendly face around
Can you hear me when I speak out loud
Hear my voice above the crowd

And I try and I try and I try
But it never comes out right
Yes I try and I try and I try
But i never get it right

It`s a
Minor earth major sky

Minor earth major sky

And I try and I try and I try
But it never comes out right
Yes I try and I try and I try
But i never get it right

It`s a
Minor earth major sky

Minor earth major sky

(A-ha, "Minor Earth, Major Sky")

sábado, 24 de maio de 2008

Sobre Jefferson Peres (in memoriam) e a intransigência

Ontem faleceu o senador Jefferson Peres (PDT-AM). Um dos parcos guerreiros e sobreviventes da dita "banda boa" da política nacional. Era advogado e professor (nobres atividades), mas acima de tudo, um defensor ferrenho da ética e da chamada probidade.
Correndo a notícia, eu tentava identificar a causa da morte, reportava-se que foi provocada por um infarte fulminante. Comentava-se na mesma notícia que o senador era um sujeito preocupado com a saúde. Não fumava, não bebia, não era obeso (muito menos gordo), enfim, se cuidava. Em que pese a idade avançada (76 anos), eu me surpreendi com tal fatalidade.
Comecei a refletir sobre a questão da intransigência que muitos tem consigo mesmo. Como bom sujeito ético que era, o nosso caro senador provavelmente sofria do mal do excesso de auto-crítica (ou não) *. Pessoas que procuram o perfeccionismo a todo custo. Digo por conhecimento de causa própria, acredito que também sofra desse mal. É tiro e queda, o coração do nobre senador provavelmente parou por causa disso (ou não) *.
Trabalhei por uma ano e pouco em uma empresa gigante e lembro bem do meu grau de estresse e tensão por ter que cumprir bem o meu trabalho, observar a leniência e deslizes alheios, e ainda ter que dar satisfação a mim mesmo e meu orgulhoso ego. Foi um período em que me senti "sugado". Não só pela gana por resultados da própria empresa e o "sossego" dos colegas, mas também pela minha auto-intransigência. Emagreci demais e virei um verdadeiro "vara-pau" (no melhor estilo Jefferson Peres).
Bom, ficou o aprendizado. E acredito que estou melhorando nesse ponto. Aos pouco você cresce e percebe que ser, ético, íntegro é algo dissociado das suas próprias paranóias ególatras. Ter consciência disso já é um grande passo.
Só espero que até os meus setenta e poucos anos a coisa já esteja bem equilibrada.

(ou não) * - li no blog do Josias de Souza que o senador se encontrava abatido e desiludido com o rumo e o nível da política nacional; talvez seja isso, não a nada mais doloroso pra um coração do que a amargura.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Mulhollands

Desocupado há pouco mais de três meses pelo ex-reitor da Universidade de Brasília Timothy Mulholland, o apartamento então destinado para uso do reitor continua mobiliado com itens de luxo. A decoração do imóvel custou R$ 470 mil, segundo avaliação do Ministério Público, que diz que esse dinheiro deveria ter sido usado em pesquisa.
A compra dos artigos de decoração para o apartamento foi uma das razões que leva
ram o Ministério Público a mover ação de improbidade administrativa contra Mulholland e seu decano de finanças, Erico Weidle. Mulholland deixou a reitoria no mês passado, depois de alunos invadirem seu gabinete e ficarem na reitoria por duas semanas.
A Folha entrou no imóvel, ocupado por Mulholland por cerca de um ano, e encontrou os itens mais polêmicos da decoração estocados no quarto de empregada. Lá estão as três lixeiras que viraram símbolo do luxo (R$ 2.738, segundo o Ministério Público). O abridor de
garrafas, de R$ 1.400, está no fundo de um armário.
No mesmo quarto estão quatro das cin
co televisões de tela plana do apartamento -as quatro por R$ 11.599, segundo a Procuradoria. Elas estão embrulhadas numa colcha e dentro de uma caixa de papelão. Há marcas na parede e pontos de ligação das televisões nas três suítes e na copa. A quinta televisão está instalada no andar superior.
(...)
O apartamento tem 391 m2, divididos em dois pavimentos, sendo o segundo a cobertura. No primeiro, há três suítes, um escritório com banheiro, sala, cozinha e copa. O segundo é destinado ao lazer: área para home theatre, churrasqueira, sauna e uma jacuzzi.


Piscina e hidromassagem para 7 pessoas na cobertura do apartamento em que o ex-reitor da UNB (Universidade de Brasília) Timothy Mulholland morava


Abridor de garrafas comprado pelo ex-reitor da UNB (Universidade de Brasília) Timothy Mulholland

fonte: Folha de S. Paulo
img: Lula Marques


*

A última vez que fui pra Brasília, pra prestar um concurso, indaguei junto ao meu pai sobre como uma cidade onde a esmagadora maioria da atividade econômica gira em torno da burocracia estatal poderia ostentar tanta opulência material. A pergunta surgiu depois de ter observado uma Mercedes-Benz estacionar logo ao lado do nosso "canela" (Fiat Uno) no aguardo da abertura do semáforo. Ainda lembrei que, na maioria dos países desenvolvidos, em especial os europeus, estar inserido no funcionalismo público de carreira é aceitar de antemão que você irá viver bem e servir o seu país, mas que com certeza não virará um milionário.
Aqui em terras tupiniquins, desde os idos longínquos da nossa formação enquanto nação, o raciocínio é invertido. Entrar para os quadros dos servidores públicos da República é como que uma carta branca para acumular riqueza como se fosse um empresário.
Eu tenho uma certa teoria pra comigo mesmo que, junto com o quesito educação, quando essa lógica "boquinha" for riscada do nosso excêntrico quadro de justificações tropicais, a coisa vai andar e não vai sobrar pra ninguém. Talvez nós não nos tornemos o próximo Estados Unidos da América, mas seremos severamente invejados. Pena que não vou ver isso. E acho que nem meu hipotético filhote.
Mas o que vale é a indignação. Enquanto ela estiver presente, a esperança é realmente (no cliclê ou não) a última que morre.

*

Justificação

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Em epistemologia, justificação é um tipo de autorização a crer em alguma coisa. Quando o indivíduo acredita em alguma coisa verdadeira, e está justificado a crer, sua crença é conhecimento. Assim, a justificação é um elemento fundamental do conhecimento.
(...)
Uma maneira de explicar a justificação é: crença justificada é aquela que nós temos o direito epistêmico intelectual de defender. De acordo com o internalismo em epistemologia, de alguma maneira cada um de nós é responsável pelo que acredita. Cada um de nós tem uma responsabilidade intelectual ou obrigação de acreditar no que é verdadeiro e de evitar de acreditar no que é falso. Assim, a justificação é uma noção normativa. Isso significa que tem a ver com normas, direitos, responsabilidades, obrigações, e assim por diante. A definição padrão de normatividade é que um conceito é normativo se e somente se é um conceito dependente de normas, isto é, de obrigações e permissões (interpretadas muito amplamente) envolvidas na conduta humana. Aceita-se geralmente que o conceito da justificação é normativo, porque é definido como um conceito a respeito das normas acerca das crenças.

*

Mulhollands - eu gostei disso, dá um belo nome de banda punk. Se eu tivesse uma.

domingo, 18 de maio de 2008

Sobre o tempero das questões fundamentais


Observar a química dos condimentos de um clássico da culinária preguiçosa e filosofar a partir disso. Notar como o "bate-cabeça-idiossincrático-existencial" do nosso dia-dia pode ser visualizado dentro de uma panela fervente no fogão. Tudo isso é bem inusitado, bizarro, mas também interessante. Pelo menos pra mim.
Eu tinha pensado nessa postagem enquanto cozinhava meu macarrão alho & óleo. Basicamente, refletir sobre a arte de "temperar" a própria existência até atingir o ponto ideal. Pois se formos pensar bem, dar rumo para a própria vida não é algo muito diferente de saber a exata proporção de sal e óleo para um litro de água.
Fazer um bom e apetitoso macarrão exige perícia, mas também é um ato de sorte. Algumas vezes com pouco sal, outras excessivamente oleoso, vez ou outra o bicho deslizando perfeito na sua boca, e você se perguntando como ráios conseguiu chegar naquele paladar sui generis.
Em suma, é de um alento incomensurável saber que meu macarrão pode ser muito mais esclarecedor e revigorante pra minha inquieta mente do que todos os escritos do Sartre reunidos.
Ave spaghetti!