segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Stayin´ Alive (literalmente)

Hit dos Bee Gees ajuda a salvar vidas, diz estudo

O hit disco dos anos 70 Stayin' Alive, música-tema do filme Os Embalos de Sábado à Noite pode ajudar a salvar vidas, de acordo com uma reportagem publicada no jornal The Daily Telegraph de sábado (18).

O ritmo da canção dos Bee Gees, segundo o autor da pesquisa, o médico americano David Matlock, da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos,ajuda os médicos a realizarem uma manobra conhecida como ressuscitação cardiopulmonar (CPR) mais eficientemente.

Estudos anteriores indicam que a CPR pode triplicar as chances de sobrevivência de pacientes com paradas cardiorespiratórias, mas para isso, precisa ser realizada no ritmo certo.

E é aqui que a música que a música que embalou John Travolta no filme de 1977 pode ajudar: com 103 BPM (batidas por minuto), ela é apenas três batidas mais rápida que o ideal - recomendado pela Associação Americana do Coração, de 100 BPM.

Emergência - A CPR é um procedimento de primeiros-socorros que consiste em aplicações ritmadas de pressão sobre o peito do paciente.

Matlock, segundo o Daily Telegraph observou dez médicos e cinco estudantes de medicina realizarem a manobra ao som de Stayin' Alive.

Em média, eles mantiveram as compressões em 109 BPM. Cinco semanas mais tarde, o teste foi repetido, desta vez sem o auxílio dos Bee Gees.

O ritmo dos socorristas subiu para 113 BPM, mais rápido que o ideal, mas ainda no limite aceitável, segundo os médicos.

O resultado do estudo deve ser apresentado ainda neste mês na conferência da American College of Emergency Physicians, a associação que reúne médicos de emergência americanos.

"Todo mundo já ouviu essa música na vida. As pessoas conseguem ouví-la na cabeça e isso os levou a manter o ritmo, que é a coisa mais importante", afirmou Matlock, segundo a reportagem do diário britânico.

A idéia é que o clássico das pistas de dança seja usado como técnica para treinar médicos de emergência. O método de treinamento já foi até recomendado pela American Heart Association.

"O tema Stayin' Alive (Mantendo-se vivo, em tradução livre) é bastante apropriado para a situação", brincou o autor da pesquisa, de acordo com o Daily Telegraph.

(Fonte: Estadão Online / Ambiente Brasil)

Só pra registrar que no meu ataque cardíaco eu também quero ser ressuscitado ao som do Bee Gees. E claro, que filmem para posteridade essa cena hilariamente bizarra.


sábado, 18 de outubro de 2008

sobre o babaquismo

Dizem por aí que acabou a "era dos ismos". As grandes ideologias, teorias, socialismo, comunismo, anarquismo, fascismo, tudo teria ido pro vinagre em definitivo com a virada do século. Discordo.
Embora esteja relativamente bem dissimulado no cotidiano, um "ismo" em especial tem se desenvolvido de forma vertiginosa nos últimos tempos, na minha modesta opinião: o babaquismo.
Não sei se sou o único que chegou a essa conclusão, mas o número de babacas andando pelas ruas das cidades brasileiras aumentou muito. Eu não consigo andar dois quarteirões (ir até o mercado) sem me deparar com uma "situação babaca". E não falo de babaquismos leves e clássicos como pessoas que tropeçam nos próprios pés ou que batem com a cabeça em placas de anúncios, mas gente urrando pela janela do carro e buzinando desesperadamente porque outro babaca parou o carro em local que não devia. Ou ainda gente na fila do caixa no supermercado reclamando em voz alta de outro babaca que empacota as compras como se estivesse dopado.
Poderíamos dizer que o babaquismo se fundamenta em três pressupostos básicos: o babaca primário (que dá causa ao imbróglio), o babaca secundário (que reage de forma mais babaca ainda à situação, dando vazão descontrolada a um sentimento "mal cozido" de raiva e prepotência), e o elemento neutro (aquele que não é portador do babaquismo e tem que se sujeitar - de forma involuntária - aos "caprichos" dos dois primeiros elementos).
Uma das situações mais estapafúrdias de babaquismo que eu tive que enfrentar - como elemento neutro - foi na piscina onde pratico natação. Nesse caso em particular, tivemos dois babacas de potencial secundário (coisa antes rara mas cada vez mais comum) em ação. Em resumo, um deles chutou ou bateu com a perna no outro (não me lembro bem, mas um fato normal e tolerável que ocasionalmente acontece em uma piscina lotada) e sucedeu-se uma discussão bizarra de mais de 15 minutos pra saber quem havia "insultado" quem e atrapalhado a "pilotagem" que faziam n´água. Pois ambos queriam reciprocamente saber quem era mais Michael Phelps (macho) que o outro. Foi necessária até a intervenção de um "árbitro" (o salva-vidas) para acalmar a situação e retomar a normalidade na piscina.
Quando até a raia livre de uma piscina recreativa, um dos locais de convivência mais "zen" que a sociedade contemporânea já conseguiu criar é atingida pelo babaquismo, a coisa está realmente feia e fora de controle.
Com seguidores mais fiéis que os do próprio nazismo, e uma quantidade de "trabalhadores da causa" muito mais numerosa que o do socialismo/comunismo real chinês, o babaquismo é o grande "fantasma" que ameaça a destruição do mundo do bom senso como o conhecemos. Aquele ainda livre da idiotização em massa e da falta de comunicação.
E não pensem que essa ideologia tem origem e prospera nas classes trabalhadoras, o grande "núcleo de ação" acontece na chamada classe média, e aniquila famílias inteiras. Tenho até um sério receio que meu irmão tenha se tornado um deles (nesse exato momento ele está escutando Emerson Nogueira a todo volume na sala e atormentando todo o apartamento).
Assim como a Regina Duarte, eu tenho medo. Muito medo.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

dispersão

Em tese, eu tenho todo o tempo do mundo. Mas a dificuldade pra organizar pensamentos, projeções, projetos, planos, atitudes (e o escambau) está começando a me incomodar.

Isso era pra ser uma postagem.

Procuro por causas.





p.s. 1: deve ser o calor.
p.s. 2: vou começar a reclamar mais da vida por aqui, esse blog está precisando de neurose.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Sleepy feeling

De volta ao blog dos sonhos, depois de um razoável hiato. Culpa da dificuldade em lembrar-me das minhas pobres interpéries oníricas.


Capítulo de hoje: o tetraplégico.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

boiando na reserva de bom senso (ou pitacos sobre a dita crise econômica mundial) - continuação: "only the strong are survivors"

"Bolsas disparam com socorro de US$ 2,5 tri."

"Governos anunciam ajuda maciça e mercados recuperam parte das perdas; Bovespa sobe 14,6% e Dow Jones, 11%."

"As Bolsas mundiais emergiram da profunda fossa em que mergulharam na sexta para uma exuberante euforia, com subidas tão espetaculares como haviam sido as quedas na semana passada. Numa óbvia conseqüência dos pacotes de ajuda ao setor financeiro, Nova York registrou o maior crescimento em pontos da história. Houve altas acima de 10% na Europa e na Bovespa."

fonte: Folha de SP; nesta terça.

Eu estava pensando aqui, tentando achar uma metáfora. E cheguei à seguinte conclusão: esse tal de "mercado", uma idéia abstrata que vai muito além do próprio conceito de mercado, parece, age, e vive tal qual uma criança mimada de 5 anos com um pirulito na mão. Se você tira o doce, ela abri a boca e começa a chorar desesperadamente. Aí você enfia de volta na boca do pirralho, e tudo volta a ser um "mar de rosas".
Resumindo: o "olho do furacão" do nosso sistema econômico funciona com o raciocínio instintivo de um ser humano de 5 anos. Whatta fuck is that? That´s capitalism, baby.

Bom, vamos lá. Todos juntos com o professor PHD. Sir Paul McCartney:



Se o homem não ganha o Nobel de Economia, pelo menos leva o Nobel Honorífico Vitalício da Música Pop.

Just have fun about it is the best medicine.

sábado, 11 de outubro de 2008

boiando na reserva de bom senso (ou pitacos sobre a dita crise econômica mundial)

"As Bolsas de todo o mundo perderam US$ 6,2 trilhões, o equivalente a seis Brasis, só nesta semana."

"A Bolsa de NY teve a pior perda semanal da história, superior à da semana do 11 de Setembro: 18,15%."

"Tóquio recuou 9,62%, para o menor nível em 20 anos."

"Madri recuou 9,14%, maior queda de sua história."

Foram essas as notas de capa da Folha de São Paulo deste sábado. Algo bizarro, meio assustador. Porque de duas uma: ou o mundo as we know it está realmente acabando ou as pessoas - capitalistas - perderam o menor sentido de senso e racionalidade.

Há algo de errado em um sistema econômico que "evapora" U$ 6,2 trilhões em uma singela semana. Algo em torno de U$ 885 bilhões por dia (!). Sem querer ser chato (mas já sendo), é muuuuito dinheiro. Não tem lógica nisso. Ou pior, tem. Uma lógica com fundamentos que realmente nos dão sérios indícios de que a espécie humana pelo jeito está realmente nos últimos dias.

Reinterando: é assustador. Principalmente se levarmos em conta que o sistema inteiro opera no nível da burrice. Não aprendendo com os erros e os cometendo novamente. Filosofando: o neoliberalismo acabou? Que nada, mais algumas décadas e já teremos o neo-neoliberalismo pipocando por aí denovo (quanta novidade!) nas vozes do mais diversos "profetas" da economia política.

Eu não sou economista, nem intelectual, muito menos um político visionário, mas a minha reserva de bom senso é suficiente pra entender o quão trágica é a situação. Pra não dizer cômica. Porque não há outra saída a não ser rir disso tudo até que a água finalmente comece a molhar a nossa bunda. E ela vai, de um jeito ou de outro.

Pelo menos, como diria o já imortal Nelson Ned, tudo passa. E como não poderia deixar de ser, sem que a esmagadora maioria dos tupiniquins tenham consciência de que o barco passou e a merda ficou boiando na água.


obs: concordo que falar sobre esse assunto é um pé no saco dos nobres leitores, mas.. inevitável; não tinha como deixar isso passar em branco por aqui.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

"Dig Out Your Soul" (2008)


O álbum ainda está saindo do forno, mas já dá pra dar alguns pitacos.
Esse período de divulgação, em se tratando desta banda, é sempre uma diversão à parte. Os Gallagher começam a falar mais besteira do que o já alto nível usual e conseguem aparecer em tudo quanto é canto da mídia judaico-cristã-ocidental (e além; não podemos nos esquecer dos devotos fãs japas da banda), sem falar nos "arranca-rabos" que pipocam em todos os grupos de discussão e comunidade roqueiras espalhadas internet afora entre fãs "xiitas" da banda e o resto do mundo.
Sou um grande fã deles, mas não chego a ser um "xiita" (apesar de quase ter me tornado um). Aliás, tenho dificuldade em entender como bandas muito mais inventivas e novidadeiras no cenário rock and roll, como Radiohead por exemplo, não conseguem chamar tanta atenção como os moços (hoje "tios") de Manchester. Por falar nisso, esse é o grande "confronto de platéia" existente no universo dos fãs de música pop atualmente: Oasis X Radiohead. Algo como um PSDB X PT do mundinho "indie". E como na política, uma babaquice sem tamanho. Eu consigo apreciar as duas bandas com o mesmo gosto sem grandes problemas.
Bom, mas voltando ao que interessa, esse 7º álbum da banda está muito bom, figurando entre os melhores da discografia deles (montei um adendo com um "ranking bovino" em cima da dita cuja). Como era de se imaginar, não supera as duas obras diferenciais da banda (Definitely Maybe e [What´s The Story] Morning Glory?), porém fica acima de discos que não são ruins - mas que não "decolam" -, como Standing in the Shoulders of Giants e Heathen Chemistry ".
Ao contrário do antecessor e também bem cotado Don´t Believe the Truth, que ainda segue com fortes traços da "cartilha" mais ortodoxa e original do som da banda, esse trabalho é bem mais flexível e - dentro do padrão (conservador) Oasis - mais criativo. Aliás, o primeiro que dá uma certa entortada na "fórmula Oasis". Saindo um pouco daquele estilo "melodias-hino" e tateando com algo mais - no dizer do Noel - "grooveado". Talvez seja o resultado da crescente democracia dentro da banda, com o "faz-tudo" guitarrista abrindo cada vez mais espaço para os outros integrantes colaborarem no trabalho de composição (5 das 11 faixas foram compostas pelos demais membros - Liam com 3). Ou não, talvez Noel apenas tenha assumido de vez que virou "tio" e esteja encarando melhor o fato de que o "mundo supersonic" dele não existe mais.
E já que citamos o senhor Liam Gallagher, ele pra mim é um dos destaques desse álbum. Além de ter aparentemente colaborado mais que o habitual, produziu uma das melhores canções do disco: I´m Outta Time. Sem falar que deixou registrado um dos vocais mais equilibrados de toda a carreira da banda, e ainda virou o porta-voz na divulgação mundial do disco. Uma maturidade e serenidade surpreendentes pra um sujeito que até dias recentes mal e porcamente dava entrevistas e arranjava brigas (suficiente pra perder uns dentes) nos hotéis por onde passava.

Então vamos lá, faixa por faixa (focando no exame "espiritual-melódico"):

01 - Bag it Up: tirando Rock and Roll Star, acho que é a 2ª melhor abertura de um álbum da banda, e é a 2ª melhor música do disco - uma espécie de Got to Get You into My life do começo do século XXI;

02- The Turning: The Who com The Doors, ficou muito bom isso - Noel num dos seus melhores momentos de "colagens sonoras", com o final homenageando Beatles (pra variar) - uma das minhas favoritas, pulsante;

03- Waiting for the Rapture: "viajando" na maionese, essa me lembra Paul McCartney solo nos melhores momentos (roqueiros), principalmente o vocal, quando escuto me vem Oh Woman Oh Why na cabeça, e dá pra achar The Doors e White Album ali também - boa canção;

04- The Shock of The Lightning: o "hino-single" do álbum e a 3ª melhor do plantel, puro e clássico "oasis way of music" - entre as minhas favoritas também (junto com o resto da torcida do Corinthians) - esse blog já postou o clipe aqui;

05- I´m Outta Time: essa aqui é 100% John Lennon que, segundo Liam, está encarnado nele - de qualquer maneira, talvez o melhor que ele já contribuiu pra banda até hoje;

06- (Get Off Your) High Horse Lady: muito boa, tem hora que lembra bastante The Verve; Noel nas "colagens" novamente, "chupinhando" Hi-Heel Sneakers - tem um pouco de Macca aqui também;

07- Falling Down: essa é um passeio pelo Revolver dos Beatles com um "q" de Pink Floyd, classuda, e marca o fim do melhor do disco - aliás, é a melhor do disco;

08- To Be Where There´s Life: cítaras indianas, o clima me lembra um pouco Who Feels Love - boa, mas já num nível mais baixo do que as 7 primeiras;

09- Ain´t Got Nothing´: na minha opinião é a mais fraca do disco, lembra de muito longe Mucky Fingers;

10- The Nature of Reality: gostei dessa, e não me perguntem de onde eu tirei isso mas me lembra uma mistura bizarra de riffs de guitarra do Blur com Pink Floyd (?);

11- Soldier On: numa linha parecida com a anterior, mas mais fraquinha - um final escroto pro álbum.

Em suma, recomendadíssimo. Inclusive pra aqueles que tem uma certa afinidade com o som da banda mas sempre viram o Oasis "certinho demais". O melhor desse álbum é isso, eles continuam na mesma toada mas com um rock and roll menos "redondinho". Adquirindo maturidade mas sem decair o nível. Uma evolução, com certeza.

ADENDO:

"Ranking Bovino" da discografia:

1) Filé-mignon: "Definitely Maybe" & "(What´s the Story) Morning Glory?";
2) Alcatra: "Don´t Believe the Truth" & "Dig Out Your Soul";
3) Patinho: "Be Here Now";
4) Músculo moído: " Standing on the Shoulders of Giants" & "Heathen Chemistry".

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

bolinando a urna

Todos preparados pra colocar o dedo lá? Bom, espero que sim.
Até anteontem estava sem candidato a vereador. E convenhamos que não existem muitas opções empolgantes pra esse cargo pra lá de subestimado no sistema político tupiniquim. Consegui encontrar alguns seres confiáveis e cheguei à minha escolha graças a uma das melhores iniciativas que já surgiram no âmbito da sociedade civil para a fiscalização da atividade política profissional: a ONG Transparência Brasil.
Relatórios estatísticos sobre assiduidade, quantidade de projetos propostos, aprovados, rejeitados, estão lá todos os dados que "desnudam" a atuação dos vereadores de Porto Alegre, do Rio, e de São Paulo. Além de muito material sobre a atuação dos nossos nobres congressistas de Brasília e um bacanudo "mapa de riscos de corrupção".
Link obrigatório nos favoritos de quem sabe da importância da consciência política pro exercício da cidadania. Fica a dica.
No mais, domingão estarei lá por debaixo das arcadas do Mosteiro de São Bento pra escolher os seres diferenciados que serão responsáveis pela administração, legislação e fiscalização da belíssima cidade que me acolheu por especiais três anos da minha existência. Não podia deixar passar a oportunidade, vou votar com tesão, estejam certos disso.