Mergulhar no mundo dos concursos é como viver sob uma eterna sensação de coito interrompido.
É inevitável. Toda sua canalização de energias, cobranças pessoais, sofrem um corte no dia da prova. Aí no dia seguinte você reflete, argumenta consigo mesmo, fica matutando, indagando até que ponto aquilo tudo acrescenta, transforma, eleva.
Em mais de 6 anos, por 17 vezes, eu passei por isso. E vou passar de novo na semana que vem. O que me constrange é saber até que ponto vai, até que ponto realmente vale a pena. Incentivos não me faltam, nem suporte.
Reflito sobre isso principalmente levando-se em conta que já experimentei o outro lado da corda. Encarar os desafios de peito relativamente aberto. Sozinho nas possibilidades, olhando pro horizonte de uma cidade desafiadora. Foram 3 anos de uma certa magia. Uma pausa no coito interrompido.
Eu não vejo magia nesse trabalho dos concursos, esse é o problema. A experiência sensível é pra lá de limitada. É você, seu cérebro, sua ansiedade, e o mundo girando lá fora. Você fica ali, meio que anestesiado, enquanto as coisas acontecem.
O grande problema, é claro, é que o tempo passa. E o grande vislumbre do mundo adulto é saber que ele é um caminho que, dentro de um certo universo convencional e social, cada vez se estreita mais. As possibilidades teoricamente se reduzem. E, se você fica anestesiado enquanto a banda larga está disponível, pode pagar um preço diferenciado lá na frente.
Eis o meu dilema. Quem está nesse mesmo barco com a bússula meio avariada sabe do que eu estou falando.
ADENDO:
Interessante como nesses anos todos de "coito interrompido espiritual" eu acabei me desenvolvendo como uma espécie de "mini blogueiro-escritor-jornalista amador ". Será que esse é realmente o caminho a se investir ou apenas uma fuga? Outro dilema.