domingo, 14 de fevereiro de 2010

I know, dear friend


Dear friend, what's the time?
Is this really the borderline?
Does it really mean so much to you?
Are you afraid, or is it true?

Dear friend, throw the wine,
I'm in love with a friend of mine.
Really truly, young and newly wed.
Are you a fool, or is it true?

Are you afraid, or is it true?

(de Paul McCartney para John Lennon - 1971)



The years have passed so quickly
One thing I've understood
I am only learning
To tell the trees from the wood

I know what's coming down
And I know where it's coming from
And I know and I'm sorry (yes I am)
But I never could speak my mind

And I know just how you feel
And I know now what I have done
And I know and I'm guilty (yes I am)
But I never could read your mind

I know what I was missing
But now my eyes can see
I put myself in your place
As you did for me

Today I love you more than yesterday
Right now I love you more right now

And I know what's coming down
I can feel where it's coming from
And I know it's getting better (all the time)
As we share in each other's minds

Today I love you more than yesterday
Right now I love you more right now
Ooh hoo no more crying
Ooh hoo no more crying
Ooh hoo no more crying
Ooh hoo no more crying

(de John Lennon para Paul McCartney - 1973)

 
 ***


Amizade

Acepções

■ substantivo feminino
1    sentimento de grande afeição, de simpatia (por alguém não necessariamente unido por parentesco ou relacionamento sexual)
1.1    grande apreço, solidariedade ou perfeito entendimento entre entidades, grupos, instituições etc.
2    reciprocidade de afeto
3    Derivação: por metonímia.
     aquele que é amigo, companheiro, camarada
4    relacionamento social (mais us. no pl.)
5    concordância de sentimentos ou posição a respeito de algum fato; acordo, pacto, aliança
6    apego (de alguns animais) pelo homem
7    Uso: informal.
     atitude ou gesto de benevolência, de complacência

8    Diacronismo: antigo.
     estado de concubinato; mancebia
9    Regionalismo: Brasil. Uso: informal.
     us. como interlocutório pessoal
Ex.: ei, não vá com tanta pressa, a.!


Locuções

a. colorida
Regionalismo: Brasil. Uso: informal.
relacionamento amoroso e sexual, ger. passageiro, sem compromisso de estabilidade ou fidelidade
Obs.: cf. amizade-colorida
a. de barca, de caminho ou de passagem
Regionalismo: Portugal.
de breve duração; passageira
nossa a.
Regionalismo: Brasil. Uso: informal.
meu amigo, meu camarada, meu chapa (us. como interlocutório pessoal)
 

Etimologia

lat. vulg. *amicìtas,átis, por amicitìa,ae 'amizade, afeição, simpatia, aliança, pacto', de amícus,i 'amigo'; ver am(a)-; f.hist. 1188-1230 amiçade, sXIII amizade, sXIV amyzada, sXV amizidade, sXV amiizade


(fonte: Houaiss)


***

Pois é, este blog não morreu, e vai começar o ano com o que realmente importa.

p.s.: it's good to be back.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

o Natal como engodo e os "fuckin' lazy nerds"

A maioria das manifestações sobre as festanças de fim de ano na internet e mais especificamente na blogosfera trazem consigo uma certa rabugice. Isso é consequência direta do fato do povo que "forma opinião" no meio ser dominado por nerds e seres não muito chegados a uma sociabilidade mais abrangente.

Minha avó, sua tia, aquele primo "amigão", todos estão lá curtindo a data. Nem que seja majoritariamente pra encher a cara, ficar falando mal dos outros e provocando a quietude alheia, eles estão minimamente (cientes ou não) sintonizados com o "espírito natalino".

Eu me considero um agnóstico. Não acho que Jesus seja uma sombra divina que irá resolver todos os nossos problemas e remediar todos os nossos sentimentos de culpa história adentro (aliás, suspeito que "Ele" pregava justamente o contrário), não sei nem se ele realmente foi um sujeito histórico,  mas sei que ele é cultura, é uma representação simbólica da nossa civilização, e está aí acompanhando o nosso fim de ano com firmeza há séculos.

Por essas e outras não consigo colocar o Natal como um engodo escroto do nosso calendário. Virou uma data de ode ao consumismo, é fato, mas resumi-la a isso ou a uma data reservada ao único e exclusivo despejo dos nossos sentimentos mais hipócritas é forçar a barra.

O homem é por natureza um animal social, isso já virou clichê e estamos carecas de saber. Viver, para nós, implica em encararmos o monstro da sociabilidade. Em nos relacionarmos com os outros de uma forma mais abrangente em algumas datas específicas.

Pode ser dolorido, pode ser mais difícil para alguns, mas é assim que a roda gira.

Existem sim os problemas familiares, existem sim as fraturas e fendas psicológicas profundas. Mas aqui eu nem me refiro a esses casos, e nem faço apologia do tapinha-filha-da-mãe-hipócrita-nas-costas, refiro-me àquelas famílias mais ou menos equilibradas, onde virou moda falar mal do Natal por uma pura, simples, e escrota "preguiça existencial" para com o outro.

É pra esses que eu deixo a mensagem: let´s do the social, you fuckin' lazy nerds!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

notas aleatórias de fim de ano

2010

Pois é, o ano, na prática, acaba essa semana. Depois, só 2010. 2010 meu amigo! Parece que foi ontem que eu estava no longínquo 2001, frequentando o Pátio dos Leões da PUC campineira, 3º ano da facul, descobrindo Strokes, White Stripes, Coldplay, petições, livros, recursos, códigos.. dando os primeiros passos num incipiente mundo adulto.

Está tudo bem claro na minha mente ainda. Quase uma década se foi e as memórias seguem frescas. Não sei até que ponto isso é bom ou ruim, o fato é que meu relógio biológico marca aproximados 3.285 dias desde então. Já posso dizer com propriedade que sou um sujeito rodado. Minha juventude "latu sensu" ainda tem gás pra dar, mas uma sensação de um certo peso na alma já se faz presente.

Blog

Como os nobres leitores desse espaço já devem ter notado, a coisa anda devagar. Digamos que seja um pouco do reflexo do estado de espírito do editor, mas não é só isso. Ultimamente tenho voltado minha cabeça pra elaborar uma nova arquitetura pro nosso amigo, não só no aspecto estético como de conteúdo, e uma eventual mudança de casa também está nos planos.

O melhor de 2009

Ontem me animei e pensei em postar uma listinha aqui com o que mais me interessou neste ano. Uma miscelânia mesmo, com assuntos de várias áreas. Não garanto nada, mas pode ser que role até o dia 31.

Direito versus Comunicação

Se tem algo que marcou o meu 2009 foi uma certa esquizofrenia profissional. Comecei o ano a todo vapor nos concursos jurídicos e termino finalizando um curso de webdesigner. É isso aí mesmo, advogado webdesigner. Talvez eu seja o primeiro do país, não duvido nada. E aguardem porque a meta para o ano que vem é completar a transição para o mundo da comunicação social, isso se os ventos (e a necessidade) não resolverem mudar de rumo mais uma vez. Podem me chamar de louco, mas um louco em busca de um certo tesão profissional desconhecido. O problema é que começo a desconfiar, ou melhor, a aceitar que o dito "T" não existe.

A receita

Ansiedade, tédio, comodismo, com pitadas de amor e cumplicidade. Assim podemos definir o 2009 do escriba.

Presente de Natal



(informações: aqui)

Ainda dá tempo pessoal. Estamos em época de fraternidade e boas ações para com o próximo.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

me, bladerunner



Foi na minha adolescência que eu descobri uma das minhas películas cinematográficas favoritas. Lembro bem das vezes em que eu fantasiava e me colocava no papel do Harrison Ford, sentado solitário num restaurante chinês em uma Los Angeles desolada pela tecnologia e pelo nosso estilo de vida pós-moderno, no hoje não tão longíquo 2019, imaginando-me como um verdadeiro caçador de replicantes (ou seria da essência humana, e de si mesmo?).

Pois bem, hoje navego pela internet e me deparo com essa notícia:

IBM anuncia que está mais perto de produzir chip que opera como o cérebro


Segundo a companhia, o novo algoritmo, batizado de "BlueMatter", desenvolvido junto com a Universidade de Stanford, "mede e rastreia as conexões entre todos os pontos corticais e subcorticais do cérebro humano" utilizando técnicas de ressonância magnética.


Ao mesmo tempo, os pesquisadores da IBM conseguiram realizar a primeira simulação do córtex cerebral quase em tempo real, que contém um bilhão de neurônios e 10 trilhões de sinapses individuais, mais do que o córtex do cérebro de um gato.


A simulação foi efetuada com o supercomputador Dawn Blue Gene/P instalado no laboratório Lawrence Livermore e formado por 147.456 processadores centrais e 144 terabytes de memória.


A IBM disse que estes dois avanços a aproximam do objetivo de produzir um chip "sinaptrônico" compacto e de baixo consumo de energia utilizando nanotecnologia, que será necessário para criar "novas classes de sistemas de computação" em um mundo que gera crescentes quantidades de informação digital.


"As empresas precisarão controlar, estabelecer prioridades, adaptar e tomar decisões rápidas sobre a base de fluxos crescentes de dados e informação crítica. Um computador cognitivo poderia juntar de forma rápida e exata as peças díspares deste complexo quebra-cabeça", aponta a IBM.


A fase seguinte do projeto, financiada com US$ 16,1 milhões da Agência de Defesa para Projetos Avançados de Pesquisa (Darpa, na sigla em inglês) do Pentágono, se centrará em componentes com arquitetura similar à do cérebro e em simulações para produzir um chip de protótipo. EFE jcr/bba



Eu não me considero um pessimista clássico, mas também o otimismo clássico passa longe da minha cabeça. Acredito que estou ali em algum lugar que poderíamos chamar de realista melancólico. E essa notícia tem um "q" de realismo melancólico.

Sempre tive uma sensação, quando assistia Bladerunner, de que o filme não se tratava de ficção científica, e pior, essa sensação só cresceu junto com o tempo e a proliferação da minha pelagem.

Nowadays, macaco pleno, vejo que uma fagulha quase-revolucionária surgiu fora das telas, e eu sou mais Rick Deckard do que nunca.





quarta-feira, 11 de novembro de 2009

no escuro


Esse blog é escuro, e tem uma razão de ser. Para tentar enfrentar os limites dos nossos questionamentos existenciais é preciso encarar a escuridão.

Esse recente apagão elétrico que atingiu grande parte do país me fez refletir sobre isso, essa inquietude deveras desesperadora que atinge o ser humano quando ele se encontra no completo breu.

O noticiário televisivo beira uma certa histeria no transcorrer do dia de hoje tentando entender as causas de uma falha que é sabidamente possível em qualquer rede ou sistema complexo. E não acho que eventuais interesses políticos expliquem por si só tamanha "neura" camuflada no jornalismo. O buraco provavelmente é mais embaixo.

É só olhar pras pessoas que estão ao seu lado, ou seus vizinhos, todos guardam uma inquietude primal quando todas as luzes se apagam e a velha e boa chama de fogo volta a ser o único porto seguro.

Por experiência própria, eu sinto que quanto mais você procura entender e vivenciar a escuridão melhor você consegue enxergar, trabalhar, e amadurecer o próprio espírito. E penso que falta um pouco disso em nós como civilização: tentar vivenciar de uma forma mais plena a escuridão, e, por consequência, entendermos melhor o que nós somos e representamos diante do vazio.

Como fazer isso? Uma noite deitado na grama de um sítio interiorano (com todas as luzes apagadas), uma parada no acostamento da estrada vicinal (desligando os faróis), com uma não necessariamente longa pausa para observar o firmamento noturno. Essa é uma opção, mas existem várias. Pra muita gente, dormir num quarto totalmente escuro já seria um grande avanço.

Embora a humanidade tenha alcançado um gigantesco grau de conhecimento tecnológico e de engenharia de tal forma complexos e refinados, ainda não conseguimos lidar de forma serena com medos que estão incrustrados na simplicidade espiritual da natureza.

Um dos livros mais antigos e influentes da humanidade já dizia que no começo era o nada e a escuridão. E ninguém nunca deu muita bola pra isso. O "cool" só teria aparecido com o verbo e a ação, em forma de luz. Mas eu sou daqueles que acreditam que a maturidade repousa na não-ação e no silêncio. O dia em que olharmos pra esse lado da moeda com mais carinho e menos "cagaço", vislumbraremos melhoras sensíveis em nós mesmos na trajetória de uma certa caminhada aparentemente sem destino.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

um país sério

"O que estarrece, e aí ficamos muito preocupados com a quadra vivida, é que uma decisão mandamental do Supremo tenha o cumprimento postergado. Causa espécie que o Senado da República se recuse a cumprir uma decisão do Supremo. Não sei. Talvez a quadra seja sinalizadora de fecharmos o Brasil para balanço."

Marco Aurélio Mello, Ministro do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral, na Folha Online.

Contextualizando:

Senado ignora Supremo e mantém senador cassado

(...)

ANDREZA MATAIS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O Senado não afastou do cargo o senador Expedito Júnior (PSDB-RO), como manda a decisão do Supremo Tribunal Federal, e resolveu encaminhar o caso para ser analisado pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). A posse do substituto teve de ser desmarcada.

O senador Expedito Júnior foi cassado pela Justiça Eleitoral por abuso de poder econômico e compra de votos na eleição de 2006.

Na semana passada, o STF julgou ação proposta pelo segundo colocado nas eleições, Acir Marcos Gurgacz (PDT-RO). Ele pediu para tomar posse no lugar de Expedito, já que tanto o TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de Rondônia -que o cassou em 2008- como o Tribunal Superior Eleitoral -que confirmou a decisão em junho deste ano- determinaram sua saída imediata.

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), mandou publicar a decisão e convocou o pedetista a assumir a cadeira ontem, ao mesmo tempo em que reuniu a Mesa Diretora para deliberar sobre o assunto.

Como a decisão deve ser colegiada, a Mesa decidiu mais uma vez ignorar o Supremo e aceitar o recurso de Expedito ontem para que ele pudesse se defender na CCJ. Com isso, a posse de Gurgacz foi adiada e o tucano segue no cargo.

Folha de S. Paulo, versão impressa; p. A4 - 04/11/2009

Qual o critério pra determinar se um país é "sério"?

Olhando a nossa volta verificamos que nossa nação está pungente, na crista da onda em termos econômicos e nas relações internacionais, teremos em breve o privilégio e o "peso" político de sediar dois eventos de alcance geopolítico global em um curto espaço de tempo - mas o ponto é: será que toda essa bonança nos torna um país "sério"?

Não é difícil determinar nesse caso a "seriedade" como um critério de amadurecimento político. Foi isso que supostamente De Gaulle (ou o inconsciente coletivo nacional) quis dizer e está implícito em toda crítica pertinente que é feita ao Brasil enquanto nação ou civilização.

Acredito que ao longo deste século, e em particular nos últimos 15 anos, o país amadureceu muito em termos políticos, mas ainda não podemos classificá-lo como um adulto pleno nesse cenário. Saímos de uma adolescência infantilóide mas ainda somos um jovem que teima em cometer erros grotescos. Criamos traços básicos de personalidade, porém perdidos em nossos objetivos existenciais. E claro que assim como muitos seres humanos, várias nações demoram séculos pra achar o seu rumo, e muitas vezes morrem sem tê-lo achado.

Eu lendo essa notícia entendo o estarrecimento do Ministro Marco Aurélio. O que está no cerne da seriedade e maturidade de um país em tempos de democracia liberal é o modo como os poderes e suas instituições básicas se respeitam e cumprem a lei. Não digo aqui da falta de respeito à lei pelo agir político dos cidadãos, o que é normal e até saudável, mas sim do não cumprimento de uma ordem judicial dentro do âmbito das relações institucionais mais altas da república.

A sorte nossa, ou vantagem, é que deixamos a dita adolescência pra trás e tudo acaba se resolvendo nas miudezas políticas que a nossa juvenil (porém maior de idade) democracia aprendeu a vivenciar. Antes isso do que a instabilidade total dos "países criança".

Mas convenhamos, já temos todas as condicionantes para dar um passo decisivo rumo à entrada no mundo das nações plenamente adultas e maduras. Porque tanta demora (injustificada)?

domingo, 20 de setembro de 2009

sobre ser côncavo ou convexo

Domingão crepuscular. Uma boa hora para a reflexão.

Percebi que estou chegando numa fase da vida em que certas decisões precisam ser tomadas. Elas são necessárias e inevitáveis. Algumas pessoas as tomam inconscientemente, outras as enxergam claramente, algumas fogem delas desesperadamente, outras simplesmente as protelam, e ainda existem aquelas que já cresceram com elas tomadas lá atrás, compulsória ou voluntariamente.

É algo que fica lá no âmago, um pano de fundo, regendo nosso espírito como uma espécie de maestro das últimas instâncias existenciais.

Não há como escapar, em algum momento da vida partimos para o "ser côncavo" ou para o "ser convexo". Não que essa bipolaridade seja excludente, nem que um caminho seja melhor que o outro, mas temos que decidir qual dos ditos será a linha mestre, o tronco, o dito rumo da nossa vida.

Sob o "ser côncavo" vamos "assentar a poeira", criar laços afeto-sociais sólidos, buscar uma fonte financeira rentável e duradoura, vamos perder amigos, criar família, vamos ter que sentir o mundo de uma forma mais elástica e benevolente, reprimir o ego, buscar no horizonte não as novidades, mas a segurança da "blindagem" das ditas raízes que anestesiam a schopenhauriana dor primal.

Sob o "ser convexo" vamos pulverizar nosso afeto e nossa sociabilidade, vamos conviver com a fonte financeira exígua, vamos perder mas sempre criar novas possibilidades de amizade, vamos sentir o mundo com um "sensorialismo espiritual" aguçado, vamos surfar sobre a vontade e representação schopenhaurianas, fortalecer nosso ego pra encarar o sofrimento sem a blindagem radicular, vamos trilhar nosso caminho auto-centrados e com uma certa solidão presencial, vamos ter que lidar com a contingente insegurança e buscar no horizonte as novidades que acalmam o espírito, teremos que ser eternos iludidos com as próprias e alheias limitações.

Como dito, a escolha é natural. Consultar a si mesmo e ter total consciência e controle do processo e da decisão é que é difícil, nada simples, mas estou (por hora) convencido da "convexitude" do meu ser. E isso não se deve só à minha miopia.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Facebook: tudo o que um site não deve ser


Pois é, aparecendo por aqui pra reclamar. Fazia tempo que não caía numa cilada no mundinho das mídias sociais, mas o facebook me pegou.

Talvez esteja exagerando um pouco no título dessa postagem, mas é um exagero necessário. O famoso e gigantesco site de relacionamentos é um especialista no que eu chamaria de "truculência cibernética". Não que eles não façam nada que a divindade Google, ou a Microsoft, ou qualquer outro "blockbuster" da arquitetura da informação não faça em termos de (falta de) boa política de privacidade. O problema é que eles não tem a mínima noção de como deixar um usuário mais atento seguro sobre como os seus dados pessoais são tratados.

A curiosidade humana junto a um estado de espírito "maria vai com as outras" me fez arriscar na criação de um usuário. A aventura durou 15 dias. Presenciei o que eu mais temia: os meus dados e informações passeando numa gororoba de aplicativos e dispositivos meta-publicitários que te deixam totalmente sem controle sobre o que você posta, informa, e armazena na rede.

Logo de cara, na inscrição pra criação da conta, após informar meu nome e e-mail, já fui bombardeado por dezenas de "sugestões de contatos" que me fez ter a sensação de que fizeram um "pente-fino" em todas as minhas fichas de dados pessoais off e on-line e descobriram que fulano e ciclano faziam de alguma forma parte da minha vida. Acharam amigos e contatos reais meus com a simples informação do meu nome e e-mail, sem que eu desse qualquer senha pra que tivessem acesso às tais informações, como é usual em 99% dos sites de relacionamentos.

Pelo menos eles foram eficientes. O problema é que nenhuma pessoa que vela pela sua privacidade on-line recebe de bom grado esse tipo de prestatividade. É de uma deselegância ímpar. Comparando, outros sites similares como Orkut e MySpace também te ajudam a buscar sua rede de contatos, mas perguntam antes e agem depois que você libera as informações constantes, via de regra, nas contas de e-mails.

Depois dessa recepção de amigo da onça, fui correndo pra seção de configurações pra restringir ao máximo a disponibilidade dos meus dados. Mesmo depois de ter criado uma hipotética muralha na configuração do dito, ainda assim, alguns dias depois, minha foto de perfil apareceu inocentemente num desses anúncios proto-publicitários que passeiam pelo site.

Agora, aqui entre nós: que tipo de confiança e segurança um site que trata dados pessoais desse jeito pode te passar?

E o melhor veio depois, quando fui tentar deletar meu perfil. Ou melhor, "desativar" meu perfil. Pois o facebook não exclue sua conta do sistema, ele apenas desativa com a possibilidade de retorno, com a seguinte mensagem:

Olá Alexandre,

Você desativou a sua conta do Facebook. Para reativar a sua conta a qualquer momento, efetue login no Facebook usando seu e-mail e senha de login antigos. Você conseguirá usar o site como costumava acessar.

Obrigado,

A equipe do Facebook

É mole? Então quer dizer que se eu não limpo meus dados de perfil antes de "desativar" a conta eles ficam lá, flutuando no mar de gororoba publicitária da rede do site ad eternum?

Tenho certeza que mesmo os publicitários mais aguerridos com bom senso profissional hão de concordar comigo que esse modo de operar é no mínimo deselegante. E burro, acima de tudo. Afinal, o mundo virtual não é feito apenas de lemmings idiotizados que não estão nem aí pra esse tipo de "estupro da personalidade" virtual.

E pra não acharem que sou um paranóico solitário, acessem e leiam o relato desse colega de blogosfera, com maiores detalhes: Invasão de Privacidade no Facebook.

Aqui tem um pouco mais do histórico de boníssimas maneiras do site: Facebook enfrenta processo por invasão de privacidade do Beacon.

Baby Facebook, no donut for you.