segunda-feira, 17 de julho de 2006

tic-tac, tic-tac, tic-tac..


Bom, já fazia um tempinho que não escrevia por aqui. Lapso aliás causado justamente por uma "coceira" que me fez escrever hoje: o fator tempo.

Não que esteja faltando tempo, mas eu ando brigando com ele. E também ainda não descobri o motivo. Só sei que ando olhando muito para os relógios. Não sei até que ponto isso é algo interessante.

Em especial aqui em São Paulo isso anda me incomodando um pouco. Talvez seja mais uma das minhas idéias sem pé nem cabeça, mas estava conversando sobre isso com pessoas próximas e elas também visualizaram a nebulosa.

Todos nós sabemos que o tempo é algo relativo, matematicamente falando aliás. Mas estava eu notando que essa relatividade é tal que aquele velho duelo tempo-espaço ganha ares megalomaníacos nas idéias que ando tendo.

Pode ser total maluquice, mas o tempo aqui na terra da garoa tem uma "velocidade" diferente da dos ares campinólios, e vertiginosamente discrepante da dos tic-tac dos ponteiros na aprazível itapevolândia, por exemplo.

Aparentemente, aqui em São Paulo, de uma forma geral, talvez pelo gigantismo e pelo estresse meio que inerente ao ambiente tudo parece que passa mais rápido, e de uma forma angustiante. Enquanto que em Itapeva city, uma cidade mediana e relativamente pacata, o problema é oposto, tudo é angustiantmente lento.

Não sei se é pelo fato de eu morar sozinho por aqui, mas eu tenho uma sensação muito presente de que a vida por essas bandas passa rápido demais. Rapidez essa que diminui sensivelmente quando eu vou pra Campinas.

Sei lá que ráio de lógica sensorial (?) é essa, mas ela existe. Ou eu definitivamente sou um sujeito piradaço. E ando viajando e gerundiando além da conta.

The Lunatic is in the sky...

(Syd Barrett)

* 06/01/1946

+07/07/2006



Com um certo atraso, eu deixo a minha homenagem aqui.

Morreu no dia 07 passado um dos maiores expoentes que a música pop já teve. Roger "Syd" Barrett foi guitarrista e fundador da banda Pink Floyd. Aquela mesmo que vocês sabem que eu sou fã.


Deixou como legado um álbum que é um dos maiores clássicos do rock and roll: The Piper at the Gates of Dawn (1967). Junto com todo um jeito de se fazer música que se seguiu às suas "pirações" musicais. Só pra se ter uma idéia, Thom Yorke, Bjork, Sigur Rós e companhia limitada nem sonhariam em existir sem aqueles acordes distorcidos e viajantes que saíam das suas guitarras.

Sem falar no próprio Pink Floyd, que baseou toda a sua carreira no "modelo musical" desenvolvido pelo nosso caro lunatic.

Pena que sua produção musical foi curta devido ao descontrole com as drogas. O exemplo típico de como qualquer vício (tantos os necessários quanto os desnecessários), quando levado ao extremo, detona com qualquer corpo vivo.

Bom, em resumo, o cara era um gênio. Quem já ouviu os quatro minutos e pouco de viajem sonora provocados pelos acordes da canção Astronomy Domine sabe do que eu estou falando. Ademais, convoco a quem ainda não escutou as músicas do rapaz a descolar pelo menos essa música. Vale a pena.

E que o sujeito mais romântico e pirado que já surgiu no mundo da música descanse em paz. Pois ele merece. Esse sim, um verdadeiro "Che Guevara" do rock and roll.

domingo, 2 de julho de 2006

fascinante

É clichê dizer que a internet é algo fascinante, mas não deixa de ser uma constatação sensata. Diria também que é uma ferramenta que, se hipnotiza e entorpece, também tem seu lado levemente assustador.

Eu pergunto: o que o meu humilde blog e um ex-prefeito da cidade de Los Angeles teriam em comum?.. Se você não acha uma resposta, muito menos eu a tenho. Só sei que o referido sujeito andou passeando pelo meu blog.

Algum tempo após ter iniciado o blog instalei um contador no "rodapé" da página. O mesmo possui todo um "rol" de configurações e telas de análise que possibilitam pra gente "rastrear" as figurinhas que visitam aqui o espaço (por favor, sem paranóia, eu não fico seguindo todo mundo que passa no blog, só quando percebo alguma visita "anormal". rs). Num dos links de acesso que apareciam lá havia a remissão pra um blog de um "ex-major" da cidade de Los Angeles (?).

Pior que era um blog sério mesmo, no melhor estilo daqueles blogs politizados americanos, falando de políticas afirmativas, desenvolvimento social, e outras firulas. Mas isso me encucou. O que levaria uma proeminência política yankee a visitar o meu humilde espaço? Como ele me achou? Que ferramentas usou? Que idéias, "palavras- chaves" o trouxeram a minha humilde morada? Que ponto na "teia" da net (olha que pleonasmo redundante chique. rs) fez com que os interesses dele e os meus se colidissem?..

Se isso não é fascinante, por favor, achem uma palavra melhor e coloquem aí. Ser um sujeito relativamente "nerd" possibilita presenciar esses grandes pequenos feitos culturais da humanidade.

segunda-feira, 26 de junho de 2006

"Não existe amizade sem erro"


Estava eu zapeando os canais ontem de noite na TV quando parei no "café filosófico" que passa na TV Cultura (aliás, acho que sou a única pessoa que assiste esse programa no final de domingo na televisão). Um psicanalista, se não me engano, estava comentando sobre o tema do dia (a amizade) e falando pelos cotovelos quando soltou essa frase. Eu achei uma afirmação extremamente pertinente, feliz, e realista.

É interessante como os mais sinceros e profundos relacionamentos humanos dificilmente são pacíficos. Eu aprendi isso só com o tempo também. Quando era adolescente ainda tinha meio que uma idéia fixa e bem clara de que teria que me esforçar o máximo possível pra ser o cara mais legal possível pra ser aceito pelo maior número possível de pessoas, em resumo, era a ideologia "Alexandre paz e amor". Bom, como todo ser humano que tem um traço de personalidade conservador, eu continuo sendo e agindo assim em boa medida. Porém, conforme fui crescendo e "evoluindo" aprendi que essa idéia não estava de todo errada, ou melhor, que ela tinha muito pouco de certa e que o conflito é inerente e necessário no relacionamento entre pessoas.

Junto com o conflito, e como causa desse, sempre existe o erro. É meio que um detalhe fundamental que age de uma forma necessária e desconcertante para que uma boa amizade não se transforme em algo protocolar e, por consequência, perca a sua intensidade e sinceridade.

Falo aqui em amizade no sentido amplo, no relacionamento de empatia entre duas pessoas que de alguma forma se identificam. Seja no âmbito do que costumamos chamar de amizade padrão mesmo, seja dentro da família, ou em relações mais íntimas. Qualquer amizade que realmente possa ser chamada de amizade possui esse elemento que "joga a merda no ventilador" (não encontrei metáfora melhor).

Mas é interessante também que a questão do erro é muito relativa. Conforme ele aconteça, da forma que aconteça, como é interpretado, aceito ou não aceito, perdoado ou não perdoado, pode "azeitar" muito uma relação como também "azedar" de vez.

Tiro essas conclusões de experiências próprias que tive, e que volta e meia tenho novamente. É aquela história das "cagadas que não tem mais volta". Algumas são grandes cagadas que acabam sendo relevadas, outras são cagadinhas detalhistas que fazem uma sujeira legal. Conforme o grau de significação do erro e do que ele representa pra outra pessoa na amizade a coisa pode ser saudável ou não. E o mais legal de tudo, a grande arte do negócio, está em tentar adivinhar isso. Uns são grandes artistas e sabem trabalhar bem com esse "elemento do erro", outros são menos maleáveis e machucam ou são machucados pela dificuldade de lidar com essa questão do conflito.

No mesmo programa, um jurista conhecido que também estava de debatedor comentou que a base da amizade está na identidade. Naquele lance da empatia que "pega" e não deixa mais de existir enquanto houver uma visão comum na relação. Taí um contraponto de balança legal pra fechar o conceito e resolver a equação: amizade = erro + identidade.

O importante na verdade, sempre, é buscar equacionar a fórmula.

o não-lugar

Sempre quando vou trabalhar passo de busão pelo finalzinho da Avenida Ipiranga (em frente ao Copan), viro a Consolação, e subo em direção a Avenida Paulista. Esse é o trajeto do "cocozão", vulgo "terminal santo amaro", uma das linhas de ônibus mais "cool" da paulicéia. Principalmente porque ela passa no ponto da faculdade MacKenzie e sempre apanha as beldades que saem de lá.
Bom, mas voltemos ao que interessa. Esses dias estava vendo uma entrevista do ator Pedro Cardoso no programa Vitrine da TV Cultura e ele falava justamente do período em que morou em São Paulo e dava a sua visão de carioca sobre a cidade, a pedido do entrevistador. Comentou que o que achava mais legal na cidade eram as pessoas, e que não entendia aquela região do começo da Rua Consolação, a qual ele classificou como algo meio bizarro. E eu concordo com ele.
Nos últimos dias, de manhã, tenho reparado melhor naquele pedaço e realmente faz sentido. Diz o ator, algo assim: "eu lembro que eu morei ali no centro, como chama aquele lugar que tem uma igreja.. e tem um túnel que sai de um lado e de outro..? aquilo é muito estranho cara!.. eu não entendo aquele lugar.." Se a gente pára e reflete, é algo meio estranho mesmo. Primeiro, porque desde que eu me dou por gente aquela igreja está em reforma e parece que não passam almas vivas (?) por ali, que nem paróquia com padre tem no lugar. Depois você olha um pouco em volta e vê os túneis da radial leste saindo por ambos os lados, e o "minhocão" ali na frente. Parece que a igreja fica "suspensa" em meio a todo aquele trânsito. A cidade se tornou uma bagunça tal que a malha viária "comeu" o espaço da igreja e criou uma paisagem urbanisticamente meio insólita. Um não-lugar.
Eu ainda vou tirar uma foto dessa paisagem e passar o dia analisando e observando. Até porque é difícil parar naquele entroncamento, arranjar um canto, e contemplar o visual.

segunda-feira, 19 de junho de 2006

miocárdio (-1)


Antes de mais nada, eu quero dizer que estou puto. Fiquei 40 minutos escrevendo um texto que fiquei refletindo horas e horas e que a merda do editor do blogger fez eu perder em um piscar de olhos.

Enfim, já de saída, a constatação óbvia: nunca abandone o "bloco de notas" do seu computador, pois ele é (e sempre será) o seu fiel escudeiro no mundo das letras internéticas.

De uma certa forma, foi até bom, pois o texto era de uma "singeleza paranóica" gritante. Idéias esparsas para preencher o espaço de abertura desse "post temático" que estava pedindo já faz um tempo pra ser "cuspido" da minha cabeça.

Daqui a menos de um mês completarei 25 anos de idade. Os entendidos diriam que estou no auge da minha plenitude física, o "ponto de vergência" daquela famosa curva da saúde física que qualquer ser do reino animal percorre. Curva essa que incomoda muita gente, e é o terror de qualquer alma feminina. Nesse ponto, para elas, a força da gravidade finalmente deixa de ser uma teoria física do colégio e passa a ganhar um sentido angustiantemente prático.

Nos últimos tempos tenho sentido os efeitos do "andar" dessa curva também. Nunca tinha parado pra pensar nisso antes, mas sinto e noto cada vez mais que tudo parece estar mais "pesado" e "lento" no que se refere a relação do meu corpo com a minha mente.

Talvez seja a constatação óbvia de que deixei de vez de ser um "meninão" e mergulhei de cabeça no mundo físico e psicológico adulto. Mas tal mudança não deixa de trazer uma sensação inquietante de que o "disco está saindo de rotação" e fazendo a música ficar distorcida, ou ainda, saindo daquela rotação alta que você estava acostumado a "tocar" sua vida e o obrigando a uma mudança na velocidade do "motor da vitrola".

E o mais interessante é o local onde você começa a sentir que esta "distorção" está acontecendo a pleno vapor: o coração.

Volta e meia vem aquela "palpitação" leve, aquela sensação de que o seu coração vai explodir e sair do seu peito. Tudo isso ali no dia-dia, vivendo emoções, digamos, normais. É como se, de tempos em tempos, ele virasse pra você e dissesse: "Alexandre, agora não sou só eu sozinho.. também dependo de você.."

Enfim, some-se a esse "diálogo interno" toda a predisposição do histórico cardíaco da minha família e temos um quadro, no mínimo, interessante. Algo que me fez dar conta, como um soco no estômago, de que a contagem regressiva começou.

quarta-feira, 14 de junho de 2006

Yes, I have banana..

Esses dias eu estava reparando um "aroma" diferente no meu apartamento, mas não sabia o que era. Sempre quando chegava do trabalho e abria a porta eu sentia o cheiro. Algo que contaminava a minha humilde kitnet. Ou melhor, ainda contamina.

Descobri que as culpadas são as pobres bananas que habitam o cesto que fica em cima da mesa. O pior é que fica um "fedor", digamos, agradável. Algo que camufla um pouco aquele cheiro massante de apartamento velho. Bananas aliás fundamentais na minha alimentação diária. Potássio e calorias que me fazem sobreviver até os 15 minutos de almoço que tenho no meu "job".

Receita básica matinal: duas bananas massarocadas, muito mel e aveia; pra acompanhar, um copo de leite e um pão com presunto/queijo/salame. E nada mais.
Preciso levantar mais cedo e aprimorar isso.

segunda-feira, 12 de junho de 2006

Isn't it a pity?


Isn't it a pity
Now, isn't it a shame
How we break each other's hearts
And cause each other pain
How we take each other's love
Without thinking anymore
Forgetting to give back
Isn't it a pity
Some things take so long
But how do I explain
When not too many people
Can see we're all the same
And because of all their tears
Their eyes can't hope to see
The beauty that surrounds them
Isn't it a pity
Isn't it a pity
Isn't is a shame
How we break each other's hearts
And cause each other pain
How we take each other's love
Without thinking anymore
Forgetting to give back
Isn't it a pity
Forgetting to give back
Isn't it a pity
Forgetting to give back
Now, isn't it a pity

What a pity
What a pity, pity, pity
What a pity...
("Isn´t it a pity" - George Harrison)

Alguém determinou que hoje é o "dia dos namorados". E eu estou longe de decifrar o que isso significa. Só sei que escuto essa música do George Harrison e descubro que ela é uma das mais belas baladas de todos os tempos. Uma canção para os amantes. Sejam aqueles com o outro ao seu lado, com o outro levemente distante, com o outro muito distante, com o outro na cabeça, com o outro na alma, com o outro no espírito. Enfim, para todos aqueles que sabem que tem o seu "outro" em algum lugar.