sexta-feira, 22 de setembro de 2006

peroba neles!

Já repararam como essa eleição está sendo diferente? Sem sujeira nas ruas, tudo muito comportado, bonitinho, bem "clean". Em compensação, sujeira é o que não falta nos noticiários.
Bom, eu não sou nenhum fã do senador Heráclito Fortes (muito pelo contrário), mas essa frase dele é muito boa:
"Nossa capacidade de investigar fatos está anos-luz a distância da capacidade do governo de fazer cagada."
É uma sábia constatação, sem dúvida. A incompetência rola por todos os lados, seja pelo lado da oposição ou da situação. É entediante observar como nossa classe política está aos frangalhos. Como comentei recentemente aqui no blog, faltam caras, idéias, e projetos novos no meio político. "Farinha" nova.
Nós não podemos nos enganar. Não há nada de novo ou surpreendente nesse quadro político. Não fomos pegos repentinamente envoltos num "mar de lama" inusitado por esse governo atual. Esse "mar" sempre existiu. A única diferença é que agora um grupo político mais inexperiente e "pobretão" está se deslumbrando e se lambuzando nessas águas barrentas. E isso causa uma urticária danada no grosso da mídia que sempre foi alinhada com um povo politicamente mais sofisticado mas igualmente lambuzado.
Enfim, não há solução mágica. Política é uma combinação de fatores que vão desde o estágio de desenvolvimento social de um povo até a forma como esse mesmo povo enxerga a si mesmo e à idéia da disputa do jogo de interesses frente ao bem comum.
Eu assino embaixo a máxima daquele candidato do partido dos coitados dos aposentados da nação. Num mundo onde reina a cara-de-pau deslavada, nada melhor do que "vernizar" essas faces com o melhor óleo de peroba do mercado.

quarta-feira, 20 de setembro de 2006

"the dark of the matinee is mine!..."


(Alex Kapranos - musica.terra.com.br)


Bom, eu poderia escrever um verdadeiro tratado sobre a noite do último sábado, dia 16 de setembro de 2006. Assim como se tivesse o blog nos idos de março desse ano também escreveria um texto gigante sobre o fatídico 15 de março, o dia em que aquele que alguns chamam de "Deus" fez chover em SP.
Enfim, foram os dois melhores shows de rock que eu já tive a oportunidade de assistir. O Oasis debaixo de chuva mandando ver pra uma platéia de seguidores religiosamente fanáticos e o Franz Ferdinand fazendo aquilo que se poderia chamar de a melhor performance pop-rock-art-dançante que alguém pode vivenciar sobre a face do planeta terra.

(Kapranos e platéia - www.estadao.com.br)

E não é papo de fã desmiolado da banda não. O Franz Ferdinand faz um tipo de show raro que poderíamos chamar de a essência do que uma apresentação de boa música pop deve ser. Ao mesmo tempo, não se propõe a revolucionar o mundo, mas também não deixa nem aceita que a música seja algo puramente descartável e pra diversão instantânea.

Eu sempre visualizei a banda como uma mistura sofisticada e explosiva do melhor do "crooner pop" Elvis Presley com a criatividade e descontração dos Beatles. Aliás, uma das minhas músicas favoritas deles, You´re the reason i´m leaving, parece uma junção perfeita desses dois ícones do rock and roll. Pena que não tocaram no show em SP.

Mas em resumo, eu lembro muita pouca coisa da apresentação em si. Como todos lá, estava sensivelmente extasiado e sem muito raciocínio lógico. Lembro dos cabelos da minha amiga Cris "lutando" contra a força da gravidade num vai e vem frenético de pulos dançantes na minha frente. Do Kapranos esguelando lá no telão os refrões de pérolas como The Dark of The Matinee, Michael, Outsiders, This Fire.. essas, na minha opinião, as melhores performances da noite.

A verdade é que celebrações como essa são de tal forma empaticamente bombásticas que fica difícil você fazer uma "análise". E eu também não apareci aqui hoje pra isso. A postagem é única e exclusivamente pra deixar registrado que o Franz Ferdinand é uma puta banda, e que eventos como esse tem uma singularidade que nos deixam eternamente agradecidos. Seja pela música, pelos amigos, ou pela junção mágica das duas coisas.

sábado, 9 de setembro de 2006

"Lime and limpid green the second scene..."

Hoje a noite assisti a um show cover muito bom. Na verdade a banda que fez a performance não é uma banda cover, mas fez um excelente show cover. O pessoal do Violeta de Outono (foto ao lado) tocou num tributo ao guitarrista Syd Barrett, do Pink Floyd, dentro de um festival chamado "Poeira Zine Fest" (na verdade são três shows, não sei se isso chega a ser um festival).

Eu fui na fé de que seria um show "na faixa", mas cheguei no local e descobri que teria que desembolsar R$10,00. Fiquei um tempo refletindo sobre a indagação "será que vale a pena?". Nunca tinha escutado essa banda antes, muito menos fazendo cover. Mas valeu, e muito.

Eu arriscaria dizer que foi o investimento de 10 pilas mais "rentável" que eu já fiz na minha vida. O show valeu os 10 e ainda sobrou. Fizeram uma apresentação extremamente fidedigna pra nenhum "floydmaníaco" botar defeito. Sem falar que o ambiente (local do show) dava um clima a parte, com a banda fazendo o show num mini-teatro que era meio como um "buraco" onde a platéia podia ver de cima. "Nerds" e afins se ajeitaram e curtiram 1 hora e 40 e poucos minutos de um rock and roll de altíssima qualidade.

Eles abriram com uma performance matadora de Astronomy Domine. Tocaram o clássico The Piper at the Gates of Dawn de cabo a rabo. Conseguiram recriar aquele climão art-rock psicodélico com competência. Foram seguindo com várias canções da carreira solo do nosso amigo Syd aí do lado e mantendo o nível. A versão para Terrapin ficou muito boa. Mandaram ver também em Octopus (uma das minhas favoritas) e Baby Lemonade (excelente). Só senti falta de Apples and Oranges e Dominoes. Em compensação, eles tocaram algumas que eu não conhecia e que já serão alvo de uma pesquisa bem detalhada para trazê-las ao meu acervo.
Enfim, deu pra curtir um som refinado, pop, rock, poético, e competente, mesmo sendo cover. Talvez aliás isso tenha ajudado no esmero do trabalho. Convenhamos que a gente não acha isso em qualquer esquina. Ainda mais tratando-se de quem se trata.
Deixo meus parábens ao pessoal da banda. Apesar de ficar me metendo a escrever resenha aqui, não sou nenhum crítico de música pop. Mas tenho certeza que se houvesse um lá na platéia hoje ele iria concordar comigo.

sexta-feira, 8 de setembro de 2006

pensamentos no café da manhã

Cá estou eu, sentado com uma tijela de cereal e escutando Oasis na frente do computador. Não coloquei a "buzanfa" aqui na cadeira pra escrever algo de especial. Assim como minha amiga Cris tem seus "ordinary posts", é só uma postagem com pensamentos vagos e cotidianos. Ás vezes penso que minhas postagens são megalomaníacas demais.
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Não sei, eu não me sinto só, mas invariavelmente tenho um sentimendo de vazio em relação às pessoas que me cercam (seja física ou virtualmente falando). Sei lá, um certo imobilismo. Talvez seja um sentimento social geral (andei reparando nisso também). Dá impressão que as pessoas andam muito desacreditadas, sem sonhos. E obviamente que estou no meio disso também. Ando me sentindo muito "atado". O pior é que acho que 90% desse imobilismo é por culpa minha mesmo.
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Em contraponto, hoje soube de uma atitude oposta, de "desatamento", que me deixou muito feliz. Principalmente porque tem a ver diretamente comigo e com uma pessoa que eu gosto muito. Aliás, meio que inconscientemente, a gente conversa direto sobre isso.
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Estou adquirindo aos poucos uma pérola musical do Roberto Carlos de 1965. "Roberto Carlos canta para a juventude". E, sinceramente, eu nunca vi esse álbum numa pratelheira de loja de CDs. Enquanto os britânicos celebram Beatles e toda a produção cultural pop clássica de lá, nós ficamos aqui na falta de memória e na pindaíba. Dá raiva até.
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Um dia se eu tiver problema de vazamento de gás aqui no meu apê, com certeza, eu não vou morrer por sufucamento ou envenamento. Existe uma verdadeira "avenida" de corrente de vento que corta o dito cujo. O mais legal é que minha cama fica bem no meio disso tudo. E nesses dias de frio congelante, estou tendo que ter uma verdadeira mente de McGyver pra elaborar soluções que bloqueiem essa "avenida".
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A lista de hoje:
* crunch (cereal)
* bis branco
* pão de forma
* coca-cola
* chá-verde
* cds virgens
* um broche dos Beatles.
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Mãos à obra.
(detalhe: meu café da manhã está terminando quase depois do meio-dia).

segunda-feira, 4 de setembro de 2006

"Hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamás"

Lembro dos tempos em que era criança que meu pai tinha um quadro com essa foto pendurado na parede de um quartinho no quintal de casa. Quartinho aliás que resguardava todo o acervo cultural da família, uma mini-biblioteca e um canto pra estudos.
Quando estava por lá eu sempre observava aquela figura e nunca entendia o porquê daquele olhar profundo e distante, que parecia lançar-se sobre um horizonte que não existia. Eu procurava, de uma forma inocente, visualizar o que havia por de trás dos olhos daquela "esfinge", mas não conseguia captar nada.
Desde a época dessa lembrança até os dias atuais já se vão mais de 10 anos, e, aos poucos, eu pude compreender e sentir um pouco do significado envolto naquela imagem, mas sempre de forma incompleta e distante.
Nesse começo de mês, no meu trabalho, eu pude "revisualizar" essa imagem na minha cabeça e captar, por completo, todo o sentimento que ela transmite. Em meio a choros, olhares de despedida, de resignação, e de impotência.
Eu diria que foi algo revelador (apesar de já revelado), algo que trouxe um sentimento que veio lá do estômago, de forma visceral, e tomou conta da minha cabeça, como se eu tivesse dando um grito histriônico pra dentro de mim mesmo. (?) Acho que nunca vou esquecer disso.

sexta-feira, 25 de agosto de 2006

uni-duni-tê..

Bom, as eleições estão aí. Em pouco mais de um mês iremos mais uma vez escolher (ainda bem) os nossos queridos representantes políticos.
Muita gente alardeia por aí que estamos vivendo um "momento de crise sem precedentes", que a política nacional é só lama, corrupção, sacanagem.. e blá, blá, blá..
Eu discordo. Na verdade acredito que estamos vivendo um momento de profundo amadurecimento político. Lógico que não está tudo lindo e maravilhoso, muito pelo contrário. Mas situação semelhante a que estamos passando, se fosse vivenciada a 30, 40 anos atrás, com certeza já teria descambado pra ruptura política, tentativa de golpe, essas coisas típicas de países com pouca cultura política democrática.
Contudo, acredito que toda essa "maturidade" está causando ironicamente uma homogeneização das opções de escolhas eleitorais. Talvez pelo fato (também irônico) de que os dois principais partidos políticos nacionais tenham uma origem programática e ideológica comum. Embora não pareça, PT e PSDB possuem mais coisas em comum do que a gente imagina. E consequentemente isso leva àquela sensação de que, tirando aqueles "outsiders" estilo Heloísa Helena, é tudo "farinha do mesmo saco".
Essa "farinha" é de uma safra interessante que surgiu no começo dos anos 80 e juntava um porrilhão de grupos políticos os mais variados que tinham (e tem) em comum a superação de toda aquela era autoritária que se sedimentou com o regime militar.
Talvez essa "farinha" já deu o que tinha que dar e seja necessário o surgimento de novos grupos políticos no jogo de poder. O que não deixa de ser triste, porque provavelmente perdeu-se uma oportunidade histórica. Se o PT ao invés de se "sectarizar" na sua trajetória de desenvolvimento, e o PSDB ao invés de se juntar a grupos conservadores como o PFL, tivessem ambos formado uma parceria política e caminhado juntos, talvez estivessemos vivendo hoje num país muito mais desenvolvido social e politicamente.
Enfim, há males que vem para o bem, espero. E eu quero "farinha" nova!..

(foto: Luiz Carlos Murauskas)

quarta-feira, 23 de agosto de 2006

empty spaces dicas: "David Gilmour" (1978)

(David Gilmour, o álbum - 1978)

A postagem de hoje serve pra abrir uma série com sugestões, indicações, dicas de coisas que o editor desse humilde blog aprecia e que eventualmente serão expostas aqui para serem compartilhadas.

Bom, recentemente o guitarrista da banda Pink Floyd (esse sujeito aí decima) lançou um álbum solo chamado On an Island. O disco é interessante pra quem aprecia e é fã da sonoridade da citada banda, mas também é bem chatinho. Só não digo que é ruim mesmo porque tem algumas coisas interessantes ali no meio. No geral porém, o álbum é bem limitado.

Ao contrário, esse álbum da capa exposta logo acima é muito bom. Produto do mesmo guitarrista, foi lançado em 1978 no início do fim dos melhores tempos da banda londrina. É um disco bem simples, com músicas diretas, básicas, levemente melancólicas e melodiosas. Não traz nada de inovador (mesmo pra época), mas é delicioso de se escutar. Calcado no blues e num rock bem tradicional, é daqueles Cds que vc bota na vitrola e deixa rolar por inteiro, sem cansar.

Havia um bom tempo que ele estava escondido lá na minha coleção de CDs. Esses dias, "redescobri" o nosso amigo e voltei a escutá-lo vorazmente. Recomendo para tudo e para todos. Uma audição de qualidade, na minha modesta opinião. Não há nada mais aconchegante do que "conversar" com a guitarra melancólica e revoltada de "No way" a altas horas da noite.

Set List:


MIHALIS (David Gilmour) 5:48
THERE'S NO WAY OUT OF HERE (Ken Baker) 5:10
CRY FROM THE STREET (David Gilmour/Eric Stuart) 5:13
SO FAR AWAY (David Gilmour) 5:50
SHORT AND SWEET (David Gilmour/Roy Harper) 5:26
RAISE MY RENT (David Gilmour) 5:32
NO WAY (David Gilmour) 5:32
IT'S DEAFINITELY (David Gilmour) 4:27
I CAN'T BREATHE ANYMORE (David Gilmour) 3:08


* para uma compreensão mais completa da postagem clique no link seguinte : "deglutindo Gilmour".

terça-feira, 22 de agosto de 2006

mother nature´s son (3)


Agora à pouco escuto na TV que os termômetros registram 8º graus na Avenida Paulista. Olho pela janela nesse início de madruga e nenhuma alma viva na rua, com exceção de um gari solitário.
Talvez não haja relevância alguma em escrever essa postagem, mas é que eu quase congelei quando saí do trabalho hoje na rua. De manhã, coloquei apenas uma jaqueta leve pra encarar o dia, e quando saí do prédio no final da tarde dei-me de cara (literalmente) com uma daquelas brisas cortantes de friagem que faz você, por alguns meros segundos, se sentir em plena Patagônia.
Acredito que num prazo de 6 horas a temperatura caiu uns 15º graus (sem exageros). Esse tipo de variação do clima tem um sentido visivelmente aniquilador. É pra matar o sujeito mesmo.
Muito provavelmente, em breve, teremos um "planeta assassino". É deliciosamente irônico, e assustador.