segunda-feira, 30 de outubro de 2006

apenas um "eco-texto-chatinho"..

Achei muito legal e interessante esse texto publicado na Folha de SP desse domingo passado, falando sobre a questão da transgenia no meio ambiente. Com a devida vênia, vou deixar publicado aqui. Não só por ser muito bem ponderado, como pelo fato de bater muito com o ponto de vista que eu tenho sobre a questão:
Orgânicos X Transgênicos: A gente não quer só comida
JOSÉ AUGUSTO PÁDUA ESPECIAL PARA A FOLHA

A ciência descobre, a tecnologia executa, o homem obedece." As palavras escritas no portal da Feira Mundial de Chicago, em 1933, sintetizam a postura submissa que ainda caracteriza a relação de importantes setores da opinião pública contemporânea com as inovações tecnológicas.
No vazio das antigas certezas religiosas, a ciência tornou-se para muitos a única fonte confiável de verdade. É irônico observar, porém, que o próprio movimento da modernidade global age no sentido de dissolver a aura de devoção construída em torno do complexo ciência & tecnologia.
O número cada vez maior de pessoas escolarizadas, a velocidade e a intensidade dos meios de comunicação, o estabelecimento de múltiplos espaços para o confronto de opiniões vêm contribuindo para gerar sociedades que discutem cada vez mais seu presente e futuro.
O que está sendo discutido, na verdade, não são os limites da ciência, mas sim o alcance da democracia na alta modernidade. Nesse sentido, a surpreendentemente forte reação de diversos atores sociais aos alimentos transgênicos, especialmente dos consumidores europeus, representa um caso paradigmático.
A pressão democrática para que a produção de organismos geneticamente modificados seja debatida de forma intensa e transparente, com uma moratória no seu uso, contribui para dar visibilidade aos condicionantes econômicos que controlam grande parte da atual pesquisa técnico-científica.
E serve também para expor o uso da ideologia da pureza do progresso científico como instrumento para justificar decisões empresariais fundadas em objetivos bem menos etéreos, tais como o aumento dos lucros e o controle dos mercados.
Princípio de precaução.
Não se trata de coibir a pesquisa acadêmica. O esforço de politização das novas tecnologias, com exceção de algumas poucas vozes especialmente radicais, não passa pela defesa de uma censura da investigação teórica ou experimental.
O problema está na difusão social precoce, por motivos calcados essencialmente na busca por poder econômico, de técnicas perigosas que ainda estão sob intenso debate científico. Ou seja, uma clara violação empresarial do chamado "princípio da precaução", que estabelece, diante da incerteza, que não se devem adotar atividades ou técnicas cujas conseqüências, se negativas, podem ser irreversíveis ou além da nossa capacidade de controle.
Os organismos geneticamente modificados, na medida em que são seres vivos, podem mesclar-se com outros organismos e penetrar nas cadeias ecológicas planetárias, reproduzindo-se de forma descontrolada. É tolice, pois, associar os transgênicos à modernidade e os orgânicos ao arcaísmo.
No setor da produção orgânica, por exemplo, que está crescendo como uma alternativa ao modelo transgênico, existe hoje um grande investimento científico. Não se trata de aceitar passivamente os movimentos da natureza, mas sim de buscar ativamente, por meio de um conhecimento ecológico fino e sofisticado, formas de potencializar a produtividade e a capacidade de sustentação das lavouras.
Mas seria ingênuo supor que a polarização entre transgênicos e orgânicos esteja fundada em uma disputa apenas técnico-científica. Trata-se, mais do que tudo, de uma questão de poder. A agroecologia, por suas características concretas, não facilita a concentração de poder assim como não favorece o estabelecimento de monopólios, patentes e pacotes tecnológicos.
A gestão ecológica da agricultura requer desenhos locais, que dialoguem com as condições específicas de cada domínio do território. Seus insumos, além disso, são renováveis e recicláveis.
No núcleo da pressão pelos transgênicos se encontra a fome de poder de um número restrito de enormes conglomerados empresariais, que, no limite, buscam usar as novas tecnologias para dominar a oferta de sementes e reduzir a autonomia dos agricultores e, por extensão, das sociedades.
É assustador imaginar um futuro em que algo tão vital como as sementes -assim como as fontes da alimentação em geral- estejam nas mãos de pouquíssimas corporações.
O consumidor, ao optar pelo que comer e por qual modelo favorecer, pode estar fazendo política no mais alto grau.


JOSÉ AUGUSTO PÁDUA é professor do departamento de história da Universidade Federal do RJ e autor de "Um Sopro de Destruição".

fonte: FSP (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs2910200612.htm)

terça-feira, 17 de outubro de 2006

A arte de descongelar geladeira

Esse último domingo foi revelador. Basicamente explicitou que o meu lado espiritual "amélia" é ainda muito pouco desenvolvido. Enfim, levar por volta de 10 horas pra descongelar uma geladeira não é algo normal.
Tá certo que fazia uns 5, 6 meses que o dito refrigerador não era descongelado (calma que é só um cálculo aproximado), mas isso não é desculpa. Esse tipo de tarefa doméstica é meio que um "ritual de aprovação" para o domínio do mundo dos afazeres domésticos. Se você consegue descongelar geladeira, você lava louças, lava banheiros, cozinha, passa roupas, varre o chão, faz tudo.
Fazendo uma análise holística da situação, acho que fui reprovado. Fiz uma pequena bagunça na cozinha, "lambuzei" o chão, sem falar de outras cagadas comprometedoras.
Em resumo, é uma arte. Dominar um eletrodoméstico que lentamente e de forma temperamental e aleatória começar a "vazar" água é coisa pra poucos e entendidos. Tarefa ingrata, e que demando muita paciência. Está provado (olha o trauma).

quinta-feira, 12 de outubro de 2006

hasta la (windows) vista, baby..

Estava eu folheando a Folha (putz!) quando me deparei com uma reportagem comentando sobre a nova versão do sistema operacional Windows. Tudo leva a crer que será um belo de um mico, se for vendido do jeito que está. Olhem só as observações:
">>TRANSIÇÃO: vários programas atuais terão problemas para funcionar no Windows Vista. No site, há uma lista com softs incompatíveis com a versão RC1 do novo sistema. Alguns não podem ser instalados, outros tem limitações.
>>SEGURANÇA: Além da polêmica dos antivírus da Symantec e da McAfee, programas de proteção populares como o AVG, o Kaspersky Anti-Virus e o Avast! Home Edition apresentaram problemas. O firewall ZoneAlarm Pro 6.5 também não funcionou bem.
>>EDIÇÃO: O Photoshop CS2 e o editor de vídeos Premiere Pro, ambos da Adobe, estão na lista de softs incompatíveis.
>>GRAVAÇÃO: O pacote Ahead Nero não é instalado corretamente no Vista. Quem tentar usar o Burning Rom encontrará problemas.
>>TOCADORES: O iTunes tem problemas com o recurso iPodService.
>>GAMES: Os famosos RPGs on-line City of Heroes e Second Life não funcionaram na versão de 32 bits nem na de 64 bits do Vista."
(fonte: Folha de SP; 11/10/2006; p.F2)
Ou seja, 80% dos programas e aplicativos mais populares que rodam no Windows atual vão "dar pau". Que beleza hein?!..

domingo, 8 de outubro de 2006

scrapbook man


Nem sei porque estou escrevendo aqui, estou morrendo de sono. Devia ter ido pra cama, mas precisava comentar sobre isso.

Estava esses dias pensando sobre como eu não consigo mais organizar o meu dia-dia sem ficar fazendo pequenas anotações em bilhetes ou bloco de notas. É bizarro.

Quando chega o fim de noite, como agora, invariavelmente eu pego o bloco de notas e começo a anotar tudo o que eu vou fazer no dia seguinte, ou pelo menos as coisas mais importantes.

Compras no mercado na volta do trabalho, contas pra pagar, e até coisas que eu tenho que fazer aqui no micro. Fica tudo meticulosamente anotado para depois ser riscado impiedosamente quando a coisa literalmente sai do papel (ou da cabeça) e acontece. Essa foto aí emcima, que por acaso virou parte do layout do meu blog, é uma dessas anotações. Anotação de tempos mais radicais, quando ainda procurava emprego e tinha que organizar minha semana inteira nesse minúsculo pedaço de papel.

O fato é que virou rotina. E pior que virei um grande bloco de notas ambulante. Enfio todos os bilhetinhos que escrevo e vou deixando pelo apartamento no bolso da calça quando vou pro trabalho de manhã. A primeira coisa que faço quando saio da empresa é sacá-los do bolso e ir eliminando item por item.

Enfim, pode-se dizer que é natural esse tipo de atitude. Afinal, todo adulto normal tem uma série de coisas pra fazer no dia-dia e que precisam ser organizadas. Foi para isso que inventaram as agendas. Mas não sei, eu ando meio encucado com isso. Principalmente porque comecei com esse costume depois que me mudei para sampa e passei a morar sozinho. Dá uma sensação estranha de que, justamente ao contrário, você não consegue ter um controle sobre a própria rotina.

É provável que seja simplesmente um sinal inequívoco de que eu preciso comprar uma agenda. Mas isso eu não vou fazer. Eu odeio agendas. E também não sei explicar o porquê desse ódio.

Vou dormir.

segunda-feira, 2 de outubro de 2006

"não sei..."

Essa foi a resposta dada pelo deputado federal eleito Clodovil Hernandez ao ser indagado por um repórter sobre que tipo de projeto ele pretendia levar pra Brasília agora que o cargo de representante do povo perante o Congresso Nacional lhe foi dado.
Quem não sabe o que pensar sou eu. Senão vejamos:
- senhor Paulo Salim Maluf foi eleito como deputado federal mais votado (em termos absolutos) do Brasil (!!!);
- Valdemar Costa Neto, o homem que admitiu, no melhor estilo "peroba" de ser, que usava "caixa-dois" em seu partido para financiar campanhas e que renunciou ao mandato pra não correr o risco de ser cassado foi eleito deputado federal sem maiores problemas;
- outros eleitos, ou reeleitos: Antonio Palocci, José Genoino (como ele conseguiu ser eleito "sumido" do jeito que estava?!), João Paulo Cunha, Pedro Henry, Sandro Mabel (lembram deles?), e pasmem.. mister Fernando Collor de Mello foi eleito senador por Alagoas (!!).
E depois as pessoas ainda querem reclamar sobre a falta de ética na política. Mas como, se elas mesmas estão dando aval à falta de ética na política??..
Eu fui com muita dor na consciência justificar meu voto dessa vez. Porém, depois refleti bem, e talvez não tenha sido tão ruim assim. Agora, com o segundo turno, vou poder votar sem maiores dificuldades. A questão é: com que ânimo?

mother nature´s son (4)

Hoje eu estava lendo no site Ambiente Brasil: "(...) cientistas lançam um alerta: a temperatura média do nosso planeta em 2006 pode bater um recorde que já dura um milhão de anos." Bom, pra quebrar um recorde de 1 milhão de anos tem que haver muita força de vontade, ou falta dela. É uma proeza pra humanidade.
Olhando assim de uma forma distante, parece coisa de "ecochato", mas é algo que já afeta diretamente o nosso dia-dia. Como comentei em outras postagens, essas mudanças climáticas abruptas que tem ocorrido ultimamente andam acabando com a saúde das pessoas, pelo menos com a minha.
Se não acaba com a saúde, causa uma esquizofrenia no guarda-roupas. Hoje, por exemplo, saí de casa para trabalhar com uma jaqueta pra lá de pesada e fui embora no final da tarde pra casa morrendo de calor e carregando aquele trambolho nas mãos.
Eu não sei se é uma particularidade do clima aqui na capital paulista, mas enche um pouco o saco. Enfim, já tenho a nítida sensação de que esse tópico será um tema recordista desse blog.

sexta-feira, 22 de setembro de 2006

peroba neles!

Já repararam como essa eleição está sendo diferente? Sem sujeira nas ruas, tudo muito comportado, bonitinho, bem "clean". Em compensação, sujeira é o que não falta nos noticiários.
Bom, eu não sou nenhum fã do senador Heráclito Fortes (muito pelo contrário), mas essa frase dele é muito boa:
"Nossa capacidade de investigar fatos está anos-luz a distância da capacidade do governo de fazer cagada."
É uma sábia constatação, sem dúvida. A incompetência rola por todos os lados, seja pelo lado da oposição ou da situação. É entediante observar como nossa classe política está aos frangalhos. Como comentei recentemente aqui no blog, faltam caras, idéias, e projetos novos no meio político. "Farinha" nova.
Nós não podemos nos enganar. Não há nada de novo ou surpreendente nesse quadro político. Não fomos pegos repentinamente envoltos num "mar de lama" inusitado por esse governo atual. Esse "mar" sempre existiu. A única diferença é que agora um grupo político mais inexperiente e "pobretão" está se deslumbrando e se lambuzando nessas águas barrentas. E isso causa uma urticária danada no grosso da mídia que sempre foi alinhada com um povo politicamente mais sofisticado mas igualmente lambuzado.
Enfim, não há solução mágica. Política é uma combinação de fatores que vão desde o estágio de desenvolvimento social de um povo até a forma como esse mesmo povo enxerga a si mesmo e à idéia da disputa do jogo de interesses frente ao bem comum.
Eu assino embaixo a máxima daquele candidato do partido dos coitados dos aposentados da nação. Num mundo onde reina a cara-de-pau deslavada, nada melhor do que "vernizar" essas faces com o melhor óleo de peroba do mercado.

quarta-feira, 20 de setembro de 2006

"the dark of the matinee is mine!..."


(Alex Kapranos - musica.terra.com.br)


Bom, eu poderia escrever um verdadeiro tratado sobre a noite do último sábado, dia 16 de setembro de 2006. Assim como se tivesse o blog nos idos de março desse ano também escreveria um texto gigante sobre o fatídico 15 de março, o dia em que aquele que alguns chamam de "Deus" fez chover em SP.
Enfim, foram os dois melhores shows de rock que eu já tive a oportunidade de assistir. O Oasis debaixo de chuva mandando ver pra uma platéia de seguidores religiosamente fanáticos e o Franz Ferdinand fazendo aquilo que se poderia chamar de a melhor performance pop-rock-art-dançante que alguém pode vivenciar sobre a face do planeta terra.

(Kapranos e platéia - www.estadao.com.br)

E não é papo de fã desmiolado da banda não. O Franz Ferdinand faz um tipo de show raro que poderíamos chamar de a essência do que uma apresentação de boa música pop deve ser. Ao mesmo tempo, não se propõe a revolucionar o mundo, mas também não deixa nem aceita que a música seja algo puramente descartável e pra diversão instantânea.

Eu sempre visualizei a banda como uma mistura sofisticada e explosiva do melhor do "crooner pop" Elvis Presley com a criatividade e descontração dos Beatles. Aliás, uma das minhas músicas favoritas deles, You´re the reason i´m leaving, parece uma junção perfeita desses dois ícones do rock and roll. Pena que não tocaram no show em SP.

Mas em resumo, eu lembro muita pouca coisa da apresentação em si. Como todos lá, estava sensivelmente extasiado e sem muito raciocínio lógico. Lembro dos cabelos da minha amiga Cris "lutando" contra a força da gravidade num vai e vem frenético de pulos dançantes na minha frente. Do Kapranos esguelando lá no telão os refrões de pérolas como The Dark of The Matinee, Michael, Outsiders, This Fire.. essas, na minha opinião, as melhores performances da noite.

A verdade é que celebrações como essa são de tal forma empaticamente bombásticas que fica difícil você fazer uma "análise". E eu também não apareci aqui hoje pra isso. A postagem é única e exclusivamente pra deixar registrado que o Franz Ferdinand é uma puta banda, e que eventos como esse tem uma singularidade que nos deixam eternamente agradecidos. Seja pela música, pelos amigos, ou pela junção mágica das duas coisas.