segunda-feira, 4 de maio de 2009

musas (11)


MARILYN MONROE

fumaça

Hoje estava lendo o jornal quando me deparei com isso:

Ator terá de ir à Justiça para fumar em cena

Nova lei antifumo proíbe uso de cigarro, cachimbos e charutos em gravações em estúdios fechados e em peças de teatro

(...)

Peças de teatro, gravações de TV e filmagens de cinema em lugares fechados também serão enquadradas pela lei estadual de restrição ao fumo, que será sancionada nos próximos dias pelo governador José Serra.
Para acender um cigarro, charuto ou cachimbo em cena, o produtor precisará de autorização judicial. Terá de argumentar, no pedido ao juiz, que a ausência do tabaco prejudicaria a concepção artística de seu filme, videoclipe, novela ou montagem da peça teatral.

íntegra da notícia: aqui.

Antes de mais nada. Deixemos claro que eu não fumo, acho a nicotina um negócio realmente escroto, mas temos que ter um pouco de bom senso e tomar cuidado pra não embaralhar o culturalmente milenar ato de fumar com o moderno e propositalmente venenoso cigarro.

O artigo 6º inciso I do projeto de lei 577/08 aprovado e que aguarda sanção diz que não, mas no ritmo que a coisa vai logo teremos que banir os eventuais cachimbos recheados de ervas naturais que os índios fumam em suas cerimônias sacras muito mais antigas que a nossa maravilhosa república. Sem falar nos tradicionais narguiles dos simpáticos turcos, dos rituais do candomblé, e por aí vai.

Em vez de querer implantar um império do excesso do politicamente correto e da hipocondria, nosso caro governador José Serra poderia concentrar seus esforços no que realmente causa a matança em massa e o imenso prejuízo ao nosso sistema de saúde: a indústria do cigarro.

O ato de fumar não é sinônimo de consumir Philip Morris. Essa frase deveria ser pregada numa faixa em letras garrafais no gabinete do governador. Assim talvez ele se desse conta de que desestruturar a capitalização em cima do vício e o severo controle (químico mesmo, buscando a moderação da nocividade do tabaco) da produção do cigarro industrializado é o caminho.

Precisamos de saúde, precisamos de respeito ao próximo, mas também precisamos de liberdade individual (mínima), de cultura, e de muito bom senso.

sábado, 2 de maio de 2009

1001 covers para ouvir antes de morrer

Avisando os nobre leitores que me juntei ao meu grande amigo e biblioteca-pop-musical-ambulante Kojima San para colaborar no mais novo projeto do rapaz: listar 1001 covers interessantes que todo ser humano deveria ouvir antes de morrer. Se vocês me achavam megalomaníaco, esperem até ver isso:

1001 covers, o blog.

Antes que algum caça-níquel editorial tome a dianteira, Persiolino já está coletando material para mais um produto da fatídica série. E o melhor, tudo "de grátis" via blogosfera. Como diria meu velho, melzinho na chupeta.

Na minha estréia adentrei com Working Class Hero do John Lennon, executada pelo Green Day. Selecionada depois de um contato televisivo vespertino ocorrido quando eu fazia o meu esporádico mas sempre necessário café-nostalgia junto à minha antiga faculdade. Confiram.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Gilmar X Joaquim



Semana passada, a instância máxima da Justiça desse país observou uma discussão entre dois dos seus ministros que foi classificada como histórica. Não poderia deixar de comentar isso aqui. Todo mundo viu, ouviu, comentou, deu pitaco.

A grande maioria dos habitantes do mundo jurídico condenou a briga, inclusive a OAB, classificando como "lamentável" a atitude, e deixando claro o mau exemplo que isso representa pra sociedade. Eu concordo em termos, procurando ver e ressaltar o aspecto positivo da querela.

Dentre todos os acertos e desacertos do governo Lula (e são vários, pra ambos os lados), é inevitável constar que o dito criou um "clima" que deu maior transparência aos "podres" da nossa República, se é que poderíamos chamar assim. Desde a atuação da Polícia Federal (com seus méritos e excessos), passando pelo caso do "mensalão", dos cartões corporativos, tudo vai ficando mais claro e visível para aqueles que não fazem parte das ditas engrenagens da grande máquina política.

Essa discussão ocorrida no Supremo Tribunal Federal nada mais é que um fruto, uma reverberação extrema, dessa certa "maresia" de transparência política que aos poucos vai ganhando o cenário político. É feio, é constrangedor? É. Mas é algo muito mais saudável e salutar do que manter tudo sobre um manto (muitas vezes perigoso) de dissimulação e hipocrisia. Pra quem procura observar de forma mais profunda os meandros políticos do país, é sabido que por trás daquele bate-boca há muito mais do que uma simples rixa pessoal. Um grande embate político segue por detrás das cortinas.

Talvez uma boa parte dos nobres leitores desse espaço não saibam, mas o Supremo Tribunal Federal não é um órgão eminentemente jurídico, e sim político. Sua função é zelar pela preservação da Constituição, e Constituição, seja em qual canto do planeta apareça, é um conjunto normativo essencialmente político. Interpretar a Constituição Federal, é, em última instância, fazer política.

Lembremos ainda que ambos os ministros envolvidos na briga são indicações de políticos, e pior, políticos de campos ideológicos relativamente opostos. Gilmar Mendes foi indicado por FHC, e Joaquim Barbosa por Lula. Some-se a isso o fato de os citados magistrados serem atualmente os "caçulinhas" da Corte, os mais novos e com menos experiência.

Comento isso porque fico meio lesado com certo histrionismo e paranóia que anda em moda nos comentários políticos de boa parte da mídia. Como se os alicerces da nossa democracia estivessem desmoronando aos poucos. Muito pelo contrário, nossa democracia vai muito bem, e cada vez melhor.

Enfim, ninguém (civilizado) aplaude "barraco", seja num Tribunal ou na feira da esquina. Mas querer que uma certa hipocrisia velada paire sobre um dos principais tabuleiros políticos do país não é interessante nem saudável, e nem democrático.

Arroubos são exceções. Acontecem aqui, na China, e até nas mais altas e respeitosas Cortes Européias. Quando eles não acontecem esporadicamente é que a coisa pode ser preocupante.


OBS: não custa nada lembrar que se o nobre Ministro Barbosa pediu para não ser confundido com os "capangas" do Ministro Mendes, esse último também já classificou o trabalho da Polícia Federal como "coisa de gângster", não só pra seus pares, mas pra quem quisesse ouvir, via imprensa.

sábado, 25 de abril de 2009

Lugo, o garanhão, e a "relatividade" da moral católica

Confesso que não sou um super admirador das colunas da Barbara Gancia, mas nesta sexta ela acertou em cheio ao comentar o caso do ex-clérigo e presidente do Paraguai Fernando Lugo e sua polêmica prole; segue trecho:

...dom Orani Tempesta, um dos porta-vozes da CNBB, emitiu a seguinte opinião sobre o caso: "Cada pessoa responde à fidelidade ou à infidelidade daquilo que promete. Acho que não cabe à igreja julgar ninguém, mas a cada um de nós, vendo as coisas, dizer se está sendo fiel àquilo com que se comprometeu". Êpa, ôpa! Sinto aí um certo corporativismo em defesa do ex-colega. Se entendi direito, o bispo que virou presidente pode errar e se arrepender e não caberá a ninguém julgá-lo. Mas, quando os africanos decidem ser fiéis à ideia de usar preservativos para se defenderem de doenças sexualmente transmissíveis, aí a danação do inferno cai sobre eles. Ou, quando a mãe de uma menina estuprada pelo padrasto decide que a filha deve abortar, ela corre o risco de ser excomungada. E, quando os gays... Bem, deixa para lá, não é preciso ser teólogo para entender que existe tratamento VIP para uns e cadeira na geral do inferno para os menos privilegiados.

(FSP, 24/04/2009, Barbara Gancia: Igreja pega leve com Lugo - íntegra)

Assino embaixo. Eu como sujeito agnóstico e cético que sou tenho uma baita dificuldade pra digerir coisas como essa. Ver e escutar a Igreja Católica "formar opinião" hoje em dia me deixa triste. Pior é constatar que a coisa chega a beirar as vias da irresponsabilidade, como no caso da AIDS subsaariana.

Deixo a palavra com os eventuais leitores católicos "praticantes" desse espaço lá na página de comentários. Preciso de argumentos contrários interessantes, porque pra mim esse anacronismo tosco já passou de qualquer limite de razoabilidade.

Postagem que chove no molhado, mas vamos lá.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

segunda-feira, 20 de abril de 2009

grandes clássicos do "rock maconha"

Esses dois álbuns marcam algo como o início e o fim de um período onde uma certa "cena" do rock (se é que podemos chamar assim) brotou, floriu, e morreu. O que eu costumo chamar de "rock maconha". Foi meio que uma praga. Arrebatou várias bandas dos mais diversos estilos. E manchou, segundo diz boa parte da crítica especializada, a carreira de muita gente boa.

Algo como uma ressaca do dito "verão do amor" (1967) do fim dos anos 60. O povo que criou grandes pérolas pop com o uso de muito ácido, resolveu, em vez de virar careta, cair de cabeça em outro tipo de entorpecente. Eu não diria que foi um desastre como os entendidos apontam, mas muita bizarrice e esquisitice foi desenvolvida nesse tempo.


Atom Heart Mother - Pink Floyd (1970)


(a capa diz tudo não?)

O que acontece com uma banda que perde seu grande vetor criativo (Syd Barrett) em pleno fim dos anos 60? A resposta está nesse disco. Na verdade, a resposta já havia começado antes, no não menos "emaconhado" Ummagumma (1969), mas digamos que a completude se fez aqui.

Nessa época, o Floyd estava atirando pra todos os lados tentando estruturar uma direção sonora pra banda, que havia sido, sobre a liderança de Barrett, um dos grandes expoentes do movimento psicodélico de 1967. Juntemos à falta de direção o espírito cannabis sativa que estava impregnando o ar e temos um dos trabalhos mais sem pé nem cabeça que o rock and roll já produziu.

O álbum começa com a faixa-título. Uma "suíte" de mais de 20 minutos de duração, onde temos uma orquestra completamente desafinada tocando uma espécie de marchinha que se repete ad infinitum. No meio desse "refrão", surgem coisas como um relinchar de cavalo, uma moto arrancando a toda sei lá pra que onde, entre outras colagens sonoras totalmente aleatórias e sem sentido (pelo menos pra quem não "puxou um beck"). A música segue não menos bizarra com a entrada de um coral de vozes como se estivéssemos assistindo a um ensaio teatral de alguma ópera, seguido de um choroso e bluseiro solo de guitarra, e por aí vai. Na parte final da música, tudo se repete, com pequenas nuances que te deixam perplexo e sem entender pitomba nenhuma.

O disco segue com três canções que poderíamos chamar de normais, não fosse a infalível impressão de que, em cada uma delas, o respectivo autor sentou ao piano ou pegou o violão após ter tragado muita erva antes. E acaba em mais uma "suíte" instrumental que retrata uma espécie de café da manhã musicado (com direito a efeitos sonoros de caixas de fósforo e frigideiras ao fogo) de um tal de Alan, roadie da banda.

É um disco que acho que toda pessoa interessada em música pop deveria ouvir pra se ter uma noção de até onde se chega a "criatividade" humana dentro desse segmento artístico. Além disso, possui momento agradáveis, e é delicioso de se escutar naqueles esporádicos, "perdidos" e solitários fins de tarde de outono.

Interessante e curioso como a mesma banda que produziu essa bizarrice sonora tenha feito três anos mais tarde uma das maiores obras-primas de toda a história do rock/pop, o mítico Dark Side Of The Moon (1973).

Com a palavra, os autores:

"'What do you think of your early records like Atom Heart Mother and Ummagumma today?' I think both are pretty horrible. Well, the live disc of Ummagumma might be all right, but even that isn't recorded well." - David Gilmour - German news magazine "Der Spiegel" No. 23 - 5 June 1995

"Atom Heart Mother is a good case, I think, for being thrown into the dustbin and never listened to by anyone ever again! [...] It was pretty kind of pompous, it wasn't really about anything." - Roger Waters - Rock Over London Radio Station - 15 March 1985, for broadcast 7 April/14 April 1985.


Red Rose Speedway - Paul McCartney & Wings (1973)


(esse botão de rosa é muito suspeito..)

Já escrevi nesse blog criticando o álbum. Mas recentemente tenho escutado com mais freqüencia, e percebido que ele tem o seu valor. Não é dos discos diferenciados pós-Beatles do Macca, mas é um clássico. E mais, um clássico do "rock maconha".

Sir Paul McCartney estreiou em carreira solo com um trabalho que tem alguns traços da verve cannabis aqui comentada, o ótimo McCartney (1970), porém a consolidação mesmo só veio com esse petardo.

É sabido que o ponto fraco do ex-beatle sempre foi a parte lírica, mas aqui nesse trabalho ele deu uma apelada. Dos álbuns que ele lançou nos anos 70, esse com certeza é o que mais exala uma certa breguice e total esquisitice nas letras. Digamos que a cannabis aqui distorceu o já parco senso crítico do Macca pra elaborar as ditas. "My Love", apesar de ter uma bela melodia e ser uma singela homenagem a Linda, tem uma letra pra lá de brega, dispensando maiores comentários. Difícil é entender coisas como "Little Lamb Dragonfly" ou "Single Pigeon", ou a grande bizarrice "Loup (1st Indian on the Moon)" (?). Aliás, diria que essa música representa o fino trato do "rock maconha": um instrumental tosco sobre um suposto Neil Armstrong da nação indígena.

Tenho pra mim que no período de gravação desse trabalho o Macca passava a maior parte do tempo na horizontal com a Linda e puxando um fumo descontroladamente. Só isso explica esses 40 minutos de "nóia-brego-romântica".

De qualquer maneira, recomendo o petardo. É um disco que representa perfeitamente o lado mais otimista do climão de ressaca hippie do começo dos anos 70: se o sonho acabou, vamos pegar as migalhas, bater no liquidificador, "puxar um beck", e aproveitar. Enfim, "rock maconha" no seu estado mais purista.

Graças a um desses maravilhosos e misteriosos insights, Sir Paul parou pra pensar, controlou a erva, botou a carreira nos eixos e lançou alguns meses depois um de seus melhores trabalhos pós-beatles, o excelente Band On The Run (1973).

sexta-feira, 17 de abril de 2009

6 coisas sobre mim

Atendendo a pedido da minha "ex-sócia" e colega de "bloguismo" Fabiana, vou relatar seis fatos pretensamente (des)interessantes sobre a minha vida pessoal. Como diria o Marcelo Adnet, uma postagem "furfle" pra abrir o feriado. Nada útil.

1. Megalomania

Bom, quem acompanha a algum tempo esse blog já deve ter notado. Já tentei criar até uma "corporação blogueira" segmentada a partir da máxima "o que devemos usar para preencher os espaços vazios onde costumávamos conversar?". Sem falar na tentativa incipiente de formalizar um "portal site" com colaboradores eventuais. Fora do mundo virtual, minhas guinadas espirituais pretensiosas de certa maneira foram fundamentais pra aventuras interessantes e mudanças saudáveis que aconteceram na minha vida. Por outro lado, a alcunha "sonhador", "vivendo no mundo da lua" e a frase "você é muito idealista!" sempre rondaram a minha pessoa. Atualmente, o botãozinho de grandiloqüencia meu anda cada vez mais desligado. Pro bem e pro mal.

2. Vício em cafeína

Essa dispensa muitos comentários. Estou acompanhado de meio mundo, e muita gente que lê esse espaço sabe do que estou falando. Nada escapa. Café, chás, refrigerantes, balas, analgésicos. Já ouvi alguém dizer que o vício é algo quase intrínseco à natureza humana, eu hei de concordar. E como todo bom vício, é melhor vivenciado quando compartilhado. Sentar pra um bom bate-papo numa cafeteria é algo de um teor quase existencialista pra mim. No mais, sou adepto e sigo estritamente dentro da máxima daquela comunidade do orkut: "Vivendo pelo café, morrendo com estilo".

3. Sadismo pré-juvenil com animais domésticos

Deixemos bem claro que não se trata de crueldade consciente, pois eu era um pirralho na época. Como toda criança, a curiosidade era o lema. O ponto alto e mais sinistro dessa "fase" foi a tentativa mal sucedida (ainda bem; desistência voluntária mode on) de "cozinhar" um filhote cachorrinho de estimação da família num mini-forno de pão de queijo (pronto, confessei publicamente).

4. Mulheres "problemáticas" morenas

Eu tenho uma queda quase insuperável por mulheres ditas "difíceis" com madeixas e/ou tez morenas. Ninfomaníacas, sombrias, blasès, bem vestidas, inteligentes. Por uma dessas violentas ironias do destino, meu relacionamento atual e mais duradouro é com um ser feminino loiro quase que "anti-problemático".

5. Fala que eu te escuto

Talvez uma das minhas principais características pessoais: falar pouco. Em mais um caso de ironia-jumbo, eu me formei em Direito e sou advogado. Uma aberração dentro da classe? De certa forma sim. E já percebi que uma boa parcela do meu plantel de amigos fala pelos cotovelos. Seria algum tipo de compensação? Não sei dizer. Mas em que pese a boca fechada, não sou um animal anti-social no sentido estrito do termo. Pelo contrário. Esses dias estava refletindo sobre a minha sociabilidade dissimulada e de como subestimo essa minha faceta. A frase "cara legal" ronda a minha pessoa com uma certa e boa freqüencia. Eu é que visto meu "coturno espiritual" com um certo exagero.

6. Bocejar, bocejar, bocejar.

Quem convive bastante comigo e se atém a detalhes com certeza já percebeu. Independemente das condições de temperatura, pressão, e estado espiritual, sempre rola. E não tem nada ver com sono ou desinteresse. Como já comprovaram nossos ocupados cientistas judaicos-cristão-ocidentais, é pura oxigenação do cérebro.